© José Adelino Maltez, Tópicos Político-Jurídico, texto concluído em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008

 

 

 

Louis-Gabriel-Ambroise, Visconde de Bonald (1754-1840)

 

 

A sociedade foi primeiro família e depois Estado

 

•Pensador contra-revolucionário que entra em conflito com o processo em que se enrodilha a Revolução Francesa a partir de 1791, especialmente quando se insurge contra a feitura de uma constituição escrita. Parte, então, para o exílio.

•Acaba por aderir ao Império em 1810, sendo nomeado para o Conselho Universitário.

•Deputado com a Restauração em 1823, é também nomeado por Luís XVIII para o Conselho da Instrução Pública.

•Inventa a expressão relações sociais, depois desenvolvida por Comte, defendendo uma societé bonne, assente na família e nos grupos sociais naturais, como as corporações.

•Opondo-se ao despotismo, não deixa de defender a independência do poder monárquico, ao mesmo tempo que assume a perspectiva da descentralização, quando inclui a comuna entre os corps intermédiaires, privilegiando a comuna rural.

•Porque o homem só existe para a sociedade e a sociedade só o forma para si. Acredita, aliás, que existe, desde a criação, uma espécie de linguagem primitiva, que Deus teria gravado na mente dos homens e que passaria de geração em geração.

 

 

Théorie du Pouvoir Politique et Religieux dans la Societé Civile démontré par le Raisonnement et l'Histoire, 1796.. Cfr. reed. Paris, UGE, 1965. Obra escrita no exílio em Heidelberg.

Essai Analytique sur les Lois Naturelles de l'Ordre Social ou du Pouvoir, du Ministre et du Sujet dans la Societé, 1800.

Législation Primitive Considerée dans le Dernier Temps para les Seules Lumières de la Raison 1802.

Recherches Philosophiques, 1818.

Oeuvres Complètes, Paris, J.-P. Migne, 1859.

 

1Canaveira, Manuel Filipe Cruz, Liberais Moderados e Constitucionalismo Moderado (1814-1852), Lisboa, INIC, 1988, pp. 14 ss.; Brito, António José, «Louis de Bonald», in Logos, 1, cols. 727-730;  Gettel (1936), pp. 382 segs;  Maltez (ESPE, 1991), II, pp. 289-29;  Prélot, Marcel, Doutrinas Políticas, 3, secção «O Ideologismo Reaccionário: Bonald», pp. 276 segs.; Rials, Stéphane, «La Contre-Révolution», apud Ory, Pascal, op. cit., pp. 166 segs.; Guchet, Yves e Demaldent, Jean-Marie, Histoire des Idées Politiques. Tomo 2 De la Révolution à nos Jours, Paris, Armand Colin, 1996, pp. 58 ss..

 

Théorie du Pouvoir Politique et Religieux  dans la Societé Civile (1796)

 

•Obra de Louis de Bonald Théorie du Pouvoir Politique et Religieux dans la Societé Civile démontré par le Raisonnement et l'Histoire, escrita no exílio em Heidelberg, um dos livros básicos das teorias contra-revolucionárias.

Refere que a sociedade foi primeiro família e depois Estado. Uma postura já, aliás, assumida por Voltaire, para quem a mais antiga de todas as sociedades e a única natural é a da família.

•Tal como Maistre,  adopta um organicismo tradicionalista que exige a identidade entre o órgão e a função, em nome do princípio da divisão do trabalho. Durkheim, pelo contrário, vem considerar que as estruturas da sociedade podem mudar de função e que uma dinâmica divisão do trabalho implica o aparecimento de novas estruturas e, consequentemente, de novas formas de poder.

 

 

•Refere que diferentemente do homem aperfeiçoar a sociedade, ele não pode impedir a sociedade de se aperfeiçoar, ou melhor, não pode senão impedir o desenvolvimento das relações necessárias cujo conjunto forma a constituição.

•Com efeito, considera que a sociedade, feita de relações sociais, expressão por ele inventada, não é redutível a um complexo contratual de relações inter-individuais, dado que deriva de um princípio sobrenatural, a vontade de Deus, considerda como a fonte de todo o poder.

•Resta saber se, ao negar deste modo a  autonomia do político, não estará Bonald a ser mais jansenista do que católico, não está a deixar de ser conservador e tradicionalista e a caminhar para uma nova orientação revisora do classicismo aristotélico e tomista? (cfr. reed. Paris, UGE, 1965)

© José Adelino Maltez em Dili, Universidade Nacional de Timor Leste, ano de 2008

 

Última revisão:05-03-2009