© José Adelino Maltez, Tópicos Político-Jurídico, texto concluído em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008

 

 

 

Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716)

 

 

A totalidade dos espíritos deve formar a Cidade de Deus, isto é, o mais perfeito Estado possível, sob o mais perfeito dos Monarcas. Esta Cidade de Deus, esta verdadeira monarquia universal, é um mundo moral no mundo natural, e é o que mais se deve exaltar entre as obras de Deus 

 

•Contrariando a leitura absolutista, então assumida por Bossuet, considera que a unidade da Europa não resulta do direito divino, dado surgir do consenso unânime dos que não se opuseram ao bem comum da Cristandade.

•Se defende a soberania de todos os príncipes alemães, mesmo dos não eleitores, pugna pela maiestas do Império, que deveria ter alguma autoridade, uma espécie de primazia, o que se poderia obter transformando os Concílios ecuménicos num Senado Geral da Cristandade. Ei-lo luterano, a reconhecer a necessidade de unificação da cristandade através de um papado verdadeiramente universal.

•Chega mesmo a observar que a Reforma não teria sido necessária se tivessem sido aplicadas as decisões do Concílio de Constança e se as teses do movimento conciliarista do século XV fossem assumidas pela Igreja.

•A chave para o entendimento desta conciliação entre a supremacia ou soberania das várias unidades do Império e a maiestas deste, leva, contudo, a uma rejeição do conceito de soberania de Hobbes.

•Com efeito, para os soberanistas só poderia haver Estados unitários ou uma aliança de Estados unitários, enquanto Leibniz advoga um conceito de soberania divisível e a consequente possibilidade de um duplo governo, algo menos que um Estado unitário e algo mais do que uma simples aliança.

•Advoga a ligação entre o direito e a moral bem como o carácter omnicompreensivo da justiça, admitindo a existência de vários graus do bem: num primeiro grau, equivalente ao honeste vivere, temos aquilo que ele considera como a justiça universal, em relação com Deus e correspondente à piedade, abarcando todas as virtudes e tendo por fim a salvação.

•Num segundo grau, correspondente  ao suum cuique tribuere, surge a justiça distributiva, em relação com a humanidade, correspondente à equitas e identificando-se com a caridade.

•Num terceiro grau, correspondente ao neminem laedere, temos o direito em sentido estrito, a relação com a sociedade política.

 

 

De arte combinatria, 1666.

Nova methodus docendaeque docendaeque jurisprudentiae, 1667.

Observationes de principio juris, 1670.

Théorie du mouvement concret et du mouvement abstrait (1670)

Hypothesis Physica Nova, 1671.

Confessio philosophi, 1673

De juri suprematus ac legationis principum germaniae, 1677.

Nova methodus pro maximis et minimis, 1684.

Discours de métaphysique, 1686.

Système nouveau de la nature et de la communication des substances, 1695.

Nouveaux Essais sur L’entendement humain, 1705.

Essais de théodicée, 1710.

Principes de la Nature et de la Grace fondés en Raison - Monadologie, 1714. Ou Principia Philosophiae, 1721. Só em 1840 é que Erdmann utiliza o título de Monadologias.

 

1 Battaglia (1951), I, pp. 249 segs;  Cerroni (PP). Das Origens aos Nossos Dias, III, pp. 213 segs;  Fragata, Júlio, «Leibniz», in Logos, 3, cols. 293-30;  Gierke (NL,1938), pp. 104, 137, 146, 157, 164, 175, 196 e 19;  Moncada (FDE), I, pp. 179 segs. ;  Russell, Bertrand, A History of Western Philosophy, 1945 (Nova Iorque, Simon & Schuster, 1972), pp. 581 segs..;  Sève, René, «Leibniz», Châtelet (DOP), pp. 435-43;  Truyol (HFDE). 2-Del Renacimiento a Kant, secção «Iusnaturalismo y Tradición Cristiana», Madrid, Alianza Universidad, 1982, pp. 218 segs..

 

 

Principia Philosophiae ou Monadologias (1721)

 


 

•Leibniz descobre em 1675 os princípios fundamentais do cálculo infinitesimal, na mesma altura em que, de forma independente, Isaac Newton chega também a tal descoberta (1666).

•Para ele o universo é composto de mónadas, centros de força espiritual ou de energia. Cada uma delas seria um micro-cosmos, um espelho do universo, através de vários degraus de perfeição e desenvolvendo-se independentemente de outras mónadas.

E o universo que as mesmas constituiriam seria harmonioso, resultando de um plano divino, gerando-se aquele melhor dos mundos possíveis, que Voltaire caricaturizaria na novela Candide de 1759.

•As Monadologias  serão publicadas em latim sob o título de Principia Philosophiae, em 1721. Só em 1840 é que Erdmann utilizou aquele título para um trabalho que  Leibniz tinha deixado sem baptismo.

Mónada, de onde vem monismo, significa o uno como aquele que é oposto ao plúribo. O termo, criado por Pitágoras, já era utilizado por Platão, sendo retomado por Giordano Bruno, quando se procura identificar os elementos físicos ou psíquicos simples que compõem o universo

 

© José Adelino Maltez em Dili, Universidade Nacional de Timor Leste, ano de 2008

 

Última revisão:05-03-2009