Para Metternich, o que interessaria no domínio das relações internacionais, seriam os verdadeiros interesses e o reconhecimento dos direitos adquiridos dos Estados, dado que o primeiro princípio da aliança das grandes potências é a manutenção de todas as instituições legalmente existentes: a paz geral só é possível com esta condição e a calma é o maior benefício para toda a sociedade humana. Conforme as suas palavras, uma das primeiras noções, diria mesmo a base da política contemporânea, é o direito à tranquilidade. Ora, a ideia fundamental da tranquilidade é a segurança da posse (dos territórios). Se as principais potências da Europa partem deste princípio, é necessário que os pequenos Estados, que dificilmente se podem manter, o aceitem voluntariamente ou à força.

 

Clemens Wenzel von Metternich (1773-1859), o mesmo que considerava o pacto instituidor da Santa Aliança como um documento vazio e sonoro, pelo que, até terá aconselhado o respectivo soberano que, sob o ponto de visto político a referida Aliança era insípida parlenda, não havendo, portanto, inconveniente em assinar. Com efeito, o chanceler austríaco, em vez de uma aliança mística e pacifista, como preferia o czar russo, Alexandre, a quem bastava uma simples concertação das políticas externas das principais potências, pretendia a criação de um instrumento de luta contra o revolucionarismo, visando a instituição de um sindicato de interesses monárquicos para o socorro mútuo dos principais soberanos da Europa, que pudesse intervir nos assuntos internos dos vários Estados europeus. Metternich, que lera mais Bossuet do que Rousseau, era também um eclético. Onde Alexandre se assumia como romântico, ele respirava racionalismo; onde o soberano da Rússia apostava no misticismo, o austríaco ensaiava o chamado realismo político. Onde o primeiro queria a mudança, o segundo visava a conservação.

Segundo Metternich, a ciência de governar pode reduzir-se a alguns princípios tão certos como os da química. Se os homens fossem menos pródigos em teorias, ganhariam o hábito de comprovar a uniformidade dos resultados pela combinação das mesmas causas. Porque os povos têm necessidade de autoridade e não de maioria e o mundo quer ser governado com factos justos e não com frases ou teorias. Deseja assim que os governos reduzam ao silêncio os doutrinadores no interior dos seus Estados e manifestem o seu desprezo pelos do exterior; os homens débeis e presunçosos serão aniquilados se outros mais fortes se apresentarem. cerrarem fileiras, e lhes derem batalha.