John the Scot ou Duns Escoto ( 1265?-1308)

 

 

As regras do governo divino do mundo estão determinadas mais pela vontade do que pela sabedoria de Deus

 

 

De Primo Principio.

Opus Oxoniense ,1305-1306.

 

•Estuda em Oxford. Ensina em Oxford e Palermo. Banido de França em 1304, depois de um conflito com Filipe o Belo. Autorizado a voltar a Paris em 1305. Passa para Colónia em 1307. 

•Considera que tal como Deus tem uma potentia absoluta, assim os senhores temporais, como os reis, à imagem e semelhança de Deus, também possuem um poder absoluto que pode ir além da lei e até contra a lei.

•Nesta senda, Calvino vai também considerar que o poder absoluto de Deus se traduz numa faculdade soberana de criação do direito. assumindo o primado da vontade sobre o intelelecto e, deste modo, retomando algumas das pistas anteriormente lançadas por Santo Agostinho.

•Escoto salienta que a mesma vontade, na sua potentia ordinata, está limitada pela lei, mas, na sua potentia absoluta, pode actuar de facto, contra a lei, embora de iure esteja por ela vinculada Conclui, deste modo, que a potentia absoluta e a potentia ordinata apenas divergem para aquele que está submetido a uma lei superior. Se em Deus não há nenhuma lei superior, é a sua vontade que cria toda a lei.

•Assim, na sua actuação, não há divergência entre os dois poderes, porque toda a respectiva actuação é sempre justa e ordenada (as regras do governo divino do mundo estão determinadas mais pela vontade do que pela sabedoria de Deus). Em Deus, o poder e a justiça coincidem. A justiça de Deus tem a mesma extensão que o poder absoluto de Deus, embora a mesma vontade de Deus esteja vinculada à essência divina e às leis da lógica. E só o Decálogo tem carácter necessário, constituindo a lei natural em sentido estrito, porque o direito natural em sentido amplo funda-se na vontade de Deus, não se inscrevendo na essência divina.

 

0 Albuquerque, Martim, «O Escotismo Político de Camões», Lisboa, 1981, separata de Brotéria, nº 112, pp. 537-560; Gilson, Étienne, Jean Duns Scot, Introduction à ses Positions Fondamentales, Paris, Librairie Vrin, 1952; Ribeiro, Ilídio, O Doutor Subtil João Duns Escoto, 1944.

 

1 Gonçalves, Joaquim Cerqueira, «Duns Escoto», in Logos, 2, cols. 189-196.; Russell, Bertrand, A History of Western Philosophy, 1945 (Nova Iorque, Simon & Schuster, 1972), pp. 400 segs..

 

 

Última revisão:15-02-2009