Partidos e movimentos políticos transnacionais

 

Partido significa parte, parcela de um todo, que tende a disputar, com outros grupos do mesmo género, a liderança do conjunto, que tem em vista aquilo que alguns qualificam como a conquista e a manutenção do poder.

Acontece que quando a dinâmica das relações internacionais transformou o campo de actividades da luta política num espaço maior que os próprios Estados, surgiram forças transnacionais, independentes dos Estados, que até começaram a ter intervenção na própria luta pelo poder, feita no interior dos Estados

 

A primeira grande experiência veio das chamadas internacionais políticas, ligadas ao movimento socialista, sendo marcante a fundação da chamada I Internacional, em 29 de Setembro de 1864, em Inglaterra. Reunia os trade-unionists britânicos, os proudhonianos, os marxistas alemães e vários refugiados húngaros, polacos e italianos. Teve a preponderância da própria pessoa de Karl Marx, até que este, em 1866, entrou em conflito com Proudhon e, no ano seguinte, com Bakunine. O movimento teve, aliás, imediatas influências em Portugal e logo em 1871, José Fontana escreve um folheto intitulado O que é a Internacional?, para, no ano seguinte, fundar a Associação de Fraternidade Operária.

No Congresson de Haia de 1872, acabam por retirar-se os blanquistas e os bakuninistas. A organização, dominada pelo marxismo, entra em agonia e extingue-se em 1877.

 Segue-se a II Internacional, fundada em 1889, que constitui uma federação de partidos nacionais de inspiração marxista, depois do desaparecimento do bakuninismo, no começo da década de oitenta. Começa, então, um confronto entre os ortodoxos, como Bebel e Kautsky, e os revisionistas, à maneira de Bernstein.

Já a III Internacional é uma simples extensão do sovietismo, tendo sido fundada em Moscovo em 4 de Março de 1919. Conhecida, segundo o calão jornalístico, por Komintern.

 

Recordemos, em primeiro lugar, que a Segunda Guerra Mundial começou por ser uma efectiva guerra civil europeia, na sequência, aliás, desse ensaio do conflito que se traduziu na Guerra Civil espanhola, onde se enfrentaram aqueles conglomerados ideológicos que, depois, deram origem à tensão entre os chamados colaboracionistas e as chamadas resistências.

Não nos esqueçamos também que a Guerra Fria atravessou transversalmente todos os Estados, criando movimentos ideológicos globais, onde uns se diziam o mundo livre e outros, o socialismo dito real, a que os primeiros chamavam comunismo. Acrescentemos, por outro lado, que o movimento que levou à construção europeia, antes de ter protagonistas diplomáticos, mobilizou forças espirituais e movimentos ideológicos.

Não é, pois, de estranhar a emergência de movimentos políticos trans-estaduais, principalmente a nível da Europa Ocidental. Primeiro, estruturaram-se os social-democratas ou socialistas democráticos, hoje agrupados em torno do Partido Socialista Europeu. Seguiu-se, quase simultaneamente, o movimento democrata-cristão, que, depois, se agrupou no Partido Popular Europeu.