© José Adelino Maltez, Tópicos Político-Jurídico, texto concluído em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008

 

 

 

William Godwin (1756-1836)

 

 

Above all we should not forget that government is an evil, a usurpation upon the private judgement and individual conscience of mankind.

 

•Filósofo e romancista britânico. Começa como pastor presbiteriano, mas abandona a fé e, influenciado pelo radicalismo democrático da Revolução Francesa, acaba por aderir a um anarquismo utópico, marcado pelo utilitarismo e onde só admite formas de propriedade privada que possam trazer felicidade.

Considera, contudo, que Revolution is engendered by an indignation with tyranny, yet is itself pregnant with tyranny.

•Casado com Mary Wollstonecraft (1759-1797).

•Professa o modelo de idealismo libertário ou de anarco-idealismo, quando visualiza uma sociedade sem Estado.

•É contra as teses deste autor que Malthus procura expressamente responder. Government is an evil...and...however we may be obliged to admit it as a necessary evil for the present it behoves us as the friends of reason and the human species, to admit as little of it as possible and carefully to observe whether in consequence of the illumination of the human mind, that little may not hereafter be diminished.

Assume, de acordo com o Iluminismo, a ideia de perfectibilidade, porque o emprego da razão leva à mobilização das potencialidades humanas, num processo de optimismo antropológico a que aderem outros autores como Voltaire, Saint-Simon, Kant, Hegel, Comte e o próprio Marx.

Porque justice is the sum of all moral duty e  the cause of justice is the cause of humanity. Its advocates should overflow with universal good will. We should love this cause, for it conduces to the general happiness of mankind.

 

 

·Enquiry Concerning Political Justice and his Influence on General Virtue and Happiness, Londres, 1793. Novas edições de 1795 e 1797, revistas pelo autor.

·On Population, 1820. Resposta às teses de Malthus.

·Thoughts on Man, 1831. 

 

0 Butler, Marilyn, ed., Burke, Paine, Godwin and the Revolution Controversy, Cambridge, Cambridge University Press, 1989.

 

1 Theimer (1970), trad. port., pp. 303 segs..

 

Enquiry concerning Political Justice (1793)

 

 

William Godwin considera os homens como seres racionais e perfectíveis tendo em vista a verdade e a justiça. Se a sociedade humana é boa, o poder político é mau, dado que usa a coerção, a fraude, a exploração e a venalidade, corrompendo os povos, lançando os indivíduos uns contra os outros. Quanto mais cresce o conhecimento moral e político, menor tende a ser a submissão dos indivíduos à autoridade arbitrária. Quanto mais se desenvolve o auto-governo, mais somos capazes de conciliar a razão e a justiça. Daí que o governo tenda a desaparecer até chegar a sociedade natural onde cada um pode viver segundo a verdade e a justiça. Dominará então o poder de convicção da razão e a força da verdade, dado que passamos a viver segundo a moral, apesar de, numa fase de transição para esse auto-governo da sociedade anárquica continuemos a ser governados por uma assembleia de representantes.

 

 

© José Adelino Maltez em Dili, Universidade Nacional de Timor Leste, ano de 2008

 

Última revisão:05-03-2009