© José Adelino Maltez, Tópicos Político-Jurídico, texto concluído em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008

 

 

 

Friedrich von Hardenberg Novalis (1772-1801)

 

 

 

A poesia é o autêntico real absoluto. Isto é o cerne da minha filosofia. Quanto mais poético, mais verdadeiro

 

• Luterano de obediência morávia, marcado pelo pietismo e pela nostalgia da Idade Média, que critica a ruptura da Reforma como até chega a elogiar a acção dos jesuítas. Morre tuberculoso com apenas 29 anos, sempre nessa ansiedade infinita, sempre na procura da flor azul inantingível..

•Defende a unidade espiritual da Europa sem qualquer cedência às fronteiras nacionais, advogando a restauração da respublica christiana e concebendo a Europa como um Estado dos Estados, considerando que só a religião a pode refazer.

•Defende o que qualifica como idealismo mágico, considerando que a pátria do homem é o seu mundo interior. Proclama que todas as fábulas são apenas sonhos daquele mundo pátrio que está em todo o lado e em lugar nenhum. As potências superiores dentro de nós, que um dia executarão como génios a nossa vontade, agora são musas que, neste caminho trabalhoso, nos restauram com doces recordações

 

Die Christenheit oder Europa (1799).

 

 

 

Fé e Amor, ou o Rei e a Rainha

Novalis, tentando fundir os contrários, como os românticos da época, critica a herança de Frederico II que teria administrado a Prússia como se esta fosse uma fábrica. Neste sentido, considera necessário um casamento, uma aliança entre o princípio do rei, entendido como um homem de nascimento superior, e o princípio da república, a adesão a uma personagem ideal. Conclui assim que o verdadeiro rei será a república; a verdadeira república será o rei.

Die Christenheit (Die) oder Europa [1799] *Novalis Obra escrita em 1799, publicada parcialmente em 1826 e integralmente apenas em 1880. Critica a Reforma, por ter quebrado a unidade da respublica christiana, considerando que talvez a Europa venha a acordar, talvez estejamos na aurora de um Estado dos Estados, de uma Ciência Política (... ) é preciso que venha o tempo sagrado da paz eterna, onde a Nova Jerusalém seja a capital. Partindo do princípiso que só a religião pode restaurar a Europa, invoca a necessidade de uma paz eterna que só espiritualmente poderia realizar-se. Neste sentido, reclama a instauração de uma internacional mística, tal como fôra a Igreja Católica na Idade Média, a única forma que visiona para superar a razão de Estado e a luta dos egoísmos nacionais. Adoptando aquilo que qualifica como um idealismo mágico, vem dizer que a pátria do homem é o seu mundo interior, defendendo que o mundo deve ser romantizado, dado que importa conferir alto sentido ao que é comum, aparência misteriosa ao que é ordinário e dignidade incógnita ao que é conhecido. Para tanto, aponta como meta um regresso tanto à Idade Média como ao espírito da Reforma: o problema supremo da cultura é o de se apropriar do próprio eu trancendental, de ser, ao mesmo tempo, o eu do próprio eu. Por isso surpreende pouco a falta de percepção e de inteligência completa dos outros. Sem uma perfeita compreensão de nós mesmos não é possível conhecer verdadeiramente os outros.

 

© José Adelino Maltez em Dili, Universidade Nacional de Timor Leste, ano de 2008

 

Última revisão:05-03-2009