© José Adelino Maltez, Tópicos Político-Jurídico, texto concluído em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008
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Giuseppe Mazzini (1805-1872)
Advogado, carbonário, vê a unificação italiana como o início da unificação europeia, desenvolvendo uma intensa actividade de agitador, tanto através de sociedades secretas como por meio de brochuras e manifestos. Mistura o liberalismo com uma certa concepção teísta, adoptando como divisa, desde 1831, Deus e Povo. Defensor daquilo que François Châtelet qualifica como o nacionalismo filantrópico, é o criador dos movimentos Jovem Itália (fundada em Marselha, em 1831) e Jovem Europa (fundada na Sabóia, em 1834), ambos em forma de sociedade secreta. Em 1847, em Londres, chega a apelar ao papa Pio IX para encabeçar o movimento da unificação italiana. No ano seguinte, volta para Itália, participando em vários movimentos subversivos. Uma figura de encruzilhada que, depois de tentar conciliar a ideia de federação europeia com o nacionalismo italiano, acaba no gnosticismo da Terceira Roma. Propõe a instauração na Itália de uma republica unitária e democrática, através da insurreição popular e até pretende fazer imbuir o patriotismo italiano de um fervor moral. Três anos mais tarde, em 1834, depois de ser expulso de França e de tentar invadir o Piemonte, quando está exilado em Berna, funda outro movimento, a Jovem Europa. O agitador italiano volve-se agora em agitador europeu, procurando congregar todos os movimentos congéneres. Estabelecido em Londres desde 1837, é daí que chega a propor a convocatória de um grande congresso europeu, juntando todos os movimentos republicanos da França, da Polónia, da Alemanha, da Hungria e da Itália, marcados pelo mesmo ideal, simultaneamente nacionalista e europeísta. Com a primavera dos povos de 1848, regressa a Itália, onde dirige a revolta de Nápoles contra os austríacos, em Março, passando, depois, para a Toscânia e para Roma, onde os seus partidários, em Fevereiro de 1849, chegam a proclamar uma república, com um triunvirato, por ele participado, que governa ditatorialmente até ao mês de Junho, quando as tropas francesas restabelecem a autoridade temporal do papa. Lançado de novo no exílio londrino, não deixa de promover mais uma série de revoltas, todas elas frustradas, em Mântua (1852), Milão (1853) e Génova (1857). Opondo-se à política de unificação italiana promovida pelo Piemonte e muito particularmente à aliança que Cavour fez com Napoleão III, sofre um profundo desaire quando o principal dos seus partidários, Garibaldi, se alia ao processo monárquico da unificação. A partir de então, propõe que se separem os destinos da pátria dos destinos da monarquia, visando transformar a nação num corpo armado, estreitamente ligado a todos os povos livres, para apressar a vitória da unidade republicana em Itália. A este projecto se unem muitos revolucionários franceses, espanhóis, portugueses e boémios, visando, conforme as palavras de Mazzini, que o estremecimento momentâneo havia de transformar-se, vinte e quatro horas depois, no hurrah! de uma insurreição medonha. Em 1870 ainda desembarca clandestinamente na Sicília, mas é preso. Vive os seus últimos dias no exílio suíço, em Lugano, mas, em 1872, fazendo-se passar por um inglês, ainda consegue regressar a Itália, onde morre em Pisa.
·Manifesto da Jovem Itália, 1831. Jovem Europa, 1834 ·A Santa Aliança dos Povos, 1849. ·Guiseppe Mazzini. I Sistemi e la Democrazia. Pensieri, Milão, Greco & Greco, 2005.
ì 1834 Jovem Europa
1 Maltez (1996), pp. 420, 428, 429, 510, 511, 512, 513, 514 e 53; Theimer (1970), trad. port., pp. 419 segs; Vechio (LFD), pp. 235 segs; Mattarelli, Sauro, Dialogo sui Doveri. Il Pensiero de G. M., Veneza, Marsilio, 2005; Frétigné, Jean-Yves, G.M. Père de l’Unité Italienne, Paris, fayard, 2006.
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Última revisão:05-03-2009