Mas a
realidade não é mera facticidade. Tem um sentido. É uma teia de regras, uma
rede normativa. Tal como a racionalidade é sempre uma razoabilidade valorativa. É a soma da racionalidade técnica com a
racionalidade ética, da mesma maneira como o Estado-Razão tanto implica a
racionalidade dos fins da ética da responsabilidade, como a racionalidade axiológica
da ética da convicção, conforme os ensinamentos de Max Weber.
Com
efeito, o direito não se constrói no ar, abstractamente, idealmente, de forma
meramente nefelibata. O direito é uma espécie de fluido vital que pulsa
connosco e que só pode ser compreendido através da vida real. E a realidade,
longe de ser mera facticidade, possui sentido e íntima ordenação. O axiológico-normativo
faz parte do real.