José Adelino Maltez, Tópicos Jurídicos e Políticos, estruturados em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008, revistos no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009
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Pilotagem automática desta governança sem governo
Perante os dramas do défice e as incertezas do rumo europeu, os nossos donos do poder começam a reparar que a massa do povo vai ganhando consciência do vazio político que recobria a pilotagem automática desta governança sem governo, plena de falsos amanhãs que cantam.
As sucessivas personalizações do poder, a nível partidocrático, governativo ou presidencial apenas são ilusionismos que conseguiram aguentar-se em tempos de vacas gordas, mas que agora já se vislumbram como solenes nadas, quando a verdade nua e crua da factura nos é apresentada e, mais uma vez, ameaça ser paga pelos justos cumpridores, mas não, infelizmente, pelos habituais pecadores da fuga ao fisco.
Afinal, os sábios avisos de quem nos aconselhava a vivermos com aquilo que tínhamos e produzíamos deviam ter sido seguidos, sem cairmos na tentação rotativista de sucessivamente dividirmos o bem e o mal entre os dois principais partidos fundadores do sistema, com cansativas acusações recíprocas desses irmãos-inimigos, onde cada um vai dizendo que é do outro a pesada herança da breve tanga.
Porque, entretidos nos meandros desse mais do mesmo, ficámos algemados a um vazio de estratégia nacional, até porque o supremo valor passou a ser um qualquer impulso externo vindo das encruzilhadas europeias ou das borrascas da globalização sem regras.
© José Adelino Maltez |

Última revisão:12-04-2009
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