José Adelino Maltez, Tópicos Jurídicos e Políticos, estruturados em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008, revistos no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009

 

Pecado e Poder Político

 

Segundo as teses de Santo Agostinho, a origem do poder político está no pecado, dado que foi a partir do pecado original que se deu a distinção entre os que mandam e os que obedecem. O poder político aparece assim como uma espécie de sanção estabelecida por Deus para se poder ter uma segurança, ou uma paz relativa. Tudo teria começado quando Caim matou Abel. Da mesma maneira na história lendária da fundação de Roma, como Rómulo a matar Remo. Com efeito, a partir do pecado original teria sido destruída a harmonia, surgindo a propriedade privada, a escravatura e o governo. Depois de Santo Agostinho, os tópicos da cidade de Deus e da cidade terrestre transformaram-se numa criatura que se libertou do criador, gerando-se a ideologia do augustinianismo político que veio confundir a cidade de Deus com a Igreja institucionalizada, coisa que nunca foi admitida por Santo Agostinho, o qual chegou mesmo a admitir que a civitas diaboli também circulava no seio da própria Igreja. Deste modo, a partir do papa Gelásio e de Santo Isidoro de Sevilha, surge um certo tipo de pensamento teocrático que gerou a submissão do poder temporal dos reis ao poder espiritual da Igreja e que teve o seu auge com Egídio Romano.

 

© José Adelino Maltez

 

Última revisão:12-04-2009

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