A
procura do verdadeiramente científico
Outros preferem referir que a velha tensão entre idealistas e
realistas traduz um confronto entre as teorias clássicas e as teorias empíricas,
onde os realistas se assumem como os únicos verdadeiramente científicos,
quando se trata de um confronto entre tradicionalistas e cientificistas. Aliás,
quase se transformam numa espécie de marxistas antimarxistas, quando repetem a
tensão entre o socialismo utópico e o socialismo científico, ao qualificarem
os não-realistas como utópicos.
Estão marcados por aquele vício que
Arthur
Koestler (1905-1983) qualificou como reducionismo,
acreditando que, pela análise, podem atingir-se os elementos simples, nunca
entendendo que o todo é sempre mais do que a soma das parcelas analisáveis.
Resta saber se os mais realistas não são afinal os mais
normativistas, quando aceitam acriticamente a confusão entre o que é nacional
com o que é soberano, o dogma central das sucessivas escolas norte-americanas e
francesas, onde a ideologia dominante dos respectivos Estados têm interesse
nessa confusão e nessa utilização retroactiva de conceitos.
Aliás, os realistas são também normativistas quando não reparam
que nas suas análises daquilo que qualificam como realidade utilizam lentes
deformadoras dos factos, nomeadamente as categorias bipolares de anarquia versus
hierarquia, as quais deveriam ser entendidas como meros tipos
ideias à maneira de
Max Weber.
Assim, nos finais da década de sessenta, surge um combate entre os
defensores do classical approach,
conforme a expressão de
Hedley Bull
(1966), depressa qualificados por
Kaplan (1966)
como os defensores do traditionalism,
e os que este último qualifica como os defensores da science e do professionalism.
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Clássicos |
Cientificistas |
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Assumem a herança teórica dos filósofos, historiadores e
juristas. Defesa do enfoque intuitivo e da sabedoria literária |
Acreditam na dedução e têm uma linguagem abstracta e
neutra que não usa adjectivações. Assumem uma espécie de puritanismo
intelectual |
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Confiança no exercício da razão |
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Cépticos quanto à capacidade da ciência |
A conduta humana deve ser observada sistemática e
compreensivamente |
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Não acreditam em regras gerais |
Podem formular-se generalizações baseadas em dados empíricos.
Há parâmetro observáveis de acção e de conduta no domínio da política |
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As unidades de estudo das relações internacionais não são
diferentes de um átomo ou de uma célula |
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Os modelos são meras metáforas ou analogias |
Constróem e manipulam modelos, considerados como sistemas
dedutivos de axiomas e teoremas |
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A mediação não passa de um fétiche |
Acreditam nos
métodos quantitativos e pensam que tudo pode ser medido |
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Quem prescinde da história e da geografia acaba por
renunciar à autocrítica e passam a ter uma visão estreita do respectivo
objecto de estudo |
Prescindem da história e da filosofia |
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Os cientificistas produzem mais promessas do que
resultados, com muitos processos analíticos, mas sem uma experimentação
substantiva |
As concepções tradicionais são vagas e difusas,
impressionistas e flexíveis |