© José Adelino Maltez, Tópicos Político-Jurídico, texto concluído em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008

 

 

 

Giovanni Botero (1540-1617)

 

 

A guerra deve ser encarada instrumentalmente, podendo servir para a promoção da paz civil

 

•Teórico da razão de Estado, cabendo-lhe a principal responsabilidade na consagração da expressão. Jesuíta, saído da ordem em 1581. Secretário do Cardeal Carlo Borromeu em Milão e depois dos duques de Sabóia.

•Considera que a guerra deve ser encarada instrumentalmente, podendo servir para a promoção da paz civil. Dá o exemplo da Espanha do seu tempo que, sendo mobilizada para guerras distantes, conseguiu garantir uma estabilidade interna, enquanto a França, sem tal participação, acaba por viver guerras civis religiosas.

•Autor de umas Relazioni Universali, editadas em quatro tomos, entre 1591 e 1596, onde também se preocupa com temas de demografia e da inevitável guerra, pode assim ser considerado um dos primeiros teóricos das relações internacionais.

 

 

Della Ragione di Stato, Milão, 1583. Ver a trad. port. Da Razão de Estado, de Luís Reis Torgal e Raffaela Longobardi Ralha, Coimbra, INIC, 1992.

Delle cause della grandezza e magnificenza delle Città, Roma, 1588.

Relazioni universali,, em 4 tomos, Roma, 1591-1596.

Discorso della neutralità, 1598.

 

1 Albuquerque, Martim, A Sombra de Maquiavel e a Ética Tradicional Portuguesa. Ensaio de História das Ideias Políticas, Lisboa, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 1974; Meinecke, Friedrich, L'Idée de la Raison d'État dans l'Histoire des Temps Modernes, Genebra, Droz, 1973, p. 68 ; Maltez, José Adelino, Ensaio sobre o Problema do Estado, Lisboa, Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1991, II, pp. 77 e 281.

 

 

Della Ragione di Stato (1583)

 

 

•Giovanni Botero define o Stato como un dominio fermo sopra popoli  e Ragione di Stato como notizia di mezzi  atte a fondare, conservare e ampliare  un dominio cosi fatti.

Considera que nas suas amizades e inimizades, os príncipes regulam-se sobre aquilo que lhes proporciona uma vantagem. Do mesmo modo que certos alimentos, insípidos em si mesmos, se tornam saborosos graças às especiarias que o cozinheiro lhes acrescenta, assim os princípes, sem terem uma inclinação natural, pendem para um lado ou para o outro, conforme o interesse que conduz o seu espírito e os seus sentimentos, porque, finalmente, a razão de Estado não é muito diferente da razão do interesse.

•A obra é traduzida para castelhano em 1593, por Antonio Herrera, introduzindo-se a partir de então, no âmbito ibérico, o vocábulo soberania.

 

© José Adelino Maltez em Dili, Universidade Nacional de Timor Leste, ano de 2008

 

Última revisão:15-02-2009