Morgenthau, principalmente em Politics Among Nations, considera que a política é, na sua essência, acção, assinalando que a sobrevivência é o fim principal do Estado, quase repetindo Maquiavel, para quem os verdadeiros fins da política seriam o fundar uma República, manter um Estado, governar um Reino, organizar um Exército, conduzir a Guerra, administrar a Justiça, aumentar um Império (Discorsi).

Assim, o autor germano-americano propõe que a diplomacia deixe de ser uma espécie de cruzada pelos valores, dado que os objectivos da política externa têm apenas que defender o interesse nacional e que ser servidos por um poder adequado, nomeadamente as forças armadas, entendidas como um instrumento da política externa e não as suas donas. Não deixa, no entanto, de advogar a necessidade dos compromissos, mas desde que não esteja em causa um interesse vital. Considera também que os governos não podem ser escravos da opinião pública, devendo antes liderá-la.

 

Hans Joachim Morgenthau (1905-1980) Nasce na Alemanha. Educado em Berlim, Frankfurt e Munique. Formação básica em direito e pós-graduação pelo Instituto de Estudos Internacionais de Genebra. Chega a ser magistrado em Frankfurt, de 1927 a 1932. Passa a ensinar direito público em Genebra, de 1932 a 1935. Exerce as mesmas funções em Madrid em 1935-1936. Emigra para os Estados Unidos da América em 1937, tornando-se cidadão americano em 1943.  Neste país ensina em Nova Iorque, no Brooklyn College, entre 1937 e 1939, Kansas (1939-1943), e Chicago (1943-1971), voltando a Nova Iorque, a partir de 1968.

Salienta: na medida em que a política é, na sua essência, acção, fica definido, com o mesmo tipo de necessidade, um abismo intransponível, uma tensão permanente, entre a política e uma ciência teórica da política... Uma ciência da política tem um objecto que lhe é existencialmente exterior. Ao submeter a política à análise teórica, a vita contemplativa está a colocar como seu objecto, a vita activa, que é o seu oposto e a sua negação.

Na mesma senda, Nicholas J. Spykman, que vem definir o interesse nacional como uma relação entre o grupo nacional e algo que ele acredita indispensável no tempo e no espaço para a sua determinação em condições existentes adequadas. Constitui um dos imperativos de maior relevância na vida de qualquer Estado, porque traduz o verdadeiro estímulo ao impulsionamento da nação para o futuro.

 

Trata-se de um conjunto de teses que dominou a estratégia de toda a acção política ocidental durante a guerra fria e que restaurou o conceito de national interest.

A escola considera que o direito internacional, apesar de ser um limite ao poder, não é a chave da política internacional, nem o único pilar da ordem internacional, dado que as realidades dos interesses em jogo  impediriam a generalizada observância das regras do direito nas relações entre os Estados. Assim, trata de socorrer-se dos métodos da política internacional, praticando a análise a partir das relações de poder (power politics), o estudo das constantes do comportamento (behavioral methods), naquilo que se consideram as técnicas da ciência política.

Neste sentido, a escola aproxima-se do modelo decisionista  expresso por Carl Schmitt, para quem a essência da soberania está na decisão em caso de excepção, naquela decisão-limite onde a ordem deixa de assentar numa norma. Também os realistas norte-americanos não reparam que esse anormal acaba por tornar-se o normal, dado que a excepção se transforma em regra e o provisório em definitivo, mas assente num definitivamente provisório.

O elemento central das teses de Morgenthau está na respectiva definição de poder (power politics), entendido como uma relação psicológica entre dois pólos, onde, do lado activo, está aquele que o exerce e, do lado passivo, aquele sobre quem o mesmo é exercido. O leit motiv do conceito de interesse definido em termos de poder.

O poder também se distinguiria tanto da mera influência como da força, entendida como violência. Até haveria uma distância entre o poder que se usa e o poder que não se usa, bem como um poder legítimo, o chamado poder moral, e um poder ilegítimo, que qualifica como imoral.

Para o fundador da escola, o mundo, imperfeito como é de um ponto de vista racional, é o resultado de fontes inerentes à natureza humana e que há leis objectivas que têm as suas raízes na natureza humana.

Aliás, quando utilizamos a palavra poder, para traduzir powerpolitics, subscrevemos uma imensa confusão, porque apenas pensamos em Machtpolitik, naquilo que Kant entendia como potentia, com o poder do Estado na sua relação com outros Estados, esquecendo que o mesmo Estado também é res publica, quando tem por liame o interesse que todos têm em viver no estado jurídico, e gens, quando se pensa numa hereditariedade, seja da origem nacional, seja da própria união hereditária, pré-política, como acontecia na Grécia, com a genos a preceder a polis.

O Estado é algo mais do que aqueles que lêem Morgenthau, sem compreenderem a diferença que Weber estabeleceu entre Macht e Herrschaft. O Estado talvez seja ao mesmo tempo comunidade, soberania e nação, isto é, república, para o Estado-Comunidade, principado, para o Estado-Aparelho, e comunidade de gerações, quando se pensa em Nação.

 

Seguindo Denis de Rougemont, é perigosa essa confusão. Porque se se misturam pátria, Estado e nação, ou espiritual, cultural e político, nos limites de uma dada fronteira, chegamos precisamente ao fim que se pretende evitar - o Estado totalitário. Na mesma senda, Wilhelm Röpke vem defender que a pátria pode rimar com o mundo, mas sem simpatizar com aquilo que considera o elemento intermediário, a nação, a pátria pode soar em harmonia com o mundo … o verdadeiro sentimento da pátria exige que não se exclua o maior, nem o menos.