© José Adelino Maltez, Tópicos Político-Jurídico, texto concluído em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008
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Ernst Heinrich Haeckel (1834-1919)
Médico e professor de anatomia comparada e zoologia em Jena, foi um dos pilares do naturalismo e do cientificismo e autor de uma vulgata, editada em 1899, da qual foram vendidos cerca de 400 000 exemplares.
Fundador do monismo materialista que marca o naturalismo do século XIX, considera que seres vivos e matéria inorgânica integram uma única substância eterna e infinita, a Natureza, apenas sujeita à transformação, dado que não resultou da criação nem poderá ser objecto de destruição.
Nega, assim, a metafísica, bem como a distinção entre natureza e cultura. A própria reflexão filosófica não passaria de uma das fases do desenvolvimento biológico, produto da evolução do cérebro.
Se aceita o determinismo científico, também nega o próprio livre-arbítrio; se reage contra os modelos de filosofia da natureza anteriores, marcados por Goethe, assume o darwinismo, não como simples teoria científica e filosófica, mas, sobretudo, como instrumento de libertação política e religiosa.
Adopta também uma morfologia estritamente mecanicista, tentando uma unificação da filosofia e das ciências da natureza, pelo que transforma a darwiniana lei da evolução numa lei biogenética fundamental, segundo a qual a ontogénese, enquanto desenvolvimento individual do embrião, é uma recapitulação abreviada e incompleta da filogénese, enquanto desenvolvimento evolutivo da espécie.
Em nome destas doutrinas chega a criar-se em 1906 a Liga Monista.
Cabe-lhe cunhar o termo ecologia (de oikos, casa), em 1866 definindo-a como a ciência que tem como objecto o estudo das relações que se estabelecem entre o ambiente, o habitat, e os organismos vivos que nele habitam.
Die Welträtzel (Enigmas do Universo), 1899. Die Lebenswunder (As Maravilhas do Mundo), 1904.
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Última revisão:05-03-2009