55 - Balanço da actual ciência política.

 

Depois de mais de cem anos de esforços, a ciência política actual é marcada por um pluralismo de perspectivas, técnicas e métodos, em que há uma enorme variedade de estilos de tratamento do mesmo objecto material. Apresentando-se desta forma multidimen­sional, podemos dizer que a disciplina vive em autêntico regime de diáspora.

Um primeiro esforço de sistematização em torno do estabelecimento de fronteiras do objecto material da ciência política foi feito num relatório da UNESCO, La Science Politique Contemporaine. Contribution à la Recherche, la Métode et l'Enseignement, publicado em 1950, no qual se estabeleciam quatro grandes áreas para a ciência política: teoria política; instituições políticas; partidos, grupos e opinião pública; e relações internacionais.

 

Teoria Política

Teoria política.

História das ideias políticas.

Instituições Políticas

Constituição, governo central, governo regional e local.

Administração pública.

Funções económicas e sociais do governo.

Instituições políticas comparadas.

Partidos, grupos e opinião pública

Partidos políticos.

Grupos e associações.

Participação do cidadão no governo e na administração.

Opinião pública.

 Relações Internacionais

Política Internacional.

Organização e administração internacionais.

Direito Internacional.

 

Isto é, cada uma destas grandes áreas demonstrava que a ciência política não possuía um objecto material exclusivo. Na primeira, havia uma coincidência com a filosofia política; na segunda, com o direito; na terceira, com a sociologia; na quarta, com aquilo que haveria de autonomizar-se como teoria das relações internacionais.

A ciência política surgiria assim como ciência sintética, apenas autonomizável por um objecto formal próprio, isto é, pela existência de uma metodologia privativa. Deste modo, correria o risco, no caso de não ascender a uma teorização própria, de transformar-se em mero híbrido interdisciplinar, em mero conjunto de ciências políticas.

Aliás, o political scientist, o politologue contemporâneo, não é nem um filosófo, nem um jurista, nem um historiador, mas tudo isso ao mesmo tempo, com qualquer coisa a mais, para utilizarmos palavras de Marcel Prélot, quando considera Alexis de Tocqueville o primeiro politólogo contemporâneo [1]. De facto, a ciência política, nascendo do conúbio entre a história, a filosofia, o direito e a sociologia, para poder assumir a respectiva autonomia tem de continuar a viver esta intercomunicação, não podendo ceder a qualquer espécie de casamento ou concubinato com um desses parceiros, mesmo correndo o risco da poligamia.

Estava-se já longe do modelo inicial de John W. Burgess que partia de quatro ideias abstractas (nação, Estado, liberdade e governo), tratando-as em termos de definições e dever-ser, sem qualquer análise das circunstâncias, nomeadamente das realidades norte-americanas. Aliás, são abundantes as citações de Bluntschli, Von Mohl e Laband, diluindo-se as matérias políticas num sistema conceitual típico da especulação germânica do período:

 

A Nação

A Ideia de Nação.

A presente distribuição das nações e das nacionalidades.

O carácter nacional político.

A relação destes factos fundamentais com a prática política.

O Estado

A ideia e a concepção de Estado.

As origens do Estado.

As formas do Estado.

Os fins do Estado.

Liberdade

Liberdade política.

A ideia, a fonte, o conteúdo e a garantia da liberdade individual.

Governo

As formas de governo.

Democracia na teoria.

Democracia na história.

 

No auge do behaviorismo, em meados da década de sessenta, se consultássemos um estudo de Karl Deutsch sobre A Design for a Political Science [1966], verificaríamos que a ciência política era dominada pelo estudo de dados provenientes da análise das elites, da opinião pública, do comportamento eleitoral e das estatíticas sociais.

Passando para a década de setenta, os ensaios de reorganização das matérias de sociologia da política e de sociologia política, em que a ciência política aparece quase como sinónimo da primeira, marcantes nos manuais de Maurice Duverger e Roger-Gérard Schwartzenberg, tentam uma teoria geral do político liberta do normativismo e do filosofismo.

O jurista Duverger tenta um preciosismo sociologista, procurando abordar o político através da tríade conjuntos sociais, estruturas sociais, sistemas sociais:

 

Introdução

A abordagem sociológica.

Sociologia e política.

I. Conjuntos sociais

 

As colectividades

Sociedades globais e grupos.

Os territórios.

As culturas

O conceito de cultura.

A aculturação.

II. Estruturas sociais

 

Hierarquias e poderes

Poder e autoridade.

Classes sociais.

Organizações e funções

 

III. Sistemas sociais

 

Os modelos dos sistemas

Os modelos formais.

Os modelos teóricos.

Os sistemas políticos

Os sistemas políticos das sociedades sem escrita.

Os sistemas políticos das sociedades históricas.

Os sistemas da sociedades em desenvolvimento.

 

Roger-Gérard Schwartzenberg adopta uma posição mais abrangente do que a constante do manual de Duverger. Numa primeira parte inclui uma desenvolvida referência a questões teóricas, onde enumera tanto os variados marxismos, como as linhas gerais dos modelos funcionalistas e sistemistas aplicados à ciência política, com particular destaque para as obras de Talcott Parsons, David Easton e Karl Deutsch. Numa segunda parte, de acordo com os modelos sistémicos, faz uma viagem pelo campo da política comparada, de acordo com os esquemas das escolas desenvolvimentistas. Na terceira e última parte, realiza a abordagem interna do sistema político, através da decomposição dos partidos políticos, dos grupos de pressão e dos grupos de interesse.

Apesar do permanente cotejo de tais matérias com as realidades francesas e da constante invocação de anteriores modelos sociológicos da mesma matriz, principalmente no tocante ao conceito de sociedade global, o manual em causa constitui uma espécie de digesto da politologia norte-americana da época, marcando um ponto alto de tal recepcionismo.

De qualquer maneira, surgia uma alternativa ao modelo de ciência política do manual de Georges Burdeau que, no entanto, não foi suficiente para apagar esta última tradição, bem mais abrangente. Aliás, só em 1985, com a edição do manual coordenado por Madeleine Grawitz e Jean Leca é que assenta esta agitação, atingindo-se uma conciliação entre a tradição francesa e as importações do funcionalismo e do sistemismo norte-americanos:

 

Sobre a sociologia política

História da sociologia política.

 

A sociologia política hoje.

I. Teoria política

 

1. O Estado e a Sociedade

Marx e Engels.

 

O marxismo soviético.

 

O marxismo crítico.

2. O sistema político

O modelo de Parsons.

 

O modelo de Easton.

3. As funções políticas

Função e funcionalismo.

 

O funcionalismo e a ciência política.

4. A comunicação política

A cibernética.

 

O modelo de Deutsch.

 

A função de comunicação política.

II. Sistemas Políticos

 

1. A problemática do desenvolvimento

 

2. Subdesenvolvimento e sobre-poder

 

3. Super-desenvolvimento e sub-poder

 

III. Organizações Políticas

 

1. Os partidos políticos

O fenómeno partidário (noção, origem, funções).

Os tipos de partidos.

Os tipos de sistemas de partidos.

2. Os grupos de pressão

Noção, tipos e funções.

A acção dos grupos de pressão.

Os grupos e a estrutura do poder.

 

O modelo francês de Duverger e Schwartzenberg tentava aproximar-se do que era usual nas sociologias políticas anglo-saxónicas. Veja-se a Political Sociology de Robert E. Dowse e John A. Hughes, de 1972, em que se abordavam os temas seguintes: teorias do processo político (cultura, o indivíduo e o grupo, teorias dos sistemas); desenvolvimento das estruturas do poder nas sociedades pré-industriais; estruturas do poder na sociedade industrial (os modelos pluralista e elitista); a socialização política e a psicologia social da política; a cultura política; ideologia política e opinião pública; participação política; as eleições e o processo político; partidos; grupos de pressão; violência política.

Dentro da mesma família insere-se o Dizionario di Politica [1976], dirigido por Norberto Bobbio, Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquino, traduzido em português pela Editora da Universidade de Brasília [2].

Também entre nós, o Professor António Teixeira Fernandes, responsável pela criação de uma licenciatura em Sociologia na Faculdade de Letras do Porto, em Os Fenómenos Políticos. Sociologia do Poder [1988], reflectia as grandes linhas desta sociologia política, embora com importantes correcções no sentido da terminologia weberiana e da análise simbólica, mantendo um lastro de importantes preocupações epistemológicas. Nessa obra, fazia a seguinte divisão de matérias: o poder e os fenómenos políticos; o poder político segundo a concepção da sociedade; o exercício do poder político; a legitimidade do poder político; a concentração do poder político; autoritarismo, totalitarismo e descentralização.

O manual de Ciência Política do Professor Adriano Moreira, editado pela primeira vez em 1979, também é marcado pelo ritmo da ciência política europeia dos finais da década de setenta. Contudo, Adriano Moreira adopta uma posição diversa da assumida por Maurice Duverger e Norberto Bobbio, dado que o manual editado pela Bertrand não aparece como um desses enxertos que visam uma serôdia adaptação aos ventos da história, principalmente face a um pensée 68.

Com efeito, Adriano Moreira, em vez de apostar numa ancoragem da ciência política ao sociologismo, continua a senda aberta pela Política Ultramarina de 1956, afinando a adaptação ao internacionalismo e mantendo o ritmo de uma criação conceitual própria que não renega a lei da complexidade crescente e ensaia uma teoria da tridimensionalidade do poder, .

Além disso, em vez de um deslumbramento face a certas perspectivas marxistas, Adriano Moreira reforça uma radicação weberiana.

A partir de então, a ciência política em Portugal nunca poderá ser feita sem o recurso aos conceitos inovadores estabelecidos por Adriano Moreira, nomeadamente a distinção entre forma, sede e ideologia, ou reconhecimento da existência de uma falta de autenticidade do Poder, isto é, a diferença ou falta de coincidência frequentes entre o modelo normativo de conduta que a lei proclama, e o modelo de conduta que o Poder adopta [3], e de uma polivalência do mesmo, a capacidade que o aparelho de poder tem de servir ideologias diferentes sem alterar a pirâmide do Poder [4].

Há, finalmente, uma certa contenção na análise da realidade política portuguesa, tanto do período posterior a 1974 como do regime da Constituição de 1976, pouco habitual numa obra preparada no exílio, talvez para evitar aquela tentação da nossa habitual literatura de justificação, para utilizarmos outro dos conceitos habituais no Professor Adriano Moreira. Mas esta atitude não significou qualquer espécie de abtencionismo, dado que, em obras de intervenção cívica, não se eximiu de proferir cruas e irónicas diatribes contra os erros do sistema vigente, com destaque para O Novíssimo Principe e para Saneamento Nacional.

 

 

O esquema do manual de Ciência Política, do Professor Adriano Moreira, é o seguinte:

 

I. Introdução

Pressupostos.

Matrizes Teóricas.

II. Os Métodos da Ciência Política

Objecto (normas, factos e valores; definição do objecto; pluralidade de formulações; enumeração pragmática dos temas).

Perspectivas básicas.

Perspectiva funcionalista (noção geral, antecedentes, Merton).

Perspectiva sistémica (Parsons, Easton e Deutsch).

Recursos da Investigação.

III. A Forma do Poder

A Ideia de Constituição.

Classificação formal (classificação clássica; Estados monistas e pluralistas; classificações do desenvolvimento político; tipologia de Max Weber).

IV. A Sede do Poder

Grupos e Partidos.

Domínio da sociedade civil (mobilização da comunidade política; poder de sufrágio; resistência passiva; terror; força sindical; substituição de valores).

A luta escalonada (controle do aparelho militar; controle dos aparelhos ideológicos; controle do legislativo; controle do judiciário).

A luta armada.

A violência do poder (o mito da estrita legalidade; a clandestinidade do Estado).

A estrutura do poder (bem comum e teoria dos conflitos; teoria das eleites e elitismo pluralista; tese institucionalista; tese marxista).

V. As Ideologias ou a Imagem do Poder

Ideias e ideologias.

Os cristãos e a política.

Os marxistas e a política.

Os Direitos do Homem.

Autodeterminação.

Pluralismo.

Neutralismo.

O legado democrático.

A nova sociedade internacional.

O fim das ideologias.

 

Já na década de oitenta, atingia-se uma certa estabilidade quanto à determinação dos campos de especialidade da disciplina. Assim, a American Political Science Association, em 1983, publicava, sob a direcção de Ada W. Finifter, Political Science. The State of the Discipline, em que se enumeravam os seguintes domínios:

- Os objectivos da disciplina de ciência política e a teoria política;

- Metodologia política;

- Processo político norte-americano (partidos, assembleias, poder judicial, políticas públicas e federalismo);

- Estudos comparativos;

- Comportamentos micropolíticos (voto, opinião pública, etc.);

- Política internacional.

 

Quase na mesma altura, em 1985, a ciência política francesa, ultrapassada a fase das grandes oeuvres de autor, via nascer o Traité de Science Politique, dirigido por Madeleine Grawitz e Jean Leca, dominado pelos professores da Universidade de Paris I e pelos investigadores da Fondation Nationale des Sciences Politiques, que constituía a primeira obra colectiva em língua francesa consagrada à exposição sistemática dos principais domínios e problemas da ciência política.

O Traité de Science Politique de Madeleine Grawitz e Jean Leca obedece à seguinte divisão:

 

I. Ciência Política, Ciência Social, Ordem Política

 

1. A ciência política como ciência social

 

2. A ordem política

 

II. Os Regimes Políticos Contemporâneos

 

1. Tipos de regimes

A democracia.

O totalitarismo.

O autoritarismo.

2. Continuidade e rupturas

As instituições.

Mudança política e transformação dos regimes.

As rupturas revolucionárias.

III. A Acção Política

 

1. Psicologia e política

 

2. Ciência política e psicanálise

 

3. A socialização política

 

4. As culturas políticas

 

5. Participação e comportamento político

 

6. Os grupos políticos e o seu ambiente

 

7. Interacção dos grupos políticos

 

8. Comunicação e acção política

 

9. Elites e líderes

 

10. A acção do Estado, diferenciação e desdiferenciação

 

IV. As Políticas Públicas

 

1. A análise das políticas públicas

 

2. As políticas institucionais

 

3. As políticas industriais e económicas

 

4. As políticas agrícolas

 

5. As políticas da qualidade de vida

 

6. As políticas sociais e sanitárias

 

7. As políticas da formação

 

8. As políticas da cultura

 

9. As políticas das autoridades locais

 

10. A política externa

 

 

Por outras palavras, a partir de 1985, a ciência política francesa adquiriu um estatuto de autonomia perante outros saberes que também versam sobre as coisas políticas e pôde radicar-se na tradição francesa, superando a anterior dependência conceitual face à politologia norte-americana. Mas nem por isso deixaram de desenvolver-se campos autónomos da ciência política, como os da sociologia política e da filosofia política, com modelos próprios impostos pelos curricula universitários.

Logo em 1986, surgia outra fundamental obra colectiva da politologia francesa, o Dictionnaire des Oeuvres Politiques, dirigido por François Châtelet, Olivier Duhamel e Evelyne Pisier-Kouchner [5]. Consagra-se uma certa forma de imaginação criadora, marcada por um vocabulário liberto dos modelos formais e da rigidez compendiária, dependente de uma qualquer Grundnorm conceitual, surgindo uma alternativa à dominância anglo-saxónica na zona da political theory.

Emergiram também importantes dicionários sintéticos sobre a ciência política e o pensamento político, como os de David Robertson [1985], Vernon Bodganor [1981 e 1987], Roger Scrutton [1982], uma série que, em França, culmina com a obra de Bertrand Badie, Guy Hermet, Pierre Birnbaum e Philippe Braud [1994].

No segundo relatório da APSA sobre o estado da disciplina, também coordenado por Ada W. Finifter, The State of the Discipline II [1992], escolhem-se quatro grandes áreas de estudo da ciência política: teoria e método; os processos políticos e o comportamento político individual; instituições políticas do Estado; as nações e as suas relações:

 

Teoria e Método

O estado dos grandes livros em ciência política.

 

A teoria política na década de oitenta.

 

Os desafios feministas à ciência política.

 

A teoria formal da rational choice.

 

O método comparativo.

 

O estado da metodologia política quantitativa.

Processos políticos e comportamento político individual

Partidos políticos comparados. Investigação e teoria.

 

O acto de votar.

 

Os grupos minoritários.

 

Cidadãos, contextos e políticas.

 

A comunicação política.

Instituições políticas do Estado

Poder legislativo.

 

Direito público e poder judicial.

 

Poder executivo.

 

Administração pública.

As nações e as suas relações

Política comparada.

 

Economia política global.

 

Conflito político, guerra e paz.

 

Isto é, quase cem anos depois do nascimento da disciplina autónoma de ciência política no universo norte-americano, alguns dos temas e dos conceitos que o behaviorismo parecia ter abandonado voltam a marcar o ritmo da politologia. As palavras Estado e Nação tornam-se nucleares, a ideia de economia política regressa, a separação de campos entre a micropolítica e a macropolítica ganha contornos.

Com efeito, o reducionismo comportamentalista, restringindo o conceito de poder ao poder em geral e ao jogo de soma zero parece superado, embora não esteja esquecido, dado que alguns aspectos dessa herança continuam a ser marcantes, contribuindo para que a ciência política não navegue à bolina, conforme o sopro de normativismos filosofantes ou juridicistas.

Utilizando marcos portugueses, também diremos que quarenta anos depois da publicação da Política Ultramarina, cerca de três décadas volvidas após a publicação de Ideologias Políticas e quase vinte anos depois de Ciência Política, nesta era posterior ao ano 1989, o processo de complexificação da disciplina de ciência política foi, entretanto, identificado, transparecendo no modelo organizatório de matérias constante das principais associações nacionais e internacionais de ciência política. Com efeito, se passarmos para as actuais divisões académicas das escolas norte-americanas de political science, utilizadas para efeitos administrativos e de desenvolvimento de carreiras, encontraremos as seguintes especialidades (general fields) dentro da ciência política:

1 - Estudo dos órgãos centrais do aparelho de poder interno (aquilo que os norte-americanos chamam government and politics);

2 - Política comparada;

3 - Política internacional;

4 - Metodologia;

5 - Teoria política;

6 - Administração pública e comportamento organizacional (public administration and organizational behavior);

7 - Direito público;

8 - Políticas públicas (public policy).

Isto é, mistura-se a herança behaviorista com a intensidade do estudo da teoria política, sendo a primeira marcante no estudo do processo político e do comportamento político dos indivíduos e dos grupos, com importantes inovações no domínio dos métodos quantitativos, aplicados aos sistema dos partidos, aos processo de votação e às pesquisas no domínio da opinião pública e da comunicação política. De igual modo, a perspectiva institucionalista permanece na análise dos organismos estaduais, parlamentares, governamentais e judiciais, bem como no domínio da administração pública, central e local. Finalmente, não se menospreza a abordagem politológica das relações internacionais, principalmente no domínio da política comparada, da segurança, da integração internacional e do novo mundo da economia política global e da geofinança [6].

 

Idênticas são as divisões estabelecidas pelos abstracts da International Political Science Association:

1 - Método e teoria da ciência política.

2 - Pensadores e ideias.

3 - Governo e instituições administrativas.

4 - Processo político:

          - Opinião pública;

          - Atitudes políticas;

          - Partidos políticos;

          - Forças políticas;

          - Grupos;

          - Eleições.

5 - Política internacional.

6 - Estudos de caso, nacionais e por áreas.

A dispersão atinge o seu máximo nas próprias secções organizadas da American Political Science Association:

- Federalism and intergovernmental relations (sob a invocação do federalismo e das relações intergovernamentais, estudam-se as matérias relacionadas com aquilo que entre nós se abrange pela temática da administração regional);

- Law and courts (estuda-se a problemática do poder judicial e dos processos, numa perspectiva politológica);

- Legislative behavior (nesta secção incluem-se os estudos sobre a problemática da função legislativa, desde os processos legislativos a questões relacionadas com a representação política);

- Public policy (abrangem-se as mais variadas perspectivas sobre a análise das políticas públicas, v.g. políticas da segurança social, da saúde ou da assistência médica, debatendo-se particularmente os temas do Welfare State);

- Political organizations and parties (estudo dos partidos e das organizações políticas);

- Public administration (estudo da administração pública);

- Conflict processes (abrange tanto os conflitos intra-estaduais como interestaduais);

- Representation and electoral systems (estuda a questão dos sistemas eleitorais e a representação política);

- Presidency research (pesquisam-se as temáticas do poder executivo);

- Political methodology (inclui-se nesta área o estudos dos modelos empíricos de análise);

- Religion and politics (estuda as relações entre a religião e a política);

- Politics and life sciences (abrange toda a área da biopolítica);

- Urban politics (estuda a política do urbanismo, bem como o processo de administração das cidades);

- Applied political science (organiza colóquios para os cientistas políticos que trabalham fora da área universitária );

- Science, technology and environmental politics (estuda a questão política da investigação científica, da tecnologia e da política do ambiente);

- Women and politics (estudam-se as relações entre a condição feminina e o exercício da actividade política);

- Foundations of political theory (na área da teoria política, são habituais três áreas de actividade: pensamento político e filosofia - perspectivas históricas; teoria política normativa; teoria política formal);

- Computers and multimedia (dedica-se especialmente às novas tecnologias da informação);

- International security and arms control (a problemática da segurança internacional e do controlo de armamentos e tratada autonomamente, analisando-se o s problemas políticos que estão na base dos conflitos e a influência neles das ideologias e das concepções de Estado);

- Comparative politics (é a secção tradicional da política comparada, onde se continuam a analisar as questões do desenvolvimento político, cultural e económico);

- Politics and society in Western Europe (dentro da política comparada, há grupos especializados em matérias europeias, nomeadamente na análise da problemática da integração europeia);

- State politics and policy (estuda as políticas estaduais);

- Political communication (estuda a comunicação política, nomeadamente o papel dos meios de comunicação social);

- Politics and history (estudam-se as relações entre a história e a política);

- Political economy (analisam-se as consequências políticas da economia; por exemplo, os debates da rational choice, as teorias comerciais, os modelos industriais, a influência dos grupos económicos, a intervenção do aparelho de poder);

- Transformational politics (estuda o processo das transformações políticas, tanto a nível dos conceitos e das ideologias, como também no tocantes aos próprios movimentos sociais);

- New Political Science (estuda os possíveis novos campos de actividade da política, v.g. a questão ecológica, as novas formas de participação política, a privatização, a questão cultural);

- Political psychology (estuda a relação entre a psicologia e a política, desenvolvendo principalmente a matéria das atitudes políticas);

- Experiential education (estuda as relações entre o processo educativo e a política);

- Politics and literature (estuda a relação entre a literatura e a política);

- Domestic sources of foreign policy (estuda a relação entre a actividade política interna e a política externa, v.g. influência da opinião pública na formação da política externa; efeitos das eleições na formação da política externa; estudo dos grupos de pressão nessa área);

- Elections, public opinion and voting behavior (nesta secção abrangem-se os estudos sobre matéria eleitoral, campanhas e estruturas de votação).

Na mesma linha empírica, inserem-se as secções organizadas na associação britânica, Political Studies Association of United Kingdom:

- Alternative Electoral Systems [7];

- American Politics [8];

- Art, Literature and Politics [9];

- British Territorial Politics [10];

- Comparative European Politics [11];

- Comparative Political Economy [12];

- Computer Uses [13];

- Contemporary State Theory [14];

- Cultural Policy and Politics [15];

- Diplomacy [16];

- Elections, Public Opinion and Political Parties [17];

- Environmental Politics [18];

- Ethnic Minority Affairs [19];

- European Community Politics and Policy Analysis [20];

- Federalism [21];

- Greek Political Thought [22];

- Hegel Society of Great Britain [23];

- Irish Studies Group [24];

- Law and Politics [25];

- Liberal Political Theory [26];

- Marxism [27];

- Political Science [28];

- Politics and Religion [29];

- Political and Society in Mediterranean Europe [30];

- Politics of Health [31];

- Politics of Law and Order [32];

- Politics of South Asia [33];

- Post-Communist Politics [34];

- Post-Structuralism and Radical Politics [35];

- Public Administration [36];

- Public-Private Sector Relations [37];

- Race and Politics [38];

- Rational Choice Politics [39];

- Scandinavian Politics [40];

- Security and Intelligence [41];

- Teaching and Learning Politics [42];

- United Kingdom Politics [43];

- Urban Politics [44];

- Women and Politics [45].

 

Do mesmo modo, o European Consortium for Political Research inclui os seguintes grupos organizados:

- Partidos políticos.

- União Europeia.

- Computadores.

- Política do Terceiro Mundo.

- Verdes.

- Representação de interesses.

- Política da Europa do Sudoeste.

- Rational choice

- Teoria política.

- Campanhas políticas e técnicas de comunicação.

- Política latino-americana.

- Relações internacionais.

- Governos locais.

- Regionalismo.

- Mulheres e política.

Saliente-se que o mesmo ECPR é dominado por universitários ingleses e por outros professores de ciência política formados nos Estados Unidos da América, procurando adaptar-se ao ritmo da moda dita pós-moderna [46].

 

Vejamos agora os vários research committes da International Political Science Association, fundada em 1949, actualmente presidida por Jean Leca e que tem como primeiro vice-presidente Theodore J. Lowi [47]:

- A análise terminológica e os conceitos [48];

- As elites políticas [49];

- A unificação europeia [50];

- As burocracias públicas das sociedades em vias de desenvolvimento [51];

- Estudos comparados da administração e da política municipais [52];

- Sociologia política [53];

- Mulheres, políticas e países em vias de desenvolvimento [54];

- Especialistas do poder legislativo [55];

- Sistemas jurídicos comparados [56];

- Estudos de políticas globais [57];

- Ciência e política [58];

- Biologia e política [59];

- Democratização numa perspectiva comparada [60];

- As etnias e a política [61];

- Geografia política [62];

- Pluralismo sociopolítico [63];

- A nova ordem económica internacional [64];

- Estudos políticos sobre a Ásia e o Pacífico [65];

- Os sexos e a política [66];

- O dinheiro e a corrupção política [67];

- Socialização e educação política [68];

- A comunicação política [69];

- O apoio político e a alienação [70];

- A sociedade e as forças armadas [71];

- Os direitos da pessoa [72];

- A estrutura e a organização do governo [73];

- A federação e o federalismo: análise comparativa [74];

- Psicologia política [75];

- A opinião pública comparada [76];

- A filosofia política [77];

- Análise das políticas públicas [78];

- O estudo da ciência política como disciplina [79];

- A representação comparativa e os sistemas eleitorais [80];

- A tecnologia e o desenvolvimento [81];

- O poder político [82];

- Repensar o desenvolvimento político [83];

- Vida política e empresas [84].

 

Entre os grupos de estudo pertencentes à mesma International Political Science Association, destaque para os seguintes:

- O Estado-Providência e os países em vias de desenvolvimento [85];

- Empresas públicas e privatização [86];

- Novas ordens mundiais? [87];

- Política comparada em matéria de saúde [88];

- Religião e política [89];

- Governo militar e democratização no terceiro mundo [90];

- A política internacional: estudos quantitativos [91];

- Mudança global do ambiente [92];

- Relações entre o global e o local [93];

- Cultura administrativa [94];

- Socialismo, capitalismo e democracia [95].

 

 

56 - A macropolítica.

 

O primeiro campo de estudo da ciência política continua a ser a macropolítica, o fenómeno político superior, bem como o respectivo reflexo no Estado-Aparelho de poder, aquilo que os anglo-saxónicos qualificam como government, isto é, o conjunto das instituições públicas.

Fiéis aos pais-fundadores, os politólogos continuam a estudar este domínio ao estilo do process of government, isto é, pesquisam as instituições públicas tais como elas são, na sua dinâmica, estabelecendo a dialéctica com o que elas devem ser, de acordo com os princípios do bom governo e com a lei vigente.

Se os norte-americanos começam pelo Federalism and Intergovernmental Relations, já nos países marcados pelo estatismo absolutista talvez importe começar pelo repensar da teoria do Estado, pelo entendimento da crise da soberania e pelo estudo das relações entre as administrações ditas nacionais e as entidades supra-estaduais em que as mesmas se integram, formal ou informalmente. Entre nós, por exemplo, torna-se imprescindível o confronto do aparelho de poder da República Portuguesa com a administração comunitária, dado que, depois da integração na Comunidade Europeia, alguns dos principais factores de poder deixaram de ser nacionais.

Esta é a zona da ciência política onde são possíveis eventuais coincidências com a ciência do direito, principalmente nas zonas do direito constitucional e do direito administrativo, apesar de também ser desejável uma abordagem politológica do próprio mundo do direito, coisa que ainda não foi feita em Portugal. Importa sobretudo o estabelecimento de um modelo de análise da política do direito que não se reduza à mera sociologia jurídica.

Por exemplo, ainda não existem, entre nós, estudos politológicos sobre o comportamento legislativo ou sobre a problemática do poder judicial. Falta também uma adequada abordagem da própria representação política: se já se vislumbra alguma teorização, permanece a ausência dos estudos empíricos, desde estudos de caso ao levantamento dos necessários dados quantitativos.

A recente polémica da classe política portuguesa travada em torno da regionalização não foi acompanhada pelo entendimento dos novos fenómenos do localismo, abrangendo a regionalização, a devolução de poderes e a descentralização, conforme as recentes obras de Scharpe [1979], Rousseau [1987], Bennet [1990], Pickvence [1991] e Gietz [1993]. Nem sequer foram veiculados elementos comparativos adequados à realidade portuguesa, dado invocarem-se, sobretudo, experiências de regionalização de Estados plurinacionais e não se mostrarem formas praticadas em modelos de coincidência entre a nação e o Estado próximos da nossa dimensão qualitativa.

No estudo do federalismo, para além dos clássicos de Friedrich e Bowie [1954], Morley [1959], Wheare [1963], Franck [1968] e Hay [1966], destacam-se os mais recentes trabalhos de Elazar [1974, 1979, 1987 e 1991], Albertini [1979], Dahl [1983], Burgess [1986,1989 e 1993], Elkins [1993], Sturm e Jeffery [1993], Randall e Gibbins [1994], e Smith [1995].

Curiosamente, no seio da politologia norte-americana, depois da era de dispersão comportamentalista, deu-se um regresso aos estudos sobre a globalidade política.

Assinale-se, em primeiro lugar, o movimento de return to the State protagonizado pelo neomarxismo à procura de uma teoria do Estado, o chamado neostatist movement, em que se destacam nomes como Theda Skocpol, Ralph Miliband, Martin Carnoy, Stephen Skowronek e Perry Anderson. Aliás, depois de Theda Skocpol ter proclamado a necessidade de Bringing the State Back In [96], o próprio David Easton, na American Political Science Review de 1988, criticou duramente tal return to the State, qualificando-o como uma tentativa de invasão do universo cultural norte-americano por uma corrente onde Marx reaparecia através de Gramsci, Althusser, Poulantzas ou Claus Offe, embora compensado com algumas pitadas de Max Weber e de Otto Hintze.

A este respeito, importa assinalar que o neomarxismo constitui ainda um dos mais importantes subsolos filosóficos do pensamento político ocidental. Há os neomarxistas críticos, herdeiros da Escola de Frankfurt, como Habermas, os existencialistas, na linha de Sartre, os freudomarxistas, desenvolvendo Marcuse, os fenomenologistas, seguindo Merleau-Ponty, não faltando os que invocam um regresso a Hegel, como Lukács, e à práxis, na senda de Gramsci, ou estruturalistas, nos moldes de Althusser. Não faltam sequer os marxistas ditos liberais, como Michael Harrington. A heterodoxia nascida desse subsolo filosófico, principalmente no universo anglo-saxónico, atingiu tais níveis que até deu origem a um marxismo não-sovietista e mesmo anti-sovietista.

De qualquer maneira, esse lastro foi constante desde os anos quarenta, ao ler Paul Sweezy ou a bibliografia editada pelo clube da New Left. Nas décadas de sessenta e setenta, foram eles que invocaram o Estado e, atacando o pluralismo, elaboraram inúmeros estudos sobre a estrutura do poder, utilizando todo um manancial de categorias marxistas em ciências sociais em vários estudos empíricos.

Outra foi a perspectiva da Escola Crítica de Frankfurt, emigrada nos Estados Unidos, em que se destacaram Theodor Adorno e Marx Horkheimer, seus pais-fundadores, bem como a geração de Franz Neumann, Erich Fromm e Otto Kirchheimer. Com o regresso da Escola à Alemanha, a geração de Claus Offe, Karl-Otto Apel e Jürgen Habermas, principalmente depois da morte de Adorno, em 1969, entrou em conflito com o marxismo ortodoxo e foi hostilizada pelos movimentos equivalentes à contra-cultura e à New Left dos anglo-saxónicos, nomeadamente pelos movimentos da contestação estudantil, aproximando-se de muitas das posições de Hannah Arendt.

Contudo, o regresso ao Estado foi também assumido no campo dos politólogos demoliberais. Assim, Samuel P. Huntington, já em 1965 [97], defendia uma politologia state-centric, acentuando a importância do Estado-aparelho de poder para a explicação do poder e dos processos políticos, reagindo assim contra o funcionalismo e outras correntes que realçavam a importância de organizações não-públicas nas policies. Também Stephen Krasner, em 1984 [98], sublinha o facto do Estado não poder ser entendido como um reflexo das características ou das preferências da sociedade [99].

De qualquer maneira, o tema do Estado ganhou relevo no universo anglo-saxónico, com inúmeros trabalhos sobre o tema: John Breuilly [1982], McLennon [1984], Peter Evans [1985], A. James [1986], John Hall [1986], B. O'Leary [1987], P. Dunleavy [1987], Fred Block [1988], David Miller [1989], George Colz [1989], Sheldon Wolin [1989], David Held [1990], Phillip Cerny [1990], Bruce Porter [1993] Gottlieb Gidon [1993], Hendrik Spruyt [1994], Julie-Marie Bunck [1995] e Michael Ross Fowler [1995].

O regresso das teorias do Estado, se corresponde, ao nível anglo-saxónico, a algo que pode ser caricaturado como uma viragem à esquerda no sentido anti-pluralista do termo, não tem idêntica tradução nos domínios do pensamento europeu-continental que segue as tradições do Estado à francesa, em que a perspectiva da societé contre l’État, em meados dos anos setenta, fora assumida pela crítica de gauche aos totalitarismos e pelos herdeiros do personalismo.

E foi de França, principalmente com Simone Goyard-Fabre e Blandine Barret-Kriegel, que se reassumiu a ideia de Estado de Direito, tentando casá-la com a tradição republicana e o movimento de defesa dos direitos do homem, essa mistura tipicamente francesa que superou o jacobinismo através do moderantismo, à maneira de Constant, prefere Tocqueville a Comte e continua o nacionalismo místico da III República, pelo culto das lideranças de De Gaulle ou Mitterrand.

A bibliografia politológica francesa dos anos oitenta e noventa que se recentra sobre o Estado e o fenómeno político superior é impressionante. Os intelectuais franceses de origem judaica organizam um colóquio sobre La Question de l'État, em 1989. Bertrand Badie e Pierre Birnbaum publicam uma Sociologie de l'État [1979]. Birnbaum retoma a perspectiva em La Logique de l’État [1982], onde é marcante a viagem em torno de Durkheim, já retomada por Bernard Lacroix, em Durkheim et le Politique [1981]. Blandine Barret-Kriegel, para além de L'État et les Esclaves [1979], inicia a publicação de Les Chemins de l'État, em 1986. Pierre Bauby e Jean-Claude Boual reflectem sobre L’État-Stratège. Le Retour de l’État (1994). Olivier Beaud enfrenta a questão de La Puissance de l’État [1994]. Gérard Bergeron, depois de analisar o Fonctionnement de l'État [1965], organizou um Petit Traité de l’État [1990]. Henri de Bodinat elabora um quase-manifesto sobre o tema, L’État, Parenthèse de l’Histoire [1995]. Didier Boutet faz a ligação ao pensamento jurídico em Vers l'État de Droit. La Théorie de l'État et du Droit [1991]. De Pierre Brunel, temos L’État et le Souverain [1978]. Yves Cannac, para além de Le Juste Pouvoir. Essai sur les Deux Chemins de la Démocratie [1983], trata mesmo de teorizar sobre Le Retour de l’État [1993]. Jacques Chevalier enfrenta a questão de L’État de Droit [1992]. Dominique Colas publica L'État et les Corporatismes [1988]. C. Colliot-Thélène aborda Le Désenchantement de l’État. De Hegel à Max Weber [1992]. Mas outros autores importa referir, como por exemplo: Alain Cubertafond, em Le Pouvoir, la Politique et l'État en France [1993]; Jean-Philippe Genet, L’État Moderne. Genèse [1990]; Jacques Moreau, Théorie Générale de l’État [1995]; Jean Padioleau, L’État au Concret [1982]; Pierre Rosanvallon, L’État en France de 1789 à nos Jours [1990]; e Luc Rouban, Le Pouvoir Anonyme. Les Mutations de l’État à la Française [1994].

As viagens sobre o passado e o futuro da entidade estadual são também acompanhadas pelas interrogações sobre a nação e a própria identidade política, muito especialmente num tempo de globalização da política. Aliás, depois do ano 1989, tornou-se patente a crise do Estado Soberano e assistiu-se, ao invés, ao regresso da nação. Um dos principais manuais de relações internacionais, o de Jean-Baptiste Duroselle, assume mesmo o título principal de Toute Empire Périra [1992], acompanhando o ritmo da mais recente teorização e reflexão sobre o nacionalismo. Neste domínio, são de referir os estudos de Barbara Ward [1966], E. H. Carr [1968], Mario Albertini [1969], Jean-René Suratteau [1972], E. Kamenka [1973], Louis Snyder [1976], Setton-Watson [1977], H. A. Winkler [1978], J.-M. Leclercq [1979], Jean Plumyène [1979], Roger Martelli [1979], Jacob-Leib Talmon [1980], C. R. Foster [1980], John A. Armstrong [1982], John Breully [1982], Bennedict Anderson [1983], Ernest Gellner [1983 e 1994], Anthony Smith [1981, 1983, 1986, 1991 e 1995], Elie Kedourie [1985 e 1993], Jean-Luc Chabot [1986], J. M. Blaut [1987], Pierre Caps [1987], Pierre Fougeyrollas [1987], John Hutchinson [1987 e 1995], Immanuel Wallerstein e Étienne Balibar [1988], P. Alter [1989], Jean-Yves Guiomar [1990], Pierre-André Taguieff [1990 e 1991], Bernard Crick [1991], Gil Delannoi [1991], H. Goulbourne [1991], J. G. Kellas [1991], Alain Minc [1991], Dominique Schnapper [1991 e 1994], Paul Brass [1992], Alan Milward [1992 e 1995], Pierre Birnbaum [1993], Gidon Gottlieb [1993], Michel Wievorka [1993], Liah Greenfeld [1993], Eric Philippart [1993], Walker Connor [1994], Samir Amin e Joseph Vansy [1994], Paul Sabourin [1994], David Hooson [1994], Noelle Burgi [1994], Berch Berberoglu [1995], Geoffrey Howe [1995], Yael Tamir [1995], Frederico Romero [1995], Michael Lind [1995], Frances Lynch [1995], David Miller [1995], Geoffrey Eley [1996], Kathryn Manzo [1996].

 

Através da Internet é possível aceder a informações gerais sobre instituições governativas no guia de Richard Kimber (http://www.keele.ac.uk/depts/po/govinfo.html). Constituições, tratados e declarações oficiais podem encontrar-se em (http://www.keele.ac.uk/depts/po/const.html) e na International Association of Constitutional Law, em (gopher://www.eur.nl:80/hGET%20/iacl/const.). É de grande utilidade a secção de políticas públicas da APSA (http://www.fsu.edu/~spap/orgs/apsa.). Para uma visita a governos locais e regionais dos Estados Unidos e do Reino Unido, ver (http://www.keele.ac.uk/depts/po/local.html).

 

Regressar a Sumário   



[1] Marcel Prélot, Histoire des Idées Politiques, 11ª ed., p. 350.

[2] Entre os principais colaboradores do dicionário: Alessandro Passerin D’Entreves, Angelo Panebianco, Domenico Fisichella, Gian Enrico Rusconi, Gian Maria Bravo, Gianni Vattimo, Giuliano Urbano, Guido Fassò, Leonardo Morlino, Lúcio Levi, Maurizio Cotta, Paolo Farneti, Pierangelo Schiera, Mario Stoppino, Silvano Belligni e Siro Lombardini.

[3] Ciência Política, cit., p. 71.

[4] Idem, p. 144.

[5] Entre os colaboradores contam-se: Miguel Abensour, Pierre Ansart, Paul-Laurent Assoun, Yves Benot, Jean-Michel Besnier, Mario Bettati, Jacqueline Blondel, Frédérico Bon, Pierre Bouretz, Jean-Denis Bredin, Jacques Brunschwig, Crhristine Buci-Glucksmann, Jean-Yves Camus, Hélène Carrère d’Encausse, Colette Clavreul, Dominique Colas, Roger Dadoun, Dominique Dammame, Didier Deleule, Michel-Pierre Edmond, Jacques Ellul, André Enegrén, Bruno Etienne, François Ewald, Pierre Favre, Michel Fédou, Marc Ferro, Jean-Marc Ferry, Luc Ferry, Elisabeth de Fontenay, François Furet, Alain Garoux, Marcel Gauchet, Raoul Girardet, Ilan Halevi, Stanley Hoffmann, Hu Chi-Si, Claudio-Sergio Ingerflom, Albert Jacquard, Lucien Jaume, Bernard lacroix, Claude Lefort, Daniel Lindenberg, Claude Lutz, Thierry Maclet, Gérard Mairet, Pierre Manent, François Monconduit, Olivier Mongrin, Antonio Negri, Michel Offerlé, Alexis Philonenko, Jean-Bertrand Pontalis, Hugues Portelli, Philippe Raynaud, René Rémond, Pierre-Marc Renaudeau, Olivier Revault d’Allones, Jean Rivero, Pierre Rosanvallon, Bernard Roussel, Marie-Christine Royer, Maximilien Rubel, Marc Soudan, Shlomo Sand, Marianne Schaub, René Schérer, René Sève, Schluyer Stephens, Marie-Thérèse Sur, Nicolas Tertullian, Jacques Texier, Michel Troper, Michel Villey, Gilbert Vincent e Henri Weber.

[6] Ver Ada W. Finifter (ed.), Political Science. The State of the Discipline II, Washington, American Political Science Association, 1993.

[7] Dirigida por Patrick Dunleavy da London School of Economics and Political Science.

[8] Dirigida por Robert McKeever, University of Reading.

[9] Dirigida por Maureen Whitebrook, University of Sheffield.

[10] Dirigida por Jonathan Bradbury, University College, Department of Politics, Swansea.

[11] Dirigida por John Gaffney, Aston University, e Elisabeth Bomberg, University of Stirling.

[12] Dirigida por Colin Thain, University of Ulster.

[13] Dirigida por Richard Topf, London Guildhall University.

[14] Dirigida por Peter Burnham, University of Warwick.

[15] Dirigida por Tony Beck, University of Liverpool.

[16] Dirigida por Geoff Berridge, Leicester University.

[17] Dirigida por David Denver, University of Lancaster.

[18] Dirigida por Neil Carter, University of York.

[19] Dirigida por Karl Cordell, University of Plymouth.

[20] Dirigida por Juliet Lodge, University of Hull.

[21] Dirigida por Murray Forsyth, University of Leicester.

[22] Dirigida por Fred Rosen, University College, Londres.

[23] Dirigida por Howard Williams, University College, Aberystwyth.

[24] Dirigida por Neil Collins, University of Ulster.

[25] Dirigida por Gavin Drewry, Royal College, Holloway and Bedford.

[26] Dirigida por Matthew Festenstein, University of Hull.

[27] Dirigida por Mark Cowling, Teeside University.

[28] Dirigida por Fred Nash, University of Southampton.

[29] Dirigida por Ken Medhurst, University of Bradford.

[30] Dirigida por Geoffrey Pridham, University of Bristol, e Paul Heywood, University of Glasgow.

[31] Dirigida por Bruce Wood, University of Manchester.

[32] Dirigida por Adam Edwards, University of Leicester.

[33] Dirigida por David Taylor, University of London.

[34] Dirigida por Karen Henderson, Unviersity of Leicester.

[35] Dirigida por Adam Lent, Sheffield University.

[36] Dirigida por Rod Rhodes, Newcastle University.

[37] Dirigida por Brian Jacobs, Staffordshire University.

[38] Dirigida por John Solomos, Birkbeck College, Londres.

[39] Dirigida por Keith Dowding, London School of Economics and Political Science.

[40] Dirigida por Alistair Thomas, University of Central Lancashire.

[41] Dirigida por Ken Robertson, University of Reading.

[42] Dirigida por Neil Stammers, University of Sussex.

[43] Dirigida por Barry Jones, University of Wales.

[44] Dirigida por Peter John, University of Keele.

[45] Dirigida por Haleh Afshar, University of York.

[46] A título de curiosidade, refira-se que os pioneiros representantes do ECPR em Portugal são a Faculdade de Economia de Coimbra (Centro de Estudos Sociais)  e o Departamento de Economia e Sociologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. No Handbook sobre os recursos de ciência política na Europa Ocidental apenas aparecem, entre os especialistas da área, um assistente de teoria política da Universidade dos Açores e um professor de relações internacionais da mesma região. Na lista das organizações sem information currently available, isto é, sem pagamento de quotas, aparece o ISCSP, referido como Higher Institute of Social and Political Sciences, sito na Alameda Santo António dos Capuchos..., e a Faculdade de Direito de Lisboa, como Juridical and Political Sciences... Os três contact names portugueses são: Boaventura Sousa Santos (Coimbra); Vasco Garcia (Açores); e Isolino Poeta (Trás-os-Montes). É este o signo de sermos periferia do mundo anglo-saxónico...

[47] A IPSA edita as seguintes revistas: I nternational Political Science Abstracts, dirigida por Serge Hurtig; International Political Science Review, dirigida por Nazli Choucri e Jean Laponce; e Advances in Political Sciences. A Book Series, dirigida por Asher Arian.

[48] Dirigido por George Graham (Vanderbilt University, Tennessee).

[49] Dirigido por Mattei Dogan (CNR, Paris).

[50] Dirigido por K.-H. Neunreither (Parlamento Europeu).

[51] Dirigido por R. B. Jain (Universidade de Delhi, Índia).

[52] Dirigido por H. Wollmann (Universidade Humboldt, Berlim).

[53] Dirigido por R. Braungart (Syracuse University).

[54] Dirigido por P. Rajput (Punjab University, Índia).

[55] Dirigido por L. Longley (Universidade de Budapeste).

[56] Dirigido por M. Edelman (Albany).

[57] Dirigido por I. Grdesic (Universidade de Zagreb).

[58] Dirigido por Bernard Crousse (Universidade de Liège).

[59] Dirigido por Albert Somit (Southern Illinois University).

[60] Dirigido por D. Berg-Schlosser (Universidade de Marburgo).

[61] Dirigido por William Safran (University of Colorado, Boulder).

[62] Dirigido por Jean Laponce (British Columbia, Vancouver).

[63] Dirigido por Luigi Graziano (Universidade de Turim).

[64] Dirigido por Jon Pierre (Universidade de Gotemburgo, Suécia).

[65] Dirigido por The-Kuang Chang (Ball State University, Muncie, Indiana).

[66] Dirigido por Socorro Reyes (Diliman, Quezon, Filipinas).

[67] Diriigido por K.-H. Nassmacher (Universidade de Oldemburgo).

[68] Dirigido por Russell Farnen (Hartford).

[69] Dirigido por H. Semetko (Syracuse University).

[70] Dirigido por Harold Clarke (University of North Texas).

[71] Dirigido por Constantin Danopoulos (San Jose State University).

[72] Dirigido por Peter Baehr (Universidade de Utreque).

[73] Dirigido por Ulrich Kloti (Universidade de Zurique).

[74] Dirigido por L. Brown-John (Windsor, Canadá).

[75] Dirigido por Betty Glad (University of South Carolina).

[76] Dirigido por Frederick Turner (University of Connecticut).

[77] Dirigido por Paul Thomas (Universidade da Califórnia, Berkeley).

[78] Dirigido por Lois Wise (Indiana University).

[79] Dirigido por Michael Stein (Hamilton, Canadá).

[80] Dirigido por Richard Niemi (Universidade de Rochester).

[81] Dirigido por O. P. Dwivedi (Universidade Guelph, Canadá).

[82] Dirigido por Henri Goverde (Universidade de Nijmegen).

[83] Dirigido por A. H. Somjee (Burnaby, Canadá).

[84] Dirigido por Hal Colebatch (University of New South Wales).

[85] Dirigido por Madan Shakhder (Pitampura, Delhi, Índia).

[86] Dirigido por C. A. Perumal (Universidade de Madras, Índia).

[87] Dirigido por Timothy Shaw (Halifax, Nova Escócia, Canadá).

[88] Dirigido por Christa Altenstetter (CUNY, New York).

[89] Dirigido por Jean-Yves Calvez (Instituto Católico de Paris).

[90] Dirigido por Asha Gupta (Delhi, Índia).

[91] Dirigido por Richard Merritt (Universidade de Illinois, Urbana).

[92] Dirigido por Arild Underdal (Oslo).

[93] Dirigido por Henry Teune (University of Pennsylvania).

[94] Dirigido por R. Sharma (Himachal Pradesh University, Shimla, Índia).

[95] Dirigido por John C. Berg (Suffolk University, Boston).

[96] Theda Skocpol, Bringing the State Back In, New York, Cambridge University Press, 1985.

[97] Samuel P. Huntington, «Political Development and Political Decay», in World Politics, nº 17, pp. 386-430.

[98] Stephen Krasner, «Approaches to the State. Alternative Conceptions and Historical Dynamics», in Comparative Politics, nº 16, pp. 16-225.

[99] Apud Robert A. Heineman, Political Science. An Introduction, New York, McGraw-Hill, p. 150.