José Adelino Maltez, Tópicos Jurídicos e Políticos, estruturados em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008, revistos no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009
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Geometria
Do grego, onde geo significa terra e métron tem a ver com media, querendo dizer, etimologicamente, medida da terra. Hobbes considerava a geometria como "a única ciência que Deus houve por bem até hoje conceder à humanidade". Assim se gerou o Estado Moderno, um Estado entendido como um espaço de razão, dotado de uma geometria, que é o território, de uma aritmética, que é a população, e de uma série de combinações entre ambos esses termos, sempre potenciadas pelo poder político ou principado. Assim se fronteirizaram os Estados entre si, representando-se cartografiicamete e estabelecendo linhas para se separarem. Por isso se compreendem as posições de Burke, segundo as quais "nada há mais enganador na política do que uma demonstração geométrica", coisa que "os construtores franceses", como ele qualifica os revolucionários, pretenderam fazer à nação, subdividindo‑a em três bases distintas: a geométrica (pelo território), a aritmética (pela população) e a financeira (pela contribuição)". É que "a linha moral não tem nada em comum com a linha ideal das matemáticas. A linha moral tem não só comprimento, mas também largura e profundidade; admite excepções; exige modificações. Estas excepções, estas modificações não poderão estabelecer‑se por simples operações lógicas, mas por regras da prudência. A prudência não é somente a primeira das virtudes políticas, mas é ela que regula, que dirige e que é, por assim dizer, a pedra de toque de todas as outras".
© José Adelino Maltez |

Última revisão:06-05-2009
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