José Adelino Maltez, Tópicos Jurídicos e Políticos, estruturados em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008, revistos no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009
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Empirismo organizador
Empirismo organizador é a qualificação dada por Charles Maurras, em Mes Idées Politiques, de 1937, ao método que tentou imprimir à concepção ideológica de ciência política assumida pela Action Française. Haveria constantes regulares e leis estáticas da sociedade, representadas pelas repetições insofismáveis da história. O modelo assume dimensões organicistas e naturalistas, recorrendo, como era timbre do tempo, a frequentes analogias biológicas. Esta corrente conservadora, de bases positivistas, aceita assim os principais postulados do evolucionismo darwinista, comungando, deste modo, com as correntes de esquerda dessa época.
Qualquer candidato a supremo líder, para conquistar o eleitorado, nunca poderá ser fascista nem antifascista, assumindo-se como europeísta q.b. e patriota malgré tout, contra o perigo do fascismo e do comunismo. E tem que repetir, mesmo que seja por intuição, o empirismo organizador que levou à emergência do cabralismo, do fontismo e do salazarismo, onde nunca interessaram doutrinarismos, mas o attrappe tout da personalização do poder, em nome daqueles moderados amanhãs que cantam, que se diluem no mito da modernização.
Neste sentido, seria desejável que a nossa democracia fosse um bocadinho mais poliárquica e um pedacinho mais pluralista, eliminando-se a hipocrisia de não se admitir abertamente a institucionalização dos conflitos. Que fosse possível compreender-se que, em democracia, o normal é haver desses anormais, onde até governar significa crise. Isto, enquanto os homens forem homens, não atingirem a paz dos cemitérios, ou não se transformarem em anjos ou em bestas.
© José Adelino Maltez |

Última revisão:06-05-2009
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