Só no segundo pós-guerra, a partir de 1945, é que se tornou dominante o modelo do novo realismo, expresso por Hans J. Morgenthau, apenas quebrado pela emergência da sociologia compreensiva, de matriz weberiana e de estilo francês, conjugada pelas obras de Raymond Aron, o inspirador de uma corrente de sociologia histórica, expressão algo equívoca, principalmente quando, mais recentemente, passou a ser usada por certo neomarxismo anglo-americano, defensor de um return to the state.

Considerando os idealistas como utópicos e anticientíficos, os novos realistas, marcados por um compreensível pessimismo, desconfiam da possibilidade do progresso e quase caem na tentação de uma visão determinista do processo histórico, contra o racionalismo radical da concepção do mundo e da vida do progressismo idealista. Reconhecendo a existência de diferentes códigos de conduta para os indivíduos e para os Estados, salientam que estes obedecem àquilo que os weberianos definem como ética da responsabilidade, de acordo com a tradição da Razão de Estado.

Aceitando que os Estados vivem em competição permanente, repudiam a visão idealista, para quem haveria uma harmonia natural dos interesses dos Estados, que seriam mais complementares do que antagónicos.

Porque onde os realistas consideram a política como a arte do possível, marcada pela ideia de luta pela conquista e manutenção do poder, já os idealistas insistem numa ideia diversa, na política como a arte do bom governo. Porque se os primeiros são fatalistas, vendo o poder político como mero resultado da diferenciação entre governantes e governados, numa espécie de lei inevitável da natureza, já os segundos acreditam que o homem tem capacidade para aprender, para mudar-se a si mesmo e para controlar a respectiva conduta.

 Vivendo nesta atracção de contrários, compreende-se que os realistas alcunhem os idealistas como utópicos e anticientíficos, enquanto os idealistas tratam de alcunhar os adversários como reaccionários, cínicos e pessimistas. Contudo, ambos têm em comum o visionamento do mundo da política, conforme as teorias do estado de natureza, onde uns mergulham em Hobbes e outros em Rousseau. Por outras palavras, os irmãos-inimigos têm, ambos, a mesma inspiração clássica, continuando velhas disputas em torno do paradigma tradicional, como também o demonstrou John Herz, cujas linhas analíticas, aqui, parafraseámos.