José Adelino Maltez, Tópicos Jurídicos e Políticos, estruturados em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008, revistos no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009

 

Clube de Roma

 

 

Quando em plena Guerra Fria, as organizações internacionais de vocação mundialista, tentavam analisar os grandes problemas contemporâneos, a linguagem utilizada mostrava-se geralmente asséptica, para não ofender o politicamente correcto dos dois grandes blocos dominadores do equilíbrio.

Poucos foram os pensadores e as organizações que conseguiram furar esse bloqueio, mas é justo salientar o esforço da Igreja Católica, principalmente depois das encíclicas Pacem in Terris e Populorum Progressio.

Merece também destaque a actividade do chamado Clube de Roma, fundado em 1968, na cidade de Roma, por Aurelio Peccei XE "Peccei, Aurelio"  (1908-1983), na velha academia de Galileu, a Academia dei Lincei, que tentou não obedecer aos métodos ideológicos de então. Aliás, este consultor da Olivetti, da FIAT e da Itaconsult, assumira-se, na sua juventude, como resistente ao fascismo, chegando a estar preso, considerando que a chamada Realpolitik devia ser substituída por uma Realutopia, visando executar políticas e estratégias globais e colocar o mundo em condições de ser governado.

Foi, nesta base, que o grupo encomendou, ao MIT (Massachusetts Institute of Technology), um relatório sobre os limites do crescimento, terminado em Julho de 1971 e publicado em 1972, Os Limites do Crescimento, sob a direcção de Donella Meadows. Seguiram-se vários fundamentais relatórios sobre a conjuntura internacional, nomeadamente o que veio reconhecer a existência da primeira revolução global na história da humanidade.

O Clube que declarava não ter nenhum preconceito ideológico ou político foi, contudo, objecto de violentas diatribes, como a que lhe foi feita por Philippe Braillard XE "Braillard, Philippe" , em L’Imposture du Club de Rome, de 1982, onde acusava o mesmo de se situar no plano do discurso mítico, introduzindo, subrepticiamente, um conjunto de escolhas políticas que procuram fazer passar por simples consequências indiscutíveis de uma análise lúcida e científica. Porque, ao pretender falar em nome da humanidade, mais precisamente, como defensor da sobrevivência da espécie humana, o Clube de Roma procura, pela via de uma ideologia tecnocrática, impor uma sociedade mundial planificada, guiada por gestores que têm por modelo a empresa multinacional (1990, pp. 105-106).

Também antigos aderentes do processo acabaram por desertar e Alfred Sauvy XE "Sauvy, Alfred"  não se coibiu de acusar o clube da produção de uma obra anticientífica, apesar de nele colaborarem homens como Sicco Mansholt XE "Mansholt, Sicco" , o antigo presidente da Comissão da CEE, ou um Prémio Nobel, como Jan Tinbergen XE "Tinbergen, Jan" .

Começou assim a gerar-se uma forma mentis, bem expressa por Edgar Morin XE "Morin, Edgar"  que, em 1993, vem falar na necessidade de uma antropolítica e de uma política planetária, porque o que estava antes nos confins da política (os problemas do sentido da vida humana, o desenvolvimento, a vida e a morte dos indivíduos, a vida e a morte da espécie) tende a passar ao centro. Temos, pois, de conceber uma política de responsabilidade planetária.

Entre os principais relatórios do Clube de Roma Meadows (1972), Mesarivic e Pestel (1974), Inbergen (1978), Laszlo (1977, 1978) Gabor e Columbo (1978), Montbrial XE "Montbrial, T."  (1978), Guernier (1980), Giarini (1981), King e Schneider (1991).

 

© José Adelino Maltez

 

Última revisão:06-05-2009

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