José Adelino Maltez, Tópicos Jurídicos e Políticos, estruturados em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008, revistos no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009
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Democracia Liberal e Socialista
Raúl Proença assume-se como um adepto da democracia liberal e socialista, tentando conjugar o idealismo e o realismo. Diz distanciar-se de idealismos como o anarquismo, o comunismo puro, o pacifismo e o absoluto universalismo e cosmopolitismo, mas quer combater o realismo determinista da Action Française, assumido, como ele injustamente diz, pelos integralistas portugueses. Considera que estes aceitam a redução do superior ao inferior, quando advogam o naturalismo, o fatalismo e o determinismo da hereditariedade, da história, das tradições, das necessidades inelutáveis. Acusa-os de darwinistas sociais. Acolhe o realismo, mas apenas numa perspectiva relativista e progressista. Assim, contra a perspectiva daquilo que considera as fórmulas nacionalistas, tradicionalistas, antidemocráticas e autoritárias do integralismo, quer vincar as suas ideias sobre pátria, tradição, democracia e autoridade. Sobre a pátria, tanto repudia o chamado universalismo, visando a constituição de uma pátria humana, de uma cosmopolis, de uma república universal, sem a realidade das fronteiras nacionais, como o belicismo e a necrolatria. Sobre a tradição, considera que esta não pode ser um critério suficiente, devendo ser entendida como criação continuada. A democracia deveria ser liberal e socialista, conforme os modelos da Inglaterra, dos países escandinavos e da Austrália, onde a autoridade teria de conciliar-se com a liberdade, sendo o contrário do autoritarismo e da intolerância. Mostra também simpatia pelos radicais-socialistas franceses, citando Julien Benda e Alain, mas também invocando Hume e Stuart Mill. Talvez tenha tido emoção de mais. Percebeu que a I República se esgotara em homens e ideias e percebeu que as soluções de futuro estavam a ser comandadas pelos integralistas, fazendo-lhe um activo combate doutrinal. Teve intuição de uma perspectiva terceirista, mas não conseguiu elaborar um sistema completo de doutrina, até porque não teve suficiente integração numa corrente europeia.
© José Adelino Maltez |

Última revisão:06-05-2009
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