Primeira Selecção Bibliográfica

 

Numa primeira aproximação à area de estudo, e fazendo uma restrita selecção bibliográfica, aconselhamos, naturalmente, do caput scholae da nossa pequena casa lusitana, Adriano Moreira, a Teoria das Relações Internacionais, Coimbra, Almedina, 1996,  com uma primeira edição policopiada de 1990, directamente retirada da emoção das aulas no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.

Mas, deste mestre, para além da pioneira Política Internacional, Lisboa, Associação dos Estudantes do ISCSPU, 1968, importa também que se consultem: A Europa em Formação, Lisboa, Sociedade de Geografia de Lisboa, 1977 (dissertação de doutoramento apresentada na Universidade Complutense de Madrid), A Comunidade Internacional em Mudança, Lisboa, 2ISCSP, 1982 (com uma primeira edição em São Paulo, 1976) e Relações entre as Grandes Potências, Lisboa, ISCSP, 1989.

Não apenas pelo simbólico pioneirismo, há também que salientar o pioneirismo da Pontifícia Faculdade de Filosofia de Braga, nos anos quarenta e cinquenta do século XX, destacando-se os jesuítas Paulo Durão Alves, A Comunidade Internacional, 1942 e Lúcio Craveiro da Silva, Comunidade Internacional, Comunidade Europeia e Soberania Nacional, Braga, 1957. Ao esforço deste último se deve, aliás, a primeira licenciatura portuguesa em relações internacionais, na Universidade do Minho, a que imediatamente se seguiu a da Universidade Técnica de Lisboa, sob a inspiração de Adriano Moreira.

Já numa leitura de direito internacional público, é marcante Joaquim da Silva Cunha, Direito Internacional Público. Relações Internacionais. Aspectos Fundamentais do seu Regime Jurídico, Lisboa, ISCSP, 1990.

 Passando para o universo espanhol, destaque para António Truyol y Serra, tanto na sua obra fundadora do tema La Teoría de las Relaciones Internacionales como Sociología. Introduccíon al Estudio de las Relaciones Internacionales, com uma primeira edição de 1957, Madrid, Instituto de Estudios Políticos, 1973, como em La Sociedade Internacional, com uma primeira edição de 1974, Madrid, Alianza Editorial, 1993. Deste mesmo autor, Genèse et Fondements Spirituels de l’Idée d’une Communauté Universelle. De la civitas maxima stoicienne à la civitas gentium moderne, Lisboa, Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, 1958. Mais recentemente, saliente-se Celestino del Arenal, Introduccíon a las Relaciones Internacionales [1984], Madrid, Tecnos, 1990, e a catedrática da Universidade Autónoma de Barcelona, Esther Barbé, Relaciones Internacionales, Madrid, Tecnos, 1995. Já na Argentina, veja-se Carlos Escudé, Realismo Periférico. Editorial Planeta, 1992 e El realismo de los estados débiles. Grupo Editor Latinoamericano. 1995.

No mundo de língua francesa, para além do clássico Raymond Aron, Paix et Guerre entre les Nations, Paris, Calmann-Lévy, 1962, há que assinalar Philippe Braillard, Théorie des Relations Internationales, Paris, PUF, 1977, trad. port., Teoria das Relações Internacionais, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1990;  Marcel Merle, Sociologie des Rélations Internationales, Paris, Dalloz, 1988 (4ª ed.); Bertrand Badie, jurista de formação básica, Agregado em ciência política e professor no IEP de Paris, de La Fin des Teeritoires. Essai sur la Désordre International et sur l'Utilité Sociale du Respect, Paris, Fayard, 1995, bem como o manual que assinou com Guy Hermet, Politique Comparée, Paris, PUF, 1990. 

Outros trabalhos são de referir, como os de Monique Chemillier-Gendreau, Humanité et Souverainités, Essai sur la Fonction du Droit International, Paris, La Découverte, 1995 ; P. F. Gonidec e R. Charvin, Relations Internationales, Paris, Éditions Montchrestien, 1981 ; e Edmond Jouve, Relations Internationales, Paris, Presses Universitaires de France, 1992.

Saliente-se escola de história de relações internacionais da Sorbonne, com Jean-Baptiste Duroselle, em Toute Empire Périra. Une Vision Théorique des Relations Internationales [1981], Paris, Colin, 1992, bem como na obra que fez em conjunto com Pierre Renouvin, Introduction à l'Histoire des Relations Internationales, Paris, Colin, 1991.

No plano do visionarismo globalista, são justamente célebres os quase manifestos teóricos de Edgar Morin, principalmente em Terre-Patrie, Paris, le Seuil, 1997. Com bastante acutilância, acrescentem-se os escritos do guru de Le Monde, Ignacio Romanet, principalmente Géopolitique du Chaos, Paris, Galilée, 1997.

Passando para outros universos latinos, refira-se, em Itália, Fulvio Attinà, em La Politica Internazionale Contemporanea [1983], Milão, Franco Angeli, 1989; e Il Sistema Politico Globale. Introduzione alle Relazioni Internazionali, Bari, Laterza, 1999, bem como Vittorio Emanuel Parsi, em Interesse nazionale e globalizzazione. I regimi democratici nelle trasformazioni del sistema post-westfaliano, Jaca Book, Milano, 1998, e Teorie e metodi nelle relazioni internazionali. La Disciplina e la sua Evoluzione, Bari, Laterza, 2001 (com Ikenberry, G. J.)

A nível da bibliografia anglo-americana, e referindo os mais importantes marcos, veja-se o patriarca da escola realista Hans J. Morgenthau, em Politics Among Nations. The Struggle for Power and Peace [1948], Nova Iorque, Alfred A. Knopf, 1973,  bem como Kenneth Waltz, o iniciador do chamado neo-realismo, em Man, the State and War. A Theoretical Analysis, Nova Iorque, Columbia University Press, 1959 (trad. cast. El Hombre, el Estado y la Guerra, Buenos Aires, Nova, 1970) e Theory of International Politics, Reading, Massachussets, Addison-Wesley, 1979 (trad. cast. Teoría de la Política Internacional, Buenos Aires, GEL, 1988).

Outros devem incluir-se na galeria dos ilustres, como Morton A. Kaplan, System and Process in Inernational Politics, Nova Iorque, John Willey and Sons, 1957, e Robert Kehoane e Joseph Nye, Power and Interdependence. World Politics in Transition, Boston, Little-Brown, 1977 (ver a trad. cast. Poder e Interdependencia. La Política Mundial en Transicíon, Buenos Aires, GEL, 1988) e Transnational Relations and World Politics,

Esquematizando alguma da principal bibliografia posterior a 1989, salientaremos as compilaçãos de James N. Rosenau e Ernst-Otto Czempiel (ed.), Global Changes and Theoretical Approaches to World Politics for the 1990s, Lexington, Lexington Books, 1989, e Governance without Government, Cambridge University Press, 1991 (ver a trad. port. de Sérgio Bath, Governança sem Governo. Ordem e Transformação na Política Mundial, Brasília, Editora da Universidade de Brasília, 2000). Do mesmo Rosenau, Turbulence in World Politics, Princeton, Princeton University Press, 1990.

Na linha das teses de Anthony Giddens, em The Consequences of Modernity, Cambridge, Polity Press, 1990, refira-se o esforço de Martin Shaw, Civil Society and Media in Global Crises, 1996 e The Global State. Ideas and Power in the Unfinished Global Revolution, Cambridge, Cambridge University Press, 2000.

Para uma leitura do radicalismo neoliberal, importa visitar o japonês Kenichi Ohmae, The Borderless World, Londres, Collins, 1990. Numa atitude dita cosmopolita, em oposição aos sucessivos realismos, David Held, Democracy and Global Order, Cambridge, Polity Press, 1995, bem como a edição que coordenou com Anthony McGrew, David Goldblatt e Jonathon Perraton, Global Transformations. Politics, Economics and Culture, Cambridge, Polity Press, 1999.

A nível da bibliografia germânica, refiram-se Ernst-Otto Czempiel, em Weltpolitik im Umbruch, Munique, 1993; Karl Kaiser e  Hans-Peter Schwarz, Die neue Weltpolitik, Bona 1995; Manfred Knapp e Gert Krell, Einführung in die Internationale Politik, Munique 1996; Christiane Lemke, Internationale Beziehungen. Grundkonzepte, Theorien und Problemfelder, Oldenburgo, 2000. Destaque, sobretudo, para o caput da actual Escola de Frankfurt, Jurgen Habermas no seu recente The Postnational Constellation: Political Essays, Cambridge/Mass., MIT Press, 2001, bem como para Otfried Höffe, em Demokratie im Zeitalter der Globalisierung, Munique, Beck, 1999.

Importantes são outros elementos como a publicação da Commission on Global Governance, Our Global Neighborhood. The Report of the Commission on Global Governance, Oxford, Oxford University Press, 1995.  No plano da história, Paul Kennedy, The Rise and Fall of the Great Powers, Nova Iorque, Random House Publishers, 1987 [trad. port. Ascensão e Queda das Grandes Potências, 2 vols., Mem Martins, Publicações Europa-América, 1990]. Destaque, finalmente, para Alexander King e Bertrand Schneider, The First Global Revolution. A Report by the Council of the Club of Rome [1ª ed., 1991], Londres, Simon & Schuster, 1992.

 

Finalmente, refiram-se algumas incursões pouco sistémicas do autor destas lições sobre as regiões adjacentes à matéria das relações internacionais, em «Sobre a Estratégia Cultural Portuguesa. Elementos para uma Reflexão», separata do Boletim da Academia Internacional da Cultura Portuguesa, n.º 18, pp. 119-235, Lisboa, 1991, O Imperial-Comunismo. Ensaio sobre Alguns dos Meandros de um Paraíso que não houve em Dois Grandes Estados Continentais, Lisboa, Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1993, O Homem Português e a Procura da República Universal, Tudo pela Europa, Nada Contra a Nação, Lisboa, ISCSP, 1999, A Comunidade Mundial, o Projecto Lusíada e a Crise do Político, Lisboa, ISCSP, 2000, Por uma Europa Radicalmente Europeia, Porto, Intervenção Radical, 2000, bem como alguns capítulos da dissertação de doutoramento, Ensaio sobre o Problema do Estado [ed. orig. 1990] (dissertação de doutoramento), tomo I - A Procura da República Maior; tomo II - Da Razão de Estado ao Estado Razão, Lisboa, Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1991., e dos Princípios de Ciência Política. Introdução à Teoria Política, Lisboa, ISCSP, 1996, parcelas que servem de ponto de partida para esta primeira tentativa de comentário conjunto sobre o tema.