© José Adelino Maltez, Crónica do Pensamento Político, editada em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008

 

 

1578: Alcácer Quibir e russos pasando os Urais

 

 

 

1568 1569 1570 1571 1572 1573 1574 1575 1576 1577 1578   1579 1580

 

Século XV Linha do Tempo Século XVII
 

Henrique III, rei de França (1574-1589)

 

Isabel I, rainha de Inglaterra (1558-1603)

 

Jaime Stuart, como Jaime VI, rei da Escócia (1567-1625).

 

Filipe II, rei de Espanha (1556-1598)

 

Rudolfo II, Habsburgo, imperador alemão (1576-1612)

 

Frederico II (Frederik II), rei da Dinamarca (1559-1588).

João III, rei da Suécia (1569-1592).

 
Alexandre Farnésio sucede a Don Juan, o duque de Alba. Depois da derrota em Gembloux (31 de Janeiro), as províncias católicas do Sul separam-se das do Norte.

Os russos cruzam os Urais

Depois de Alcácer-Quibir, consolida-se a independência de Marrocos, com Ahmad I al-Mansur (1578-1603), ou Mulei Moâmede Almançor,  irmão de Abde al-Malik, Mulei Moluco, o seu antecessor, que morre na batalha. A dinastia chega a aliar-se aos espanhóis, para resistir à pressão turca. Dito almançor, ou vencedor, por causa da vitória em Alcácer. Filipe II há-de restituir-lhe, em 1589, a praça de Arzila, que os portugueses tinham retomado em 1577. Há-de conquistar o Sudão em 1591, com a ajuda de muitos renegados portugueses e espanhóis. 

Reinado e governo de D. Sebastião

Morte de D. Catarina de Áustria, viúva de D. João III (11 de Fevereiro).

Filipe II envia a D. Sebastião a embaixada do duque de Medinaceli para dissuadir o soberano português dos seus projectos africanos (7 de Abril).

O cardeal D. Henrique opõe-se à jornada de África e recusa a regência. D. Sebastião empossa um grupo de governadores como regentes.

Nova partida de D. Sebastião para o Norte África (14 de Junho).  Levando a bordo El-Rei D. Sebastião, / E erguendo, como um nome, alto o pendão / Do Império, / Foi-se a última nau, ao sol aziago / Erma, e entre choros de ânsia e de presago / Mistério. / Não voltou mais. A que ilha indescoberta / Aportou? Voltará da sorte incerta / Que teve? / Deus guarda o corpo e a forma do futuro, / Mas Sua luz projecta-o, sonho escuro / E breve. / Ah, quanto mais ao povo a alma falta, / Mais a minha alma atlântica se exalta / E entorna, / E em mim, num mar que não tem tempo ou 'spaco, / Vejo entre a cerração teu vulto baço / Que torna. / Não sei a hora, mas sei que há a hora, / Demore-a Deus, chame-lhe a alma embora / Mistério. / Surges ao sol em mim, e a névoa finda: / A mesma, e trazes o pendão ainda / Do Império. (Fernando Pessoa).

Batalha de Alcácer Quibir. Morte do rei (4 de Agosto)*.  Também dita batalha de Yed El-Makhazen, ou de Batalha dos Três Reis, dado que nela morrem, além do rei de Portugal, Mohamede Almotavaquil, afogado, o anterior rei de Marrocos, e Abde Almelique, o seu tio, o novo rei de Marrocos que o destronou. O venceddor acabou por ser Ahmed el-Mansor, irmão de Adbe Almelique, que lhe sucedeu.

Louco, sim, louco, porque quis minha grandeza / Qual a Sorte a não dá. / Não coube em mim minha certeza; / Por isso onde o areal está / Ficou meu ser que houve, não o que há. / Minha loucura, outros que me a tomem / Com o que nela ia. / Sem a loucura que é o homem / Mais que a besta sadia, / Cadáver adiado que procria? (Fernando Pessoa, sobre o rei).

Os vencedores têm apoio técnico de huguenotes franceses. D. Sebastião não consegue fechar o sonhado triângulo estratégico português, que passava pelo Rio de Janeiro e por Luanda, repondo uma espécie de maré clausum da cristandade romana. Tem sonhos demais para poderes que nunca possuiu.

 

Reinado do Cardeal D. Henrique

Cardeal D. Henrique chega a Lisboa (16 de Agosto). Assume a regência no dia 22, como curador, governador e futuro sucessor do reino. Só no dia 24 se tem a certeza da morte do rei. No dia 28, já o cardeal é aclamado na igreja do Hospital de Todos os santos, onde tinha sido sagrado bispo. Pede dispensa papal de ordens sacras.

Cristóvão de Moura é enviado a Lisboa como embaixador de Filipe II (25 de Agosto).

As ossadas de D. Sebastião são entregues em Ceuta às autoridades portuguesas (Dezembro). Vêm para o mosteiro dos Jerónimos em Novembro de 1582.

Guerra em Angola de Paulo Dias de Novais contra os auctóctenes.

Destruída por revolta local a fortaleza de Acra, na Costa da Mina.

Viagem de Duarte Lopes ao lago Niassa e ao Tanganica.

 

O reinado formal de D. Henrique, entre 28 de Agosto de 1578 e 31 de Janeiro de 1580, correspondia ao estado físico e de de vontade da própria pessoa do rei, já com alquebrados 66 anos. Como referia Frei Luís de Sousa, tinha muita idade e a disposição pouco firme; carregaram cuidados e as importunações dos pretendentes, do povo e estados do Reino; vivia afligido, e irresoluto, e sem honra de descanso nem de gosto. Assim se compreende que tenha feito vedor da fazenda o tradicional inimigo, Pêro d'Alcáçova Carneiro, para, depois, em 2 de Outubro de 1578, o mandar prender.

 

 

Morte de Pedro Nunes (11 de Agosto).

 

Théodore de Bèze, De jure magistratum in subditos et officio subditorum erga magistratus, Magdburgo, 1578 (obra editada anonimamente).  
 

© Editado por José Adelino Maltez em Dili, Universidade Nacional de Timor Leste, ano de 2008

 

Última revisão:15-02-2009