© José Adelino Maltez, Tópicos Político-Jurídico, texto concluído em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008
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Pierre Bayle (1647-1706)
O obstáculo ao bom exame não vem tanto do facto do espírito estar vazio mas da circunstância de estar cheio de preconceitos.
•Originário de uma família calvinista de Genebra, converte-se ao catolicismo, mas logo volta ao calvinismo. Professor de filosofia na universidade protestante de Sédan, emigrando, depois, para ensinar em Roterdão. •Apesar de viver o período posterior à revogação do Edicto de Nantes por Luís XIV, em 1685, continua a ser um defensor da monarquia absoluta, contrariando as posições huguenotes de então, que pretendiam um regresso aos monarcómacos. •Para compensar esta defesa da monarquia absoluta assume a necessidade de uma grande tolerância religiosa por parte do Estado. Neste sentido, antecede as teses da tolerância de John Locke. •Assume-se frontalmente contra as perspectivas de Hobbes que defendia a existência de uma só igreja nacional, em nome da necessidade de imparcialidade religiosa do governo, para que se evite a uniformidade. •Acredita na existência de une république des lettres, uma realidade sociológica que se situaria acima das fronteiras dos Estados. Assim, funda em 1684 uma revista de recensões literárias, Nouvelles de la République des Lettres que dura até 1687. •De certa maneira, transforma o livre arbítrio dos calvinistas no esprit critique, considerando que o obstáculo ao bom exame não vem tanto do facto do espírito estar vazio mas da circunstância de estar cheio de preconceitos.
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Última revisão:05-03-2009