© José Adelino Maltez, Tópicos Político-Jurídico, texto concluído em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008

 

 

Juan F. M. Donoso-Cortès, Marquês de Valdeganas (1809-1853)

 

 

No estado normal das sociedade não existe o povo, só existem interesses que vencem e interesses que sucumbem, opiniões que lutam e opiniões que se amalgamam, partidos que se combatem e que se reconciliam.

 

 

 

 

Pensador contra-revolucionário espanhol, formado em direito e diplomata. Começa como liberal, apoiante da regente Maria Cristina contra o carlismo, como se expressa nas primeiras obras, ainda marcadas pelos chamados doctrinaires. Chega mesmo a ser secretário da regente quando esta se encontra refugiada em Paris (1840-1843).

 

Muda de posição a partir de 1849, quando é embaixador em Berlim (desde 1848) e volta para Paris a partir de 1850, onde publica o Discurso sobre Europa (1850) e, sobretudo o Ensayo sobre el Catolicismo, el Liberalismo y el Socialismo (1851) que o torna célebre.

 

Aqui vê o socialismo como uma espécie de Anticristo, assumindo uma visão apocalíptica, profetizando a ascensão da Prússia, a decadência da França e a emergência do eslavismo, propondo como solução o regresso à autoridade secular e supra-estatal do Papa.

 

Desdenha do liberalismo dos burgueses, definidos como uma classe discutidora e defende a infalibilidade legal do soberano. Influencia os modelos de Napoleão III, do boulangismo e de Maurras.

 

É considerado o fundador do conservadorismo antidemocrático e antiliberal, contrariamente à perspectiva de Burke e dos conservadores britânicos.

 

·Memoria sobre la Situacion Actual de la Monarquia, 1832.

·Lecciones de Derecho Político, 1836-1837.

·Principios Constitucionales, 1837.

·Discurso sobre la Dictatura, 1849.

·Discurso sobre Europa, 1850.

·Ensayo sobre el Catolicismo, el Liberalismo y el Socialismo, 1851. Cfr. 3ª ed., Madrid, Ediciones Espasa-Calpe, 1973.

 

1851 Ensayo sobre el Catolicismo, el  Liberalismo y el Socialismo

 

Lacambra, Luis Legaz, La Idea de Estado em Donoso Cortès e Vasquez de Mella, 1945.

Schmitt, Carl, Interpretación Europea de Donoso Cortès, trad. cast., 1952.

 

Brito, António José, «Donoso Cortès», in Logos, 1, cols. 1460-146;  Corral, Luis Diez Del, El Liberalismo Doctrinario, pp. 549-58;  Maltez (ESPE, 1991), II, p. 29;  Possenti, Vittorio, A Boa Sociedade. Sobre a Reconstrução da Filosofia Política, Lisboa, IDL-Instituto Adelino Amaro da Costa, 1986, pp. 283 segs..

© José Adelino Maltez em Dili, Universidade Nacional de Timor Leste, ano de 2008

 

Última revisão:05-03-2009