Com a publicação de Paix et Guerre entre les Nations, em 1962, Raymond Aron, acompanhando a própria emergência do gaullismo, de que era um dos principais sustentáculos intelectuais, tentou construir uma alternativa ao modelo realista. Reconhecendo que o sistema inter-estadual (interétatique) apenas era um dos aspectos da sociedade internacional, não deixa de o considerar como o aspecto essencial da sociedade mundial. Com efeito, esta não se reduz ao domínio político do inter-estadual e da organização inter-estadual, estadualmente constituída, dada a existência de inúmeros fenómenos transnacionais e supranacionais, de ordem cultural e de ordem económica.

Assim, aceita o essencial da herança realista, até porque os conceitos de National State, de poder nacional e de interesse nacional, assumidos por Morgenthau e pelos seus discípulos quase coincidem com os modelos mentais do État-Nation dos franceses.

A oposição de Aron não vai ser feita contra o realismo de Morgenthau, mas contra a tradição germânica do Machtstaat e da consequente estratégia ofensiva da Realpolitik. Do mesmo modo, não pode alinhar no idealismo pacifista dos que se opunham ao Estado, em nome da humanidade, ofendendo a velha tradição daquele republicanismo francês que tanto preza o Estado, como se considera a nation par excelence.

A sua terceira via, contudo, não se ficou pelo reconhecimento da circunstância de, nas relações entre os Estados, continuar em vigor o regime hobbesiano de estado de natureza, dado faltar uma instância supra-estadual que detivesse o monopólio da violência legítima.  Assim, reconhece que a matéria das relações internacionais é naturalmente um domínio onde tradicionalmente se movimentam os diplomatas e os estrategas, esses que, vivendo à sombra da guerra ou do risco de guerra, são marcados pela alternativa da guerra e da paz.

Só que a chegada do nuclear gerou tipos intermediários, entre a tal guerra e a tal paz, como a guerra fria, a guerra improvável com paz impossível, a paz belicosa e a guerra revolucionária, essas simbioses entre a guerra e a paz, utilizando novos instrumentos como aquilo que passou a chamar-se dissuasão.