© José Adelino Maltez, Tópicos Político-Jurídico, texto concluído em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008

 

 

 

Frei Amador Arrais, ou Arraez (1530-1600)

 

 

 

Se o Rei quer sujeitar tudo, sujeite-se à razão; a muitos regerá se o reger a razão

 

•Natural de Beja. Frade carmelita e doutor em teologia por Coimbra. Bispo de Portalegre de 1581 a 1596.

•Recolhe-se no colégio da sua ordem, em Coimbra, nos últimos quatro anos de vida.

 

Das Condições e Partes do Bom Príncipe, in Diálogos, Coimbra, António Mariz, 1589. Cfr. obra in Bento Jozé de Souza Farinha, Filozofia de Principes. Apanhada das Obras de Nossos Portuguezes, Lisboa, 1786, pp. 95 segs.; 2ª ed., Livraria Sá da Costa, Lisboa, 1981, com selec., pref. e notas de Fidelino de Figueiredo.

 

Calafate, Pedro, «Frei Amador Arrais», in Logos, 1, cols. 466-47;  Magalhães (1967), pp. 107 segs;  Maltez (ESPE, 1991), II, pp. 267 segs;  Maltez (1996), pp. 6 e 24;  DBP-Inocêncio (1977), tomo I, p. VIII e pp. 52-53, e 56.

 

 

 

Condições (Das) e Partes do Bom  Príncipe (1589)

 

 

 

 


 

•O carmelita Frei Amador Arrais (1530-1600), em Das Condições e Partes do Bom Príncipe, capítulo inserto nos Diálogos, de 1589, considera que: Em o paço dos Reys se devem guardar primeyro as leys, e por sua casa ha de começar a justiça. Sam eleitos por Deos em ministros e mantenedores de igualdade, e por isso são mais obrigados a mostrar por exemplo em si mesmos e em seus familiares esta virtude. Se a justiça he executada em os estranhos, e negada em favor dos nossos fora vay dos termos da ordenança que Deos lhe deu.

•Defendendo que o Rei não deve ser outra cousa (... ) senão um pai comum de tôda a República, onde a serenidade e quietação no que governa é mais forte e urgente para ser obedecido, proclama que os reis para reger e fazer bem a todos subiram ao Reino e de reger tomaram o apelido.

•Assim, se o Rei quer sujeitar tudo, sujeite-se à razão; a muitos regerá se o reger a razão; reja-se a si mesmo e será Rei de um grande Reino. Não cuide que tudo lhe é lícito, porque sabe por ser Rei quer apropriar a si esta licença, tirano é e não Rei. Menos licença tem que qualquer outra pessoa particular, e não pode mais, que o que lhe está bem enquanto Rei.

•É que não foi o Rei eleito por Deus para obedecer a seus depravados afectos; mas para que à sua obediência e sombra de seu bom viver, vivam felizmente os que o alcançaram por Rei.

© José Adelino Maltez em Dili, Universidade Nacional de Timor Leste, ano de 2008

 

Última revisão:15-02-2009