José Adelino Maltez, Tópicos Jurídicos e Políticos, estruturados em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008, revistos no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009
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Estratégia
Os Estados falam e trabalham, fazem uniões ou lutam nos campos de batalha, invejam-se, odeiam-se ou simpatizam entre si, atraem-se, repelem-se, ajudam-se ou combatem-se, da mesma maneira como os restantes seres de uma comunidade
The great wars of history...are the outcome, direct or indirect, of the unequal growth of nations
A estratégia é arte da dialéctica das vontades que utiliza a força para resolver o respectivo conflito, onde a decisão é um acontecimento de ordem psicológica que se pretende produzir no adversário: convencê-lo de que desencadear ou prosseguir a luta é inútil A estrategia nacional é a parcela de elaboração da decisão política que conceptualiza e estabelece metas e objectivos designados para proteger e realçar os interesses nacionais na esfera internacional
De estratego, “general” ou “chefe militar”. Refira-se que aquilo que em Portugal se constitucionalizou como defesa nacional tem, noutros países, a designação de estratégia nacional (caso dos Estados Unidos da América), grande estratégia (caso inglês) ou estratégia total (caso das teses francesas do General Beaufre).E várias têm sido as tentativas portuguesas para a definição desse conceito complexo, feito de palavras analógicas. Para Virgílio de Carvalho, por exemplo, ela é a ciência e a arte de mobilizar o poder material e anímico dos países, e de o utilizar, por forma a realizar objectivos, vencendo a oposição de antagonismos. Estas definições são tributárias dos esforços de alguns estrategistas que tentaram, de forma newtoniana, reduzir o poder de uma determinada unidade política a uma fórmula matemática.
Segundo a escola sul-americana, ele é constituído por factores de toda a espécie; compreende todas as capacidades e disponibilidades do Estado, isto é, os seus recursos humanos, naturais, políticos, económicos, sócio-psicológicos e militares. É um conjunto de poderes que abarca todo o campo de acção do Estado, donde se define a estratégia nacional como a arte de preparar e de aplicar o Poder Nacional para obter ou manter objectivos fixados pela Política Nacional.
Para Ray S. Cline, por exemplo, o poder apercebido - perceived power [Pp] é igual à massa crítica - função do território e da população [C] - mais capacidade económica [E], mais capacidade militar [M], vezes a coerência e adequação da estratégia nacional [S] mais a vontade nacional - a will to porsue national strategy[W], em função quer da vontade anímica da população, quer da sua adesão à estratégia nacional concebida pelo poder estabelecido. Outras fórmulas costumam também ser invocadas, como a de Spykman, onde a defesa equivale ao potencial dinâmico: V= Q x 1 ED onde Q é o potencial mássico (o somatório das forças materiais) e _ é o factor dinâmico. Na mesma fórmula E representa a resistência do meio e D, a distância a que o potencial mássico se encontra do ponto de aplicação. Já V é o potencial num determinado ponto e numa situação concreta.
Por seu lado, o General A. Beaufre utiliza a fórmula V=KYF onde as forças morais são representadas por Y, F são as forças materiais e K, as circunstâncias do meio. Também Richard Nixon utiliza a fórmula: PN= (PH + Recursos) x Determinação. Por seu lado, para Haendel o Poder é igual ao Poder próprio (condições geográficas, condições materiais, recursos humanos, capacidade estrutural), mais o Poder derivado de fontes externas (alianças formais ou informais). Cabral Couto, procurando sincretizar este modelos, propõe a seguinte: Poder= F (recursos militares, económicos, humanos, morais, etc.) x Y (auto-imagem + opinião dos outros). Com efeito, a definição de estratégia nacional, está, assim dependente da noção de poder nacional.
© José Adelino Maltez |

Última revisão:06-05-2009
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