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Fiquei com
a honra de ter substituído a um laço moderno por outro que,
desde o princípio da monarquia, fora reputado realista e
nacional
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•Francisco
Manuel Trigoso de Aragão Morato. Lente de direito. Deputado
vintista, marcado pelo consensualismo tradicionalista, não
se assume como não liberal e não regenerador, mas antes como
um moderado, tendo, aliás, posições típicas dessa
postura. Alinha, depois, com o partido de D. João VI e
torna-se figura fundamental do primeiro cartismo, da
regência de D. Isabel Maria, tendo a oposição dos que,
então, se assumem como ultra-liberais. Assim
permanece depois de 1834, ao lado Frei Francisco Saraiva.
•Em 14 de
Fevereiro de 1821 está contra a liberdade de imprensa. Em 15
de Fevereiro, com 32 deputados, vota contra a extinção da
censura prévia. Em seguida propõe que no texto
constitucional, em vez da expressão a soberania reside
originariamente em a Nação, surja a soberania reside
essencialmente em a nação. Defende, com 26 deputados, a
existência de duas câmaras. Com sete deputados, vota a favor
do veto absoluto do rei, porque para evitar o despotismo
Real, se caía no despotismo ainda pior do corpo legislativo.
•Sobre o
ambiente de 1821, observa: os regeneradores, dando as
mãos aos membros da Regência, seguidos pelos liberais do
Congresso, e aplaudidos pelo povo das galerias para isso
ganhado, faziam todas as coisas a seu modo e combinam
particularmente o método por que em público haviam de
dirigir as discussões. É verdade que não tolhiam
absolutamente aos outros Deputados a liberdade de seguirem
diferentes opiniões; mas uns destes, já por medo, já por
ignorância, já por má fé, calavam-se e votavam com os
primeiros, e os outros, muito menos em número, não se
ajustavam entre si, e, por isso, além de serem sempre
vencidos, expunham-se cada dia aos sarcasmos dos liberais e
às risadas dos espectadores
•Ainda em
Agosto de 1821, durante a discussão nas Cortes sobre o laço
nacional, pois até então vigora azul e encarnado que o rei
qualificara como as cores da sua libré, o deputado
Manuel Gonçalves Miranda propõe as cores azul e amarela, de
origem maçónica. Aragão Morato consegue fazer vencer outra
proposta, invocando o azul e branco, as cores do primeiro
escudo português, desde o Conde D. Henrique: (21 de Agosto).
•Membro da
junta criada em 18 de Junho de 1823 para a reforma da lei
fundamental. Elabora, então a Memoria em que se mostra
qual é a forma de governo monarchico mais apropriada às
instituições antigas de Portugal, e mais digna de se adoptar
nas nossas actuaes cicumstâncias.
•Sobre 1825,
refere que os ingleses, isto é, o Ministério de Mr.
Canning, depois de terem conseguido de El-rei D. João VI a
demissão dos seus ministros e de terem extorquido d’Ele os
poderes para Sir Charles Stuart … negociar o Tratado que
declarou a independência do Brasil, tomou a peito um novo
projecto, que é o de fazer que El-Rei desse uma nova Carta.
O procurador deste negócio em Lisboa é Sir William A’Court…
Os nossos liberais não ignoravam este projecto e faziam o
que podiam para ele ir avante
•Ministro do
reino do governo da regência de D. Isabel Maria, de 1 de
Agosto a 6 de Dezembro de 1826 (onde foi substituído por
Moura Cabral). É a alma das Instruções de 7 de Agosto de
1826, que permitiram as eleições do primeiro cartismo.
•Discorda da
política de D. Pedro IV em Novembro de 1833. Vice-presidente
da Câmara dos Pares em 1834.
•Acusado de
alta-traição em Novembro de 1836, na sequência da
belenzada. Autor de várias memórias, nomeadamente sobre
os escrivães da puridade e os secretários de Estado (1838).
§Memórias
de Francisco Manuel Trigoso de Aragão Morato Começadas a
Escrever por Ele mesmo em Princípios de Janeiro de 1824 e
Terminadas em 15 de Julho de 1835 (1977 a 1826),
Coimbra, 1935, revistas por Ernesto Campos de Andrade.
1
DBP (Inocêncio), II, pp. 458-461; DVPC (Zília Osório de
Castro), II, pp. 268 sss..
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