© José Adelino Maltez, Crónica do Pensamento Político, editada em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008

 

 

 

800-809: Carlos Magno, imperador dos Romanos. Francos conquistam a Boémia

 

 

 

780-789 790-799  800-809 810-819  820-829 830-839 840-849 850-859 860-869 870-879 880-889  890-899

 

Séculos I a V  Linha do Tempo   Século XI

  Carlos Magno, rei dos francos (768-814) 

Mercadores muçulmanos em Cantão (800). Fábrica de papel fundada em Bagdade.

Luís, o Pio, conquista Barcelona (801).

Nicéforo I o Logoteta destrona Irene (802). Recusa pagar tributo aos Árabes.

Egberto, rei de Wessex (802-39)

Nova revolta no Egipto (802-809).

Ruptura entre Carlos Magno e Bizâncio (803).

Frota muçulmana ataca Chipre (805).

Francos conquistam a Boémia (806).

Guerra dos Bizantinos contra os Búlgaros (807). Ataque muçulmano a Rhodes (807).

Reconhecidos os direitos especiais dos Francos sobre a protecção dos Lugares santos (807).

Búlgaros atacam a Macedónia (808).

Morte do califa  Harum-al-Raschid, conhecido pelas Mil e Uma Noites. Apogeu do império Árabe (809).

Conquista da chamada Marca de Espanha pelos Francos (809-812).

 
Francos conquistam Barcelona (801).

Primeira surtida muçulmana na Córsega (806).

Levantamento de Toledo e Jornada do Fosso.

Fundação de Fez, com Idris ou Idrici II (808).

Morte de Harun al-Rashid (809). Luta pelo poder entre os filhos: Al-Amin, filho de mãe Árabe, e Al-Mamun, filho de mãe persa. Vai vencer o segundo, que sobe ao poder em 813. 
Introduzida a aritmética indiana e a numeração dita Árabe em Bagdad (800).

Traduzida para Árabe a Geografia de Ptolomeu.

 

Restauração do Império. Leão III faz de Carlos Magno o novo Imperador dos Romanos (Natal de 800)*. Esta cerimónia foi uma comédia mais ou menos improvisada por um punhado de eclesiásticos arcaizantes (Ferdinand Lot).

 

Sacro Império Romano-Germânico (Sacrum Romanum Imperium Nationis Germanicae / Heiliges römisches Reich deutscher Nation). Fundado por Otão I, o Grande, em 962, apenas vem a ser formalmente dissolvido em 6 de Outubro de 1806; a designação data do século XV, dado que anteriormente foi sendo conhecido por Império Romano (1034), Sacro Império (1157) e Sacro Império Romano (1254). Começou por ser uma reunião de principados alemães do Saxe, Francónia, Suábia e Baviera, com influência no norte e centro de Itália que se distinguiam da francie occidentale; Otão III (983-1002) estabeleceu a capital em Roma e sonhou com a renovatio imperii Romanorum; a partir de 1024, acede ao império a dinastia sálica e império passa a dividir-se, sobretudo em virtude do poderio dos senhorios eclesiásticos; emerge a luta entre o sacerdotium  e o imperium que, com a dinastia dos Hohenstaufen (1138-1254) se volve no conflito entre os guelfos e os guibelinos; a política dos Hohenstaufen visou sobretudo evitar a instauração de uma unidade política autónoma no norte de Itália que afastaria a Alemanha do Mediterrâneo; .

A primeira alteração à doutrina dos dois gládios ocorreu no Natal do ano 800, quando, com a coroação de Carlos Magno, o papado tentou ressuscitar um fantasma, conforme a expressão de Ferdinand Lot, numa atitude mais simbólica do que real, dado que tal gesto não só foi impotente para reproduzir o Império Romano, como também não conseguiu o Estado na Igreja nem a Igreja no Estado, apesar do Império passar a assumir-se como o Império Cristão. Com efeito, no Natal do ano 800, em Roma, o Papa Leão III elevou rei dos francos, Carlos Magno (768-814) à categoria de imperador dos Romanos, uma experiência que, apesar de apenas durar cerca de quarenta anos, até ao Tratado de Verdun de 843.

O Império carolíngio era mais um ideal moral do que um regime, significando, nas palavras de J. Calmette, a unidade do Ocidente sob um chefe que exerce a plenitude do poder temporal no interesse da república cristã. Uma dupla designação divina paira sobre os "fideles". O mesmo termo designa os súbditos do Estado e os da Igreja: o papa e o imperador estão no cume da hierarquia que preside aos destinos dos corpos e das almas. Assim se precisa o conceito medieval: as relações do Império e do papado condicionam doravante o equilíbrio do sistema.

Assim, logo em 806, em Thionville, Carlos Magno vem estabelecer o governo confraternal, repartindo os seus domínios pelos três filhos, uma partilha que logo rectificou em 813, quando proclamou o filho Luís, o Piedoso, como seu sucessor.

Divisão do Império no Tratado de Verdun (843). Os netos do primeiro imperador dividem o legado, deixou o rasto daquilo que Robert Lafont qualifica como o Império do Meio, a soma do Sul e do Norte, congregando a parcela ocidental do Império Romano, principalmente aquilo que é hoje o território da França, da Alemanha e da Itália. no Tratado de Verdun de 843, se, para Luís-o-Germânico ficam as províncias a Leste do Reno, a Francia Orientalis, e para Carlos o Calvo, a Francia Occidentalis, com a Marca de Hispania, eis que a fatia central do Império vai caber a Lotário, a quem também passa a ser reconhecida a dignidade imperial.

Apesar de continuar a utilizar-se a expressão governo confraternal, eis que a unidade do Império Cristão está definitivamente abalada. A faixa central, a que se deu o nome de Lotaríngia e que, mais tarde, há-de constituir o eixo da casa da Borgonha, vai acabar, um quarto século depois, por ser dividida em lotes, que são atribuídos a Luís-o-Germânico e a Carlos-o Calvo e este último, em 875, ainda chega a receber do Papa a dignidade honorífica de imperador.

Bizantino, Império  ou Império Romano do Oriente. Entre 867 e 1057 atingiu o seu apogeu com uma dinastia macedónia, comandada por soldados que empreendem uma série de lutas vitoriosas contra os Árabes, reconquistando várias posições no Médio Oriente e em Itália; derrota a Grande Bulgária em 1014; alia-se com os russos; em 1054 deu-se a ruptura definitiva entre Roma e Constantinopla; no fim da dinastia, sucessivas revoltas de Búlgaros e sérvios e ataques dos Normandos às posições italianas. 

© Editado por José Adelino Maltez em Dili, Universidade Nacional de Timor Leste, ano de 2008

 

Última revisão:15-02-2009