1794: Fim do terror e Campanha do Rossilhão

 

babeuf

 

 

1790 1791 1792 1793 1794   1795 1796 1797 1798 1799 1800

 

  Século XVI  Linha do Tempo

 

Jorge III rei britânico (1760-1820)

 

Carlos IV, rei de Espanha (1788-1808)

 
 

Revolução francesa: Danton, St. Juste, Lavoisier e Robespierre guilhotinados.

Separação da Igreja e do Estado.

Abolição da escravatura nas colónias francesas (4 de Fevereiro).

A França consegue reocupar os Países Baixos do Sul.

Execução dos partidários de Jacques Hébert (5 de Março).

Execução de Danton e Desmoulins (5 de Abril).

A Prússia trata de estabelecer com a França a Paz de Basileia, de 5 de Abril. Recohecida a ocupação francesa da margem esquerda do Reno. A Prússia opta pela neutralidade até ao ano de 1806

Batalha de Boulou contra os espanhóis (30 de Abril).

Execução de Lavoisier (8 de Maio).

Batalha de Tourcoing contra britânicos (18 de Maio).

Batalha de Ushant (28 de Maio), também contra os britânicos.

Britânicos conquistam Port-au-Prince no Haiti (4 de Junho).

Conquista de Charlesroi (25 de Junho).

Derrota dos austríacos em Fleurus (26 de Junho).

Vitória dos emigrados em Quiberon (11 de Julho).

Abolida a comuna de Paris (11 de Julho).

Queda de Robespierre (27 de Julho, dia 9 de Thermidor). Executado no dia 28, juntamente com Saint-Just.

Invasão francesa da Holanda (27 de Dezembro).

 

Sublevação polaca de Kosciusko.

Aliança de S. Petersburgo: a Rússia, a Inglaterra e a Áustria contra a França. A França invade a Espanha e a Holanda.

Russos entram em Varsóvia (9 de Novembro).

 

O «Habeas Corpus» é suprimido na Inglaterra.

 

 

Campanha do Rossilhão. Parte uma expedição portuguesa de seis mil homens para a Catalunha

Em 22 de Julho, em Basileia é assinado um tratado entre a França e a Espanha. D. Manuel Godoy, duque de Alcúdia, passa a governar

Surge a Junta da Directoria Geral dos estudos e Escolas.

Criação da primeira fábrica de fiação de algodão em Tomar.

Último auto de fé em Portugal, realizado na sala da Inquisição.

 

Condorcet, par Greuze (Château de Versailles) 

Piotr Tchaadaev (1794-1856).

 

 Félix Pereira Magalhães  (1794-1878)

 

Leopold von Ranke (1795-1886)

 

José da Gama e Castro (1795-1873)

 

Augustin Thierry (1795-1856)

 

CondorcetEsquisse d'un Tableau Historique des Progrès de l'Esprit Humain.

 

Joseph De Maistre, Études sur la Souverainité, 1794-1796

 

Thomas Paine, The Age of Reason, Paris, 1794-1796

 

Maximilien Robespierre, Sur les Rapports des Idées Réligieuses et Morales avec le Principe Républicains et sur les Fêtes Nationales.

 

Participação portuguesa na Segunda Coligação-Em 15 de Julho de 1793 é assinada uma convenção luso-espanhola de auxílio mútuo; em 26 de Setembro de 1793 é um tratado idêntico entre Portugal e a Inglaterra

Portugal vai participar na falhada campanha do Rossilhão em 1793-1794

A partir da Paz de Basileia, a Espanha passa a aliada da França e D. Manuel Godoy, duque de Alcúdia, passa a governar

Entre Fevereiro de 1793 e Outubro de 1797, dá-se a guerra da chamada primeira coligação, onde os novos poderes revolucionários franceses têm de enfrentar uma vasta aliança, onde se integram a Grã-Bretanha, as Províncias Unidas, a Áustria, a Prússia, a Espanha e a Sardenha.

Em 1793, a França revolucionária vê-se cercada pela guerra em várias frentes. Na fronteira do sudoeste, as acções militares decorrem no Rossilhão e em Navarra. A norte e a leste, as operações miltares devastam a Flandres, o Reno e a Suíça.

Em 21 de Janeiro de 1793 era guilhotinado Luís XVI. Em Março, os franceses perdem a Bélgica e surge a revolta da Vendeia. Em Abril terminava o regime da Convenção Nacional e era criado o Comité de Salut Public, dominado por Danton e pelos jacobinos. Em 2 de Junho iniciava-se o chamado regime do Terror, com o afastamento dos girondinos. Em 27 de Julho já Robespierre comandava o processo.

Segue-se uma vaga de retrocesso da ofensiva francesa: em Julho os franceses eam obrigados a recuar para aquém do Reno, enquanto os ingleses ocupavam a Córsega; em Outubro já perdem os Países-Baixos do sul depois do envio de uma força expedicionária britânica para a Holanda.

Em Agosto, o novo regime, vai estabelecer a chamada levée en masse pela requisição permanente de todos os franceses dos 18 aos 40 anos, e, no mês seguinte já retoma a ofensiva, recuperando grande parte das conquistas perdidas no final desse mesmo ano, enquanto que o terrorismo e a repressão aos vendeianos prosseguia.

A partir de Setembro o processo revolucionário entra em delírio, com a criação do exército revolucionário (11 de Setembro), a edição de uma lei terrorista sobre os suspeitos (17 de Setembro) e a fixação do preço máximo para os bens de primeira necessidade (29 de Setembro), a que se segue a instituição da Festa da Razão (10 de Novembro).

Em meados de 1794, depois do último estertor acelerativo do processo revolucionário, com o desencadeamento da justiça revolucionária e da épuration, dava-se a queda de Robespierre, no dia 27 de Julho (dia 9 do mês Thermidor, ano II, segundo o novo calendário revolucionário) e o afastamento dos jacobinos.

A alteração política interna foi, contudo, acompanhada por assinaláveis êxitos no plano militar, com a ocupação dos Países Baixos do Sul, o início da ocupação da Holanda e a penetração além do Reno, enquanto, no final do ano, os prussianos, invocando a partilha da Polónia de 1793, e os espanhóis, que pouco êxito haviam tido na campanha do Rossilhão, logo iniciam conversações de paz com os novos poderes thermidorianos.

Para além dos acordos de paz estabelecidos em Basileia, em 6 de Abril de 1795, com a Prússia, e em 22 de Julho, com a Espanha, assinale-se qaue os franceses ocupam Amsterdão, em 19 de Janeiro, e fazem as pazes com a Toscana, em 9 de Fevereiro, para em 16 de Maio de 1795, as Províncias Unidas cederem o lugar a uma República Batávica, transformada em mero satélite de Paris.

No domínio da luta continental, o adversário que restava era o Império dos Habsburgos austríacos que, entretanto, a partir de meados desse ano de 1795, retoma a ofensiva no Reno. Mas, no final do ano, já os franceses recuperam, com a ocupação da Bélgica, em 1 de Outubro.

E, depois de nova alteração política interna, com a formação do governo do Directório, em Novembro, não tarda que os franceses ganhem alento para novas conquistas.

O ano de 1796 começa com a liquidação da revolta da Vendeia (Março) e com o crescendo do protagonismo de Napoleão que, a partir de Abril, assume o comando das forças francesas em Itália, derrotando sucessivamente os austríacos e os piemonteses. Aliás, depois da conquista de Milão, instaurava-se mais uma uma république soeur, a República Lombarda, a que se seguiram as Repúblicas Cispadana e Transpadana (de Padus, o rio Pó, em latim), instituídas em Outubro de 1796.

Depois, em 1797, institui-se República Cisalpina (29 de Junho), incluindo Milão, Lombardia, Módena, Ferrara, Bolonha e Romana, bem como os territórios suíços de Valtellina e Chiavena, surgindo em seguida a República Lígure, incluindo Génova (Outubro). Se esta última será anexada ao Império francês, em 1805, os restantes territórios italianos servirão de base para que, em 25 de Janeiro de 1802, se constituia a República Italiana, depois, transformada em Reino de Itália, em 17 de Março de 1805.

Em 17 Outubro desse mesmo ano de 1797, pelo Tratado de Campo Formio, já os Habsurgos são obrigados a reconhecer a ocupação pela França dos Países Baixos do Sul e da margem esquerda do Reno, embora, como compensação, Viena passe a senhorear a Lombardia e Milão, bem como Veneza, que assim perde a independência.

Circunscrito o poder dos Habsburgos, restava o poderio britânico que, no entanto, até beneficiam pelo facto de holandeses e espanhóis terem entrado na esfera de influência de Paris. Com efeito, os holandeses vão ter de ceder aos ingleses várias possessões coloniais, nomeadamente Ceilão, Malaca e o Cabo da Boa Esperança, enquanto os espanhóis perdem boa parte da sua esquadra, depois de derrotados na batalha do Cabo de S. Vicente, em 14 de Fevereiro de 1797.

Nos finais de 1797, quando Talleyrand já era ministro dos estrangeiros francês, tudo parece encaminhar-se para o estabelecimento de uma paz geral na Europa, com o elefante francês a dominar no continente, e a baleia britânica a comandar nos mares. Depois de, em Lille, ter chegado a reunir-se um congresso visando o estabelecimento de tal paz, eis que tudo se altera quando Napoleão desencadeia a campanha do Egipto.

Em 1798, já regressa a guerra generalizada, com a formação de uma segunda coligação contra uma França, agora governada pelo regime do Directório. Nela participam a Grã-Bretanha, a Rússia do Imperador Paulo I, o Império dos Habsburgos austríacos, a Turquia, o Reino de Nápoles e Portugal.

No âmbito desta confrontação generalizada, importa salientar a ofensiva dos exércitos franceses na Itália e na Suíça, sob o comando de Napoleão, que, em Fevereiro de 1798, depois de ocuparem Roma, logo instituem uma República Romana, obrigando o papa Pio VI, a refugiar-se em Siena. Segue-se, em Dezembro, a ocupação do Reino de Nápoles, cujo titular era o Bourbon Fernando IV, reino que logo passa a República Partenopeia, em Janeiro de 1799.

Quanto à penetração francesa na Suíça, importa referir que, em Março, depois da ocupação de Berna, já surgia a República Helvética, dita una e indivisível, que acabava com o anterior sistema confederativo, oriundo dos finais do século XIII, e, em Abril, Genebra era anexada à França.

Refira-se que em 1803, Napoleão restabeleceu o sistema confederativo, embora integrando parte dos anteriores cantões no Império francês. Depois do Congresso de Viena vai renascer a Confederação Helvética, com 22 cantões soberanos, em regime de neutralidade permanente, que, em 1848, se transformam num Estado federal.

A sorte da guerra inverte-se em 1799 quando um forte exército austro-russo entra em acção na Itália e na Suíça, ao mesmo tempo que, no Mediterrâneo, por pressão inglesa, a França se retirava do Egipto (22 de Agosto) e perdia as posições que detinha nas ilhas de Minorca e Malta.

Entretanto, dá-se nova viragem na política interna francesa, com o golpe de Estado de 9 de Novembro de 1799, o 18 Brumário, que leva ao poder um consulado, com Napoleão, Sieyès e Roger-Ducos. Não tarda que, a partir desse triunvirato, surja uma espécie de monarquia sem monarca, com Napoleão assumindo, primeiro, a categoria de consul vitalício e, depoisa, em 1804, se passa a considerar como Imperador.

A partir de então, como vai dizer o nosso José Acursio das Neves, eis que o projecto de monarquia universal, quase chega a ser realizado por um usurpador corso que, capitaneando bandos de aventureiros franceses e arrastando em ferros às suas bandeiras a mocidade das nações que tem invadido, estendeu a sua "protecção omnipotente", isto é, tem assolado tudo desde a embocadura do Vístula até o Faro de Messina, desde o Arquipélago até ao cabo da Roca. Não satisfeito ainda com o título pomposo e insolente de "Dominador da Europa" que lhe prodigalizaram os gazeteiros e os tiranos seus subalternos, não duvidou arrogar o de "Árbitro Supremo dos Reis e dos Povos"

 

© Editado por José Adelino Maltez em Dili, Universidade Nacional de Timor Leste, ano de 2008

 

Última revisão:15-02-2009