Ibn Khaldûn (1332-1306)

 

 

O homem é o único animal que não pode viver sem uma autoridade que o contenha pela força

 

 

Mugaddimah, 1377. Prolegómenos de história universal.

Kitâb-al-‘Ibar, 1374-1378. Cfr. trad. fr. de V. Monteil, Discours sur l'Histoire Universelle, Paris, Sinbad, 1978.

 

1Étienne, Bruno, «Ibn Khaldûn», Châtelet (DOP), pp. 373-380.

 

•Político, historiador e juiz islâmico. Nasce em Túnis, estudando na cidade natal e em Fez, de 1347 a 1357. Escreve uma história universal entre 1374 e 1378. Vive como conselheiro e a partir de 1384 instala-se no Cairo, como juiz e professor.

•Reage contra o anterior racionalismo averroísta que dominava a teoria islâmica e assume o realismo, descrevendo minuciosamente os factos para, a partir deles, descobrir as relações que os regem.

•A  história é assim entendida como a informação sobre a sociedade humana, não estando dependente de uma prévia revelação.

•Precedendo Hobbes, considera que a origem do Estado deriva, não de ameaças exteriores, mas sim de um estado de guerra intestina, dado que o homem é um ser naturalmente belicoso.

•Porque a agressividade e a injustiça são da própria natureza do homem, a organização social impõe que os homens tenham uma espécie de freio que os controle e separe. Assim, considera que o homem é o único animal que não pode viver sem uma autoridade que o contenha pela força. 

Faz uma distinção entre a sociedade (umirán) e o Estado, salientando a existência da solidariedade ou espírito de grupo (açabiyyah). Considera que, primeiro, surge a autoridade tribal, a qual, impulsionada pela procura da glória, se transforma, nalguns casos, em realeza.

•Surge, então, a comunidade política que, começando no parentesco, se transforma num coactivo absolutista que, levando ao aumento da riqueza e da prosperidade, também conduziu à tirania e à subsequente fragmentação. Neste sentido, considera que cada Estado tem um ciclo de 120 anos, com três gerações e cinco fases.

 

 

 

Última revisão:15-02-2009