Dentro
da mesma família, saliente-se a linha de um neomarxismo mais cibernético, com
pitadas de realismo anti-realista, expresso pelo mexicano Silviu
Brucan, em The Dialectic of World
Politics, Nova Iorque, The Free Press, 1978, bem como Hayward
Alker, que retoma a teoria dos quatro mundos, em Dialectical
Foundations of Global Disparities, in International
Studies Quarterly, Vol. XXV, nº 1, Março de 1981, pp. 69-98.
Da
mesma forma André Gunder Frank,
em 1962, considera que o mundo deve perspectivar-se como um sistema integrado,
onde o desenvolvimento e o subdesenvolvimento são apenas duas faces da mesma
moeda, onde o que se consegue para os mais ricos é sempre feito à custa dos
mais pobres. As teses, baseadas nos trabalhos de Paul
Baran, foram continuados por outros autores, como Bill
Warren.
Outra
leitura deste tipo de correntes prende-se com certa sociologia histórica do político,
onde, misturando-se o marxismo com certos conceitos weberianos, se faz uma
aproximação ao funcionalismo desenvolvimentista. Para além de Wallerstein,
refiram-se autores como Perry
Anderson, Linhagens do Estado
Absolutista, de 1974, e,
principalmente,
Theda
Skocpol, States and Social
Revolutions de 1979. Todos assumem o return
to the State, sendo bastante importantes no contexto das universidades
anglo-americanas, onde se inserem no chamado neostatist
movement.
Um
terceiro modelo de análise neomarxista é expresso por Robert
W. Cox, Stephen
Gill, Enrico
Augelli e Craig
Murphy, que retomam as teses de Gramsci
sobre a hegemonia e a dependência, dando importância à cultura e às
ideias, não as considerando como simples consequências das forças económicas.
Cox
nem sequer rejeita a herança leninista, considerando, como principal
adversário, o modelo que qualifica como positivista e que tenta identificar com
o demónio liberal e realista, procurando, deste modo, inserir-se na moda pós-moderna.
Na linha das vulgatas de Foucault,
considera que o Estado não passa de um campo
estratégico, onde muitas forças sociais estão em luta, salientando,
contudo, que, na análise das relações internacionais, importa ir além do
velho Estado vestefaliano, e penetrar tanto no nível superior, o macro-regional,
como no nível inferior, o micro-regional, embora saliente que ambos são
limitados pela economia global, a qual não precisaria de uma autoridade
política formal para conseguir os respectivos objectivos.
A
globalização, que se traduziria tanto num complexo transnacional de redes de
produção, como num não regulado sistema de transacções monetárias, não
passaria de uma globalização meramente económica, tendo como consequências
tanto a internacionalização do
Estado, que enfraqueceu o respectivo grau de autonomia, como a emergência de
uma estrutura social global.
Andrew
Linklater, embora tente ir além do realismo e do marxismo, como procura
autoqualificar-se, continua preso ao universo neomarxista, desenvolvendo alguns
aspectos da teoria crítica da Escola de Frankfurt, mas sem atingir a a
dimensão do pensamento de um Habermas,
que acaba por inserir-se na grande corrente neokantiana e na perspectiva
cosmopolita.