José Adelino Maltez, Tópicos Jurídicos e Políticos, estruturados em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008, revistos no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009

 

Monarquia Universal

 

 

As cidades, as nações e os reinos devem reger-se por um poder comum a todos eles, para a manutenção da paz

Dante Alighieri

 

 

Unus populus, unus grex, unum corpus, una civitas, unum collegium, unum regnus

Ockham William of

 

O amor deve combater e vencer todas as formas de divisão, de dispersão, de oposição. A humanidade deve formar uma monarquia universal, governada por um chefe único, simultaneamente rei e sacerdote

Campanella, Tommaso

 

Dante Alighieri em De Monarchia c. 1312-1313, defende uma monarquia universal: as cidades, as nações e os reinos devem reger-se por um poder comum a todos eles, para a manutenção da paz. Prefere que esse império universal seja gerido pelo Imperador, entendido como um árbitro, ordenado pela justiça, assim negando a supremacia do Papa em assuntos temporais. Este nobre florentino, adepto dos guelfos, teoriza um império (imperium mundi) ou monarquia universal, entendida como uma monarquia temporal, como um principado único e superior a todos os outros no tempo, ou sobre as coisas que existem no tempo e são pelo tempo medidas. Um reino universal e não uma liga de reinos, dado que a humanidade deve ser o espelho do cosmos e, portanto, à imagem de Deus, deveria dispor de um único monarca.

 

A essa associação chama monarquia temporal, distinguindo-a da Igreja, a quem apenas destina um mero fim espiritual, sem qualquer espécie de poder temporal, preconizando, para o efeito, a promoção de uma cultura plenamente humana, a humana civilitas. Liberta-se também do conceito de cidade ou reino, conforme São Tomás, para quem haveria uma diversidade de reinos, considerando a necessidade de um único principado temporal para toda a humanidade: porque é manifesto que toda a humanidade se ordena para um fim único, é então necessário que um só coordene e reja; e este chamar-se-á rei ou imperador. É assim evidente que o bem-estar do mundo exige a monarquia ou o império. Esse monarca-imperador é quem melhor poderia realizar a justiça e vencer a cupidez porque nada tem a desejar pois que a sua jurisdição termina no oceano; o que não acontece com os outros príncipes cujos senhorios mutuamente se limitam, como o reino de Aragão ao reino de Castela. Por isso só o monarca pode entre todos os mortais ser o sinceríssimo sujeito da justiça, só imperando o monarca o género humano existe por si mesmo e não graças a outros.

 

Campanella,  em Monarchia di Spagna [1593, 1595], que tem uma versão revista em 1598-1599, defende a unificação da humanidade sob a monarquia dos Habsburgos, reinante em Espanha, mas com o primado político do Papa, dado considerar aquela como um braço secular, principalmente armado, ao serviço de um monarca-Pontífice, este sim o verdadeiro monarca universal do mundo, dotado de um principato assoluto a se stesso sufficiente con l’uno e l’altro gladio

 

 

 

© José Adelino Maltez

 

Última revisão:12-04-2009

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