Jean-Antoine-Nicolas Caritat,
Marquês de Condorcet
(1743-1794).
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A única obrigação
social consiste em obedecer à razão colectiva da maioria; à razão,
digo, e não à vontade
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•Militante girondino
que se suicida para fugir às perseguições jacobinos. Adere à revolução, sendo
membro da Assembleia Legislativa e da Convenção, onde é companheiro
de Thomas Paine. Os dois, aliás, votam contra a morte do rei.
•Preso, durante o
Terror, será envenenado no cárcere pelos militantes revolucionários.
•Enquanto matemático,
é nomeado secretário perpétuo da Academia das Ciências e da Academia
de França. Em 1774, chega mesmo a ser nomeado por Turgot
inspector-geral das moedas.
•Colaborador da
Enciclopédia, biógrafo de Turgot, critica o pensamento
reaccionário e influencia Augusto Comte, principalmente
no tocante à ideia de progresso, sendo considerado o fundador
do sensualismo francês, que é o inspirador dos chamados ideólogos.
•Inventa a chamada
matemática social com que pretende fazer a aplicação do cálculo
às então chamadas ciências morais e políticas.
•Distancia-se do
método proposto por Voltaire que pretendia alterar o racionalismo
clássico pelo sentimento, na senda daquilo que viria a ser o
romantismo, dado que pretende elevar esse racionalismo àquilo que
qualifica como espírito matemático.
•Defende o princípio
da unidade de acção, considerando que o sistema social deve
ser dirigido por uma acção única, limitada e regulada pela lei.
•Considera, assim que
a única obrigação social consiste em obedecer à razão colectiva
da maioria; à razão, digo, e não à vontade.
•Neste sentido,
define o poder legislativo como aquele que consiste em declarar
quais as regras comuns de acção que parecem ser, de acordo com o
pensamento da maioria, mais conformes à razão. Em vez da
vontade geral, fala numa razão geral, onde a maioria não
tem autoridade nem poder por simples questões aritméticas.
•Critica também
o método de
Montesquieu, considerando-o experimental ou empírico, mas não
manifesta qualquer simpatia pelas instituições inglesas, por
considerá-las produto dos acontecimentos.
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 Réfléxions
sur l'Esclavage des Nègres,
Neuchâtel, 1781.
 De
l'Influence de la Révolution d'Amérique sur l'Europe,
1786.
 Essai
sur la Constitution et les Fonctions des Assemblées Provinciales,
1788.
 Lettres
d'un Bourgeois de New-Haven à un Citoyen de Virginie, sur l'inutilité de
partager le pouvoir législatif entre plusieurs corps,
1788.
 Plan
de Constitution,
1788.
 Sur
l'Instruction Publique,
1791-1792.
 Sur
le Sens du Mot Révolutionnaire,
1793.
 Influence
de la Révolution d’Amérique sur l’Europe,
1786.
 Esquisse
d’un Tableau Historique des Progrès de l’Esprit Humain,
1794. Cfr. trad. port.
de Maria Antonieta Godinho, Quadro dos Progressos do Espírito Humano,
Lisboa, Cosmos, 1946).
0
Kintzler, Catherine, Condorcet, l'Instruction Publique et la Naissance du
Citoyen, Paris, Le Sycomore, 1985.
1
Gardiner (1974), pp. 60 segs; Gettel (1936), pp. 350 segs; Maltez (ESPE,
1991), I, p. 15; Morujão, Alexandre Fradique, «Condorcet», in Logos,
1, col. 109; Prélot (DP), 3, pp. 101 segs; Royer, Marie-Claude, Châtelet
(DOP), pp. 164-16; Truyol (HFDE), II, 1982, pp. 296 segs; Theimer
(1970), trad. port., pp. 171 segs..
Esquisse d’un
Tableau Historique des Progrès de l’Esprit Humain (1794)
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Obra de Condorcet
escrita em 1793-1794, repleta de optimismo histórico, quando o autor
estava a ser vítima da revolução a que aderira como girondino.
Perseguido pelos jacobinos, acaba por suicidar-se no mesmo ano em
que completava esta obra, deixada ainda como esboço.
Influenciado por Voltaire e Turgot, o texto é dominado pela ideia
de progresso. Discípulo dos fisiocratas, considera que o Estado
deve ter uma acção limitada, cabendo-lhe tão só garantir o exercício
dos direitos naturais, abstendo-se de qualquer intervenção na
economia. As tarefas do Estado devem resumir-se ao estabelecimento
de um sistema de pesos e medidas, de cunhagem da moeda, de
lançamento de impostos para se custearem as despesas com a segurança
externa, a ordem pública, o fomento da prosperidade geral e a
conservação dos direitos do homem. Propõe a abolição da escravatura
e que devem civilizar-se todos os povos. Estabelece um programa de
universalização da instrução e de abolição das guerras (cfr. trad.
port. de Maria Antonieta Godinho, com prefácio de Vitorino Magalhães
Godinho, Quadro dos Progressos do Espírito Humano, Lisboa,
Cosmos, 1946).
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