José Adelino Maltez, Tópicos Jurídicos e Políticos, estruturados em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008, revistos no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009
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Carisma
O mesmo que dom da graça divina. Uma qualidade excepcional, real ou imaginária, possuída por um indivíduo isolado, qualidade por ele instrumentalizada para assumir uma liderança política. Tema introduzido por Ernst Troeltsch e retomado por Max Weber que a define como uma qualidade pessoal considerada extra-quotidiana (... ) e em virtude da qual se atribuem a uma pessoa poderes ou qualidades sobrenaturais, sobre-humanos ou, pelo menos, extra-quotidianos específicos ou então se a toma como enviada por Deus, como exemplar e, portanto, como líder. Contudo, o mesmo Weber salienta que uma das formas de legitimidade carismática aparece na democracia de líderes, com um demagogo a aproveitar-se da democracia plebiscitária, surgindo uma legitimidade carismática oculta sob a forma de uma legitimidade que deriva da vontade dos governados.
O culto das pequenas personalizações de poder de cunho bairrístico e
endogâmico, ou de falso carisma regionalista, bem como a crescente cedência
às caricaturas de pretensos príncipes neomaquiavélicos são directamente
proporcionais às sucessivas ilusões populistas. Apenas servem para que se
reforce a presente ditadura da incompetência, de um situacionismo que
continua a poder manipular os sucessivos inimigos a quem convém dar palco.
© José Adelino Maltez |

Última revisão:06-05-2009
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