José Adelino Maltez, Tópicos Jurídicos e Políticos, estruturados em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008, revistos no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009

 

Governo Mundial

 

 

Também eu quero seguir a esperança de Hannah Arendt no sentido de se mudar o presente  conceito de Estado e os únicos rudimentos que vejo para um novo conceito de Estado podem ser encontrados num sistema onde o poder não venha nem de cima para baixo nem de baixo para cima  mas que seja dirigido horizontalmente de modo que as unidades integrantes do mesmo ponham freios e controlem mutuamente os poderes. Um conceito que, no plano das relações externas levaria a uma autoridade não supranacional, mas sim internacional, dado que uma autoridade supranacional seria ou ineficaz ou monopolizada pela nação que fosse por acaso a mais forte, e assim levaria a um governo mundial, que facilmente se tornaria a mais assustadora tirania concebível, já que não haveria escapatória para a sua força policial global - até que ela por fim se despedaçasse. Que no plano interno, exigiria uma nova forma de governo, marcado pela criação de uma série de espaços públicos de lugares de trocas de opinião onde seja possível um processo auto-selectivo que agruparia a elite política verdadeira de um país, mas uma elite aberta, onde poderiam entrar todos os que se interessassem pelos assuntos públicos, esse sonho organizacional que tem vindo a ser  destruído directamente pela burocracia dos estados  ou pelas máquinas dos partidos.

Tal como Hannah Arendt, também não advogo a noção de governo mundial nem a de cidadania mundial, como as defenderam certos idealismos liberais. O que se propõe é tão só um horizontalismo que implique uma dupla cidadania: a das pertenças locais, regionais e nacionais e a pertença à oikoumene, as quais seriam complementares.

 

 

© José Adelino Maltez

 

Última revisão:06-05-2009

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