José Adelino Maltez, Tópicos Jurídicos e Políticos, estruturados em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008, revistos no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009
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Marxismo-Leninismo.
Termo criado pelo estalinismo, visando demonstrar a existência no sovietismo da mistura das teses de Marx e Engels com as de Lenine. Deste, sobretudo, as teses do centralismo democrático e do partido como vanguarda do proletariado A doutrina do comunismo vai, contudo, libertar-se destas contradições quando se volve em marxismo-leninismo, pela releitura de Marx levada a cabo por Vladimir Ilitch Ulianov, dito Lenine (1870-1923) que, na sequência da Revolução russa de Outubro de 1917, vai transformar o marxismo na ideologia oficial do e no instrumento justificador do Estado Soviético que virá a corporizar-se na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, oficialmente extinta em 31 de Dezembro de 1991. É a partir de então que a ocidentalíssima ideia marxista vai produzir uma mistura explosiva quando trata de violar a alma russa, para utilizarmos expressões de Berdiaev. Desde logo, pelo modelo de revolução adoptado, marcada por um processo tipicamente jacobino, onde, depois do Terror, republicanamente robesperriano, acabou por chegar um Bonaparte, muito republicanamente imperial. E do mesmo vício ocidentalista vai continuar a padecer o marxismo-leninismo de da pretensa revolução mundial, dado que os líderes terceiro-mundistas inspirados no marxismo-leninismo vão inventar nações a partir do artifício de uma luta de classes entre colonizadores e colonizados, de acordo com as teses leninistas. Lenine, com efeito, acrescentou ao marxismo a teoria do imperialismo que veio transformar o dualismo social da luta de classes dos proletários contra o capitalismonum dualismo geográfico global, onde já não são apenas classes que se opõem, mas zonas geográficas que avançam e recuam. E é, a partir de então, que a doutrina se cristaliza. O comunismo soviético, ao apresentar esta intenção de Estado Universal, vai assim transformar-se no Islão do século XX onde, como assinala Jules Monnerot, o poder temporal e público é acompanhado de um poder menos visível que, operando para além das fronteiras do império, enfraquece e mina as estruturas sociais das comunidades vizinhas. Deste modo, como o Islão conquistador, ignora a distinção do político e do religioso e, se aspira simultaneamente ao duplo papel de Estado universal e de doutrina universal, não é, desta vez, no interior de uma civilização de um 'mundo' coexistindo com outras civilizações, com outros 'mundos', mas à escala da Terra. O sovietismo vai mesmo assumir-se como uma propaganda fidei da pretensa igreja universal de Moscovo, onde os partidos comunistas actuavam como os missionários, como ordens religioso-militares, conforme os ditames do Komintern. e pelo princípio do cujus regio ejus religio. Missionários que, contudo, deveriam hamonizar-se com as tradições locais e aceitar um certo sincretismo religioso (p. 126) Sempre a ânsia pela totalidade da ligação entre a teoria e a prática, sempre o engano sobre o absoluto nesse sucedâneo de religião.
© José Adelino Maltez |

Última revisão:12-04-2009
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