José Adelino Maltez, Tópicos Jurídicos e Políticos, estruturados em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008, revistos no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009
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Conceito Do latim conceptus, de concipere, o mesmo que cum+captare. Difere de conceptione, o acto de ser concebido, de ser gerado. O conceito é uma unidade de pensamento que exprime um termo cujos significados são declarados por definições, apenas servindo de referência, ou transição, para um objecto real. O conceito é assim a mais pequena unidade dos processos conscientes do pensamento Trata-se de uma palavra ou de uma frase destinada a descrever relações existentes no mundo real. Neste sentido, os conceitos nunca são verdadeiros nem falsos, mas apenas mais ou menos úteis. Segundo Kant, o conceito é toda a noção que é geral, mas sem ser absoluta. Nas ciências sociais, apenas podemos observar os conceitos de forma indirecta ou mediata, através de indicadores. Há, assim, conceitos empíricos, os que podem ser observados, que podem ser reconduzidos a coisas observáveis, e conceitos teóricos, não observáveis (v. g. o conceito de sistema), que apenas podem ser definíveis no âmbito da teoria em que se usam. Todos os conceitos são marcados pela ambiguidade, dado que o símbolo que o reflecte, a palavra, o significante, pode não reflectir o significado. Há poucas palavras e muitos significados (v. g. a palavra portuguesa poder e os significados puissance e pouvoir da língua francesa). Daí a importância das definições verbais declarativas e do recurso aos léxicos. As definições operacionais incluem no seu interior a especificação do campo dos referentes empíricos do conceito. Os indicadores são conceitos mais específicos que o conceito abstracto e servem de ponte de passagem entre o conceito abstracto e as definições operacionais. Parsons chega mesmo a dizer que uma teoria não passa de um esquema conceitual logicamente articulado. Recordemos que a expressão conceito vem do latim conceptus, forma do verbo concipere, que, aliás, resulta da soma de cum mais captare. Isto é, mesmo etimologicamente, o conceito apenas serve para captarmos algo, diferindo de conceptione, enquanto acto de gerar. Logo, tem de ser entendido como simples unidade de pensamento que exprime um termo, cujos significados são declarados por definições, apenas servindo de referência, ou transição, para o mundo real. Isto é, os conceitos nunca são verdadeiros nem falsos, mas apenas mais ou menos úteis. Porque são apenas um dos instrumentos com que a mente humana capta a realidade, juntamente com os quadros mentais, os esquemas ordenadores, ou as leis gerais do pensamento. Weber chama-lhes os parafusos lógicos e Moncada entende-os como os remos que a embarcação do nosso espírito utiliza, quando pretende navegar no mar da experiência. Logo, o conceito, quando é verdadeiro, reflectindo correctamente a realidade exterior, acaba por aproximar-nos do concreto. Se em certas ciências, como na química, todos os conceitos usam definições operacionais, onde se incluem operações que os podem medir, eis que, nas chamadas ciências sociais ou humanas, só podemos observar o objecto material das mesmas de forma indirecta, ou mediata, através de indicadores, isto é, conceitos mais específicos que o conceito abstracto e que servem de ponte de passagem entre o conceito abstracto e as definições operacionais. Nestes domínios, tanto há conceitos empíricos, os que podem ser observados e reconduzidos a coisas observáveis, como conceitos teóricos, os não observáveis (v.g. sistema internacional), que apenas podem ser definíveis no âmbito da teoria em que se usam. Assim, também no âmbito das relações internacionais, todos os conceitos são marcados pela ambiguidade, dado que os símbolos que os reflectem, isto é, as palavras, enquanto significantes, podem não reflectir os significados.
Conceitos (Moncada). Um dos instrumentos com que a mente humana capta a realidade, juntamente com os quadros mentais, os esquemas ordenadores, as leis gerais do pensamento. Não são apenas formais, mas também constitutivos. Não servem apenas para organizar a experiência; servem também para criar o próprio objecto. O conceito apenas serve de referência ou transição para um objecto real. Compreensão do conceito, conjunto de caracteres ou notas representativas nele expressas. Extensão, o maior ou menor número de objectos ou realidades a que ele pode aplicar-se. Em certas ciências, como na química, todos os conceitos usam definições operacionais, dado que nas definições se incluem operações que podem medir os conceitos. Nas ciências sociais, apenas podemos observar os conceitos de forma indirecta ou mediata, através de indicadores. Há, assim, conceitos empíricos, os que podem ser observados, que podem ser reconduzidos a coisas observáveis, e conceitos teóricos, não observáveis (v. g. o conceito de sistema), que apenas podem ser definíveis no âmbito da teoria em que se usam. ·Todos os conceitos são marcados pela ambiguidade, dado que o símbolo que o reflecte, a palavra, o significante, pode não reflectir o significado. Há poucas palavras e muitos significados (v. g. a palavra portuguesa poder e os significados puissance e pouvoir da língua francesa). Daí a importância das definições verbais declarativas e do recurso aos léxicos. As definições operacionais incluem no seu interior a especificação do campo dos referentes empíricos do conceito. Os indicadores são conceitos mais específicos que o conceito abstracto e servem de ponte de passagem entre o conceito abstracto e as definições operacionais. Parsons chega mesmo a dizer que uma teoria não passa de um esquema conceitual logicamente articulado. ·Weber chama aos conceitos, os parafusos lógicos e Moncada entende-os como os remos que a embarcação do nosso espírito utiliza, quando pretende navegar no mar da experiência. E, como refere Garaudy, o conceito quando é verdadeiro, quando reflecte correctamente a realidade exterior, aproxima-nos do concreto.
© José Adelino Maltez |

Última revisão:06-05-2009
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