Não tarda que chegue a era da Realpolitik, expressão que começou a utilizar-se para a qualificação da política de Otto von Bismarck (1815-1898), sendo até sinónima, na altura, de Interessenpolitik. Uma visão cínica que não admite o altruísmo nem a justiça, proclamando que não há moral em matérias de relações internacionais, dado que cada Estado apenas prossegue os seus interesses.

Contudo, o termo foi inventado por Ludwig von Rochau em 1853, visando qualificar criticamente a atitude dos liberais alemães nos anos revolucionários de 1848-1849.

Na acepção bismarckiana, o realismo político pretende assumir-se contra o sentimentalismo e o que então se menosprezava como romantismo. O próprio chanceler, em discurso proferido em Dezembro de 1850, chegou a proclamar que a única base sã de um grande Estado é o egoísmo, não o romantismo. Neste sentido, considerava que os grandes Estados não podiam obedecer ao princípio do pacta sunt servanda, base do direito internacional público. Desprezava também os sentimentos nacionais, considerando que os Estados eram superiores às nações.

 

Otto Eduard Leopold von Bismarck  (1815-1898) Conde e depois príncipe de Bismarck. Duque de Lauenburg. Em 1862 é Ministro-Presidente da Prússia. Promove a fundação da Confederação da Alemanha do Norte, em 1 de Junho de 1867, e, depois, a instauração do deutsches Reich, em 18 de Janeiro de 1871. Bismarck, um oficial do exército, fora delegado à dieta de Francoforte, entre 1851 e 1858, exercendo, depois, funções de embaixador em Moscovo, Viena e Paris, estava consciente de que só um acontecimento bélico, aliado a uma inteligente jogada diplomática, poderia acelerar o processo da unidade alemã. Conforme as suas próprias palavras, a posição da Prússia na Alemanha será decidida, não pelo liberalismo, mas pelo poder (...) as grandes questões do momento já não são decididas através de discursos e decisões por maioria — esse foi o grande engano de 1848-1849 —, mas pelo sangue e pelo ferro. É que a política não é, em si mesma, uma ciência lógica e exacta, mas sim a capacidade de decidir, perante o efémero, pela situação que seja menos prejudicial e mais oportuna . Depois de vencer a Dinamarca, na Guerra dos Ducados de 1864, e de obter, em Outubro de 1865, a neutralidade de Napoleão III, logo trata de fazer uma aliança com a Itália, ficando em condições de enfrentar a Áustria, o que ocorre em 1866, onde a Prússia consegue vencer e convencer, depois da Batalha de Sadowa, de 3 de Julho de 1866, que leva à Paz de Praga de 23 de Agosto, onde se estabelece o afastamento da Áustria dos negócios alemães, com a extinção da Confederação Germânica. A partir de então, Bismarck já governa um vasto território que faz fronteira com a Rússia e a França. O pretexto para a conclusão do edifício da unificação vai ser dado pela França que, exercendo grande influência nos Estados da Alemanha do Sul, vai declarar guerra à Prússia em 19 de Julho de 1870, quando um Hohenzollern apresentou a sua candidatura ao trono espanhol. Depois do exército prussiano ter vencido os franceses em Sedan, no dia 1 de Setembro de 1870, os Estados alemães reticentes, como a Saxónia, o Baden, o Vurtemberga e a Baviera, vão aderindo gradualmente ao projecto de unificação e, em 10 de Dezembro de 1870, já a Dieta alemã decide que a Confederação passaria a Império