© José Adelino Maltez, Tópicos Político-Jurídico, texto concluído em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008

 

 

 

Claude Henri de Rouvroy, Conde de Saint-Simon (1760-1825)

 

 

 

 

O Estado é um intermediário organizado destinado a acabar com a exploração do homem pelo homem

 

•Oriundo da grande nobreza francesa, é sobrinho do memorialista Louis de Rouvroy. Começa como militar, combatendo na América em 1779. Adere à Revolução em 1789. Preso em 1793-1794, mas não por razões políticas. Apoia Bonaparte.

•Tem como secretários particulares, Augustin Thierry, em 1814, e Auguste Comte, a partir de 1817. Funda L'Industrie, em 1818, e L'Organizateur, 1819. Entre os seus principais discípulos, teremos Lesseps, o construtor do canal de Suez, e Prosper Enfantin.

•Um dos clássicos do socialismo utópico. Descobre a lei dos três estados, inventa a ideia moderna de planeamento e fomenta uma ideia de renovação moral, paralela ao desenvolvimento de grandes obras públicas, influenciando em França o desenvolvimento dos caminhos de ferro e a construção do canal de Suez, bem como a renovação do sistema bancário.

•Considera que foi Descartes quem organizou a insurreição cientifica. Foi ele que traçou a fronteira entre as ciências antigas e modernas; foi ele que levantou a bandeira a que se acolheram os físicos no ataque aos teólogos; foi  ele que arrancou o ceptro do mundo das mãos da imaginação para colocá-lo nas mãos da razão; estabeleceu o célebre princípio 'o homem só deve acreditar nas coisas que a razão admite e a experiência confirma', princípio que fulminou a superstição, que mudou a face moral do nosso planeta.

•O fundador do cientificismo e o precursor do positivismo e da tecnocracia, considera que a história é regida pela lei do progresso, acreditando que, depois de uma época crítica, atingiremos uma época orgânica, com a divisão entre o poder espiritual, que caberá aos homens de ciência e não aos eclesiásticos, e o poder temporal¸ que pertencerá aos industriais e não aos guerreiros, aos empreendedores de trabalhos pacíficos, que ocuparão o maior número de indivíduos. Assim, a política passará a ser uma ciência da produção.

•Criticando os três principais inconveientes do sistema político vigente, isto é, o arbítrio, a incapacidade e a intriga, denuncia os parasitas e os dominadores, por um novo modelo de Estado, marcado pelo de cada qual segundo a sua capacidade (a norma da produção) e pelo a cada qual segundo as suas obras (a regra da distribuição).

 

 

Lettres d’un Habitant de Genève à ses Contemporains, 1802.

Introduction aux Travaux Scientifiques du XXème Siècle, 1807-1808.

Esquisse d’une Nouvelle Encyclopédie, 1810.

Mémoire sur la Science de l'Homme, 1813.

De la Réorganization de la Societé Européenne, 1814. Em colaboração com Augustin Thierry.

L’Industrie ou Discussions Politiques, Morales et Philosophiques dans l’Interet de tous les Hommes Livrés à des Travaux Utiles et Indépendants, 1817.

Du Système Industriel, 1820-1822.

Cathécisme des Industriels, 1823-1824.

Le Nouveau Christianisme, 1825.

 

Ansart, Pierre, Saint Simon, Paris, Presses Universitaires de France, 1969; - Sociologie de Saint Simon, Paris, Presses Universitaires de France, 1970. Paul Janet ·Saint-Simon et le Saint-Simonisme, Paris, 1878 ; Durkheim Le Socialisme. Sa Définition, ses Débuts. La Doctrine Saint-Simonienne, curso de 1895-1896, publicado em 1928 por Marcel Mauss, Paris, Rets, 1978 ; La Réligions Saint-Simoniènne, 1831; Doctrine de Saint-Simon, 1832.

 

Amaral (CP), III, pp. 12 segs;  Barata, Óscar Soares, «Apontamentos de História da Sociologia», in Estudos Políticos e Sociais, 1964, vol. II, nº 1, pp. 134 segs;  Brito, António José, «Saint-Simon», in Logos, 4, cols. 868-87;  Dammame, Dominique, «Saint-Simon», in Dictionnaire des Oeuvres Politiques, pp. 730-73;  Denis, Henri, História do Pensamento Económico, trad. port., Livros Horizonte, 1973, pp. 379 ss.; Gettel (HIP), pp. 435 segs;  Gonçalves (ITS, 1969), pp. 20 segs;  Halévy, Élie, História do Socialismo Europeu, trad. port. de Maria Luísa C. Maia, Amadora, Livraria Bertrand, 1975, pp. 79 segs;  Maltez (ESPE, 1991), I, p. 15;  Theimer (1970), trad. port., pp. 306 segs..

© José Adelino Maltez em Dili, Universidade Nacional de Timor Leste, ano de 2008

 

Última revisão:05-03-2009