© José Adelino Maltez, Tópicos Político-Jurídico, texto concluído em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008

 

 

François de Salignac de la Motte  Fénélon (1651-715)

 

 

Quando os reis se acostumam a não conhecer outras leis a não ser as suas vontades absolutas… tudo cede, os sábios fogem, escondem-se, acabam … Eles já não têm povo, não têm senão escravos. Quem lhes dirá a verdade?

 

•Chamado o cisne de Cambrai. Herdeiro das perspectivas de Erasmo, assume o consensualismo anti-absolutista, em rivalidade com Bossuet. Apesar de se assumir formalmente contra os jansenistas é acusado de os proteger e receber alguns dos respectivos princípios.

•O seu pensamento político pode resumir-se nas palavras com que qualificou o modelo político grego: em Atenas tudo dependia do povo e o povo dependia da palavra.

•Padre desde 1675. No reinado de Luís XIV, em 1689, é encarregado da educação de três dos infantes: o duque da Borgonha (1689-1695), o duque de Anjou, mais tarde rei de Espanha, e o duque de Berry.

•Ascende a arcebispo de Cambrai em 1694, naquilo que muitos consideram mera manobra para o afastar da Corte. Assume-se já então como o principal adversário de Bossuet, o preceptor do Grande Delfim, morto em Abril de 1711.

•É aí recebe o fidalgo escocês Andrew Michael Ramsay, anglicano que converte ao catolicismo e a quem inspira um Essai sur le gouvernement civil, selon les principes de Fénelon, por A. M. Ramsay, Londres, 1723.

 

 

Traité de l’éducation des filles, 1687.

Lettre à Louis XIV, cerca de 1694.

Les Aventures de Télémaque, 1699. Obra escrita cerca de 1694

Dialogues des morts, composés par l'éducation d'un prince,  1712.

Examen de Conscience sur les devoirs de la Royauté, composé pour l'instruction du duc de Bourgogne, 1697. Apenas impresso em 1734.

Projects de Gouvernement du duc de Bourgogne, obra também conhecida por Tables de Chaulnes, 1711. Obra escrita em Chaulnes, na Picardia, com a colaboração do duque de Chevreuse. Trata-se d eum programa de governo para o neto de Luís XIV, o duque da Borgonha, no ano da morte do Grande Delfim.

 

1Guchet, I, 333 ss.. Gidel, G., La Politique de Fénelon, Genebra, Slatkine Reprints, 1971

 

 

Les Aventures de Télémaque (1694)

 


 

•Obra de Fénelon escrita cerca de 1694. Adopta um género literário, na linha da Utopia  de Thomas More, narra as viagens do filho de Ulisses à procura do pai, visando-se ensinar mitologia e história da Antiguidade.

•Apesar de considerar tal uma espécie de divertimento literário, acaba por fazer uma mordaz crítica à França do reinado de Luís XIV que chega a proibir a obra.

•Salienta que quando os reis se acostumam a não conhecerem outras leis a não ser as suas vontades absolutas… tudo cede, os sábios fogem, escondem-se, acabam … Eles já não têm povo, não têm senão escravos. Quem lhes dirá a verdade?

•Depois do despotismo, o segundo vício da sociedade é o luxo, que envenena toda a nação … que se acostume a ver como ncessidades da vida as coisas mais supérfluas. Descreve o reino da Bética como um lugar onde todos os bens são comuns e onde comanda o amor fraternal

© José Adelino Maltez em Dili, Universidade Nacional de Timor Leste, ano de 2008

 

Última revisão:05-03-2009