Já não sei dizer Natal como sabia

 

 

Já não sei dizer Natal como sabia, 

quando meu Natal, em minha aldeia, 

era um presépio de musgo e de areia 

e um menino adorando o Deus menino.  

A família inteira, sentada ao borralho, 

fazendo horas para a missa do galo 

nessa noite fria cujo fogo nos aquecia 

e nos dava alento para o ano inteiro. 

Vou reaprender a dizer Natal, este Natal, 

para que possa voltar a ser

alma de pássaro criança,

nestas memórias de infância.

Para que Deus me dê 

nova estrela de Belém 

que nos leve ao mais além. 

Mas serão precisos muitos desses dias 

para que, mais uma vez, possa nascer, 

em figura humana, o meu Messias.