Volto a dizer as palavras simples

 

 

Contigo, volto a dizer 

as mais simples palavras 

que, desdenhando, esquecera. 

Volto a celebrar teu corpo

e a soletrar teu nome. 

E nossos gestos, consagrados,

logo retomam

a suavidade peregrina

dos poemas que apetecem rescrever. 

Volta a música do nascer do dia, 

nos passarinhos que gorjeiam

seu regresso. 

Há mar, sol, pinhal, 

dias que voltam a ser

dias sem fim,

um tempo antigo que nos dá

a certeza de um além 

a que podemos chegar,

esses signos de uma eternidade

que nos cumpre saber forjar.

Tudo volveu quando dissemos

o que, desde sempre, soubemos