© José Adelino Maltez, Crónica do Pensamento Político, editada em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008

 

 

 

1549: Governo geral do Brasil

 

 

1538 1539  1540 1541 1542 1543 1544 1545 1546 1547 1548 1549   1550

 

Século XV Linha do Tempo Século XVII

 Henrique II, Valois, rei de França (1547-1559)
 

Eduardo VI, rei de Inglaterra  (1547-1553).

 

 

Carlos I de Espanha, imperador do Sacro Império (como Carlos V); rei de Aragão a partir de 1516; regente de Castela em nome da mãe entre 1516 e 1555 e rei de jure entre 1555 e 1556; unifica as duas coroas e torna-se o primeiro rei de Espanha (1555-1556)

 

Papa Paulo III (1534-1549)

 

Morre Margarida de Navarra.

Países Baixos são separados do Império por Carlos V.

Surge nova liga protestante na Alemanha.

Ivan IV convoca a primeira Zemski Sobor, a assembleia equivalente às nossas cortes. Visava ultrapassar o poder intermediário dos boiardos.

Alonso de Mendoza funda La Paz.

Morte de Paulo III.

 

Flandres Em 1549 a Flandres foi incorporada por Carlos V nas 17 províncias que formavam o círculo da Borgonha; sofreu várias amputações territoriais com a pressão de Luís XIV.

 

 

 

 

 Reinado de D. João III

Nomeação de Pedro Nunes como cosmógrafo-mor.

Fundação do Colégio das Artes de Coimbra, com André de Gouveia  Em 1565 será entregue aos Jesuítas 

Nova bula do Papa Paulo III, Meditatio Cordis nostri, sobre o funcionamento da inquisição, de acordo com o modelo espanhol (16 de Julho). A criação do Santo Ofício é assim autorizada, depois de um longo processo, desencadeado em 1531, quando se iniciaram conversações em Roma para o estabelecimento da Inquisição em Portugal.

Tratado de paz entre D. João III e o rei de Fez (25 de Junho)

D. Diogo, rei do Congo, tenta colocar o seu país na directa dependência do Papa. D. João III decide mandar para o Congo os jesuítas.

D. Diogo de Meneses conquista a cidade de baroche, na costa de Cambaia.

D. João de Castro, depois de reconstruir a fortaleza de Diu, regressa a Goa, sendo nomeado como 4º vice-rei da Índia.

Colégio das Artes passa a depender hierarquicamente da Universidade.

Encerramento da feitoria de Antuérpia, na Flandres, por insolvente.

Abandono de Alcácer Ceguer. Reforço das praças de Mazagão, Tânger e Ceuta.

Instituição do governo-geral do Brasil, com Tomé de Sousa* que chega à Baía de Todos os Santos em 29 de Março, com o padre Manuel da Nóbrega e outros jesuítas, numa expedição de cerca de 1 500 pessoas. Partiram de Lisboa no dia 1 de Fevereiro.

Fundada a povoação de S. Salvador da Baía que será capital do Brasil durante duzentos anos.

Talvez a partir de 1549, segundo cronistas chineses, se tenham começado a fixar portugueses na foz do Rio das Pérolas.

Processo da Inquisição aos professores do Colégio das Artes. Este passa a depender hierarquicamente da universidade.

Jorge Cabral, governador da Índia.

S. Francisco Xavier, depois de viajar pela China, navega para o Japão. Instala-se em Cangoxima (15 de Agosto). O cristianismo começa por ser bem acolhido e trinta anos depois haverá cerca de 150 000 convertidos

 

Lei de cavalos e armas, de 7 de Agosto.

Criada a diocese de Portalegre.

 
D. Jerónimo Osório, De Gloria.

Padre Manuel da Nóbrega, Informe das terras do Brasil

John Knox, preso pelos franceses em 1547, é libertado em 1549, indo, então, para Inglaterra.

 

Luís de Camões vai para Ceuta, onde fica até 1551.

   

Outro dos sinais do soberanismo está no aparecimento da ideia de fronteira como linha. Com efeito, é no século XVI que tal vai acontecer, tanto por razões científicas como por razões políticas.

Primeiro, porque só então é que a matemática e a cartografia possibilitaram visualizar numa folha a representação global do território de uma determinada unidade política.

Segundo, a conveniência dos governos em matérias militares e fiscais. Só então é que se substituiram a defesa pela ocupação de pontos estratégicos pela defesa em linha. Só então é que surgiu a ideia de raia seca, com guardas fiscais e polícias alfandegárias, contra a anterior ideia de recebimento dos impostos nos portos marítimos e nos interiores dos mercados.

Terceiro, porque a teoria começou a conceber o político de forma geométrica, dado que o mesmo passou a crescer por dentro, unificando, centralizando, concentrando e, consequentemente, eliminando os enclaves dos vários poderes periféricos, tanto senhoriais como municipais.

E não é por acaso que a primeira carta que fixa numa só folha todo o território de um país surge com o mapa de Portugal publicado em 1562 por Fernando Álvares Seco em Roma. Uma carta que parce ter sido elaborada entre 1531 e 1539 e cuja publicação foi antecedida pelo medida tomada por Filipe II, em 1559, quanto ao estabelecimento de alfândegas entre Portugal e Castela.

Já antes D. Manul ordenara ao seu escudeito Duarte de Armas que registasse as frotalezas junto à raia de Castela; entre 1527 e 1532 estabelece-se o numeramento geral do reino; em 1532, tentativa de indagação do correcto traçado da fronteira.

Mas não é por acaso que o nosso Rei sempre se designou por Vossa Alteza e que só a partir de 1577, na sequência da entrevista de Guadalupe, entre D. Sebastião de Portugal e D. Filipe II, de Espanha, é que a coroa de Portugal se fecha e o nosso rei passa a qualificar-se por Vossa Majestade.

E não é por acaso que essa mudança ocorre no ano em que se edita Jean Bodin e se inventa o conceito de soberania.

Como também não é por acaso que tudo sucede na véspera da jornada de África que levará ao fim do sonho, em 4 de Agosto de 1578. Em 31 de Janeiro de 1580 morria o cardeal D. henrique

Isto é, o nosso desejo de monarquia universal não precisou do conceito absolutista de soberania, mantendo-se integerrimamente renascentista e consensualista. Uma coroa aberta e pluralista.

É a partir de então que a coroa deixa de ser titular de um rei  e passa para um monarca. Os monarcas  têm majestade, os  reis apenas alteza.

A designação de majestade era usada em frança desde XI, em Espanha desde os reis católicos e na Inglaterra com Henrique VIII.

Reflexo dessa estratégia são as crónicas portuguesas impressas, desde a introdução da tipografia até 1580, as quais, como nota Francisco Bethencourt, longe de procurarem as origens da nacionalidade, como vai acontecer a pertir de 1580, incidem especialmente sobre os reinados de D. João II e de D. Manuel, como o Lyuro das Obras de Garcia de Resêde, 1545 (obra que vai ser reditada em 1554 e 1596 e que inclui a crónica de D. João II), as obras de Damião de Góis, Chronica delRei D. Manuel, em 1566-1567, e Chronica do Principe Dom Ioam, em 1567, terminando com  De Rebus Emmanuelis, de D. Jerónimo Osório, de 1571, bem como sobre a expansão para o Oriente, como Carta das Novas que vieram a ElRei nosso Senhor do Descobrimento do Preste João, 1521; a Verdadeira Informação das Terras do Preste João das Índias , do Padre Francisco Álvares, de 1540;  a Historia do descobrimento e conquista da India pelos Portugueses, de Fernão Lopes de Castanheda, em 1551, 1552 e 1561, as Décadas da Ásia, de João de Barros, em 1552, 1553 e 1563. Isto é, procuram na história recente apenas a génese do Estado Moderno e a criação de um espaço imperial. As excepções, como a Cronica do Condestabre de Portugal, de 1526, com reediçao de 1554, e a Chronica dos Feitos, Vida e morte do Iffante Sancto Dom Fernando, de 1577, abrangeriam um tipo particular de heróis envolvidos numa aura de santidade 

© Editado por José Adelino Maltez em Dili, Universidade Nacional de Timor Leste, ano de 2008

 

Última revisão:15-02-2009