José Adelino Maltez, Tópicos Jurídicos e Políticos, estruturados em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008, revistos no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009
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Poliarquia
Segundo Robert Dahl é o sistema político das sociedades industriais modernas, caracterizado por uma forte descentralização dos recursos do poder e no seio do qual as decisões essenciais são tomadas a partir de uma livre negociação entre uma pluralidade de grupos, autónomos e concorrentes, mas ligados mutuamente por um acordo mínimo sobre as regras do jogo social e político. Dahl distancia-se assim da chamada escola elitista, salientando a existência de uma multiplicidade de centros de decisão e um conglomerado de elites.
O problema fundamental das actuais democracias pluralistas e de Estado de Direito não é medir quem manda, mas controlar o poder daqueles que mandam, salvaguardando as minorias, isto é, permitindo que a liberdade as transforme, eventualmente, em futuras maiorias, isto é, admitindo os golpes de Estado sem sangue que resultam das alterações por via eleitoral.
Aqui e agora,
onde, na prática, a teoria é outra, e onde a esmagadora maioria dos
cidadãos está adormecida pela indiferença, apenas repito o que ainda há
pouco me ensinavam: o bem comum é inércia, o mal do vanguardismo é
sempre a dinâmica dos organizadores. E nem a resistência passiva, quando
passa a organização política, continua os belos princípios que a
geraram. Resta a subversão do pensamento que pode deixar semente e ser
exemplo contra aquilo que aqui denuncio e não é metáfora ou futurismo
orwelliano da utopia negativa, mas unhas cravadas no dorso e um real
asfixiante que faz apelar à procura de exílio se o direito à indignação
não se transformar em revolta contra a cobardia. É o meu dever. Não,
não vou por aí...
Neste
sentido, entusiasma-se ensinar Althusius. A sua perspectiva do Estado como
consociação mista ou pública, reunindo consociações privadas e públicas. O
Estado como mera consociação pública maior, mera procura de uma república
maior, esse encanto que ainda permanece nalgumas facetas da Confederação
Helvética e na ideia de soberania divisível partilhada pelos federalistas
norte-americanos. Ou seja, a defesa de uma perspectiva pré-absolutista que
não foi marcada pela ideologia do soberanismo. Ou de como Althusius tem
actualidade, especialmente no tocante à construção política dos grandes
espaços, como a União Europeia, susceptível de enquadramento no conceito de
consociação pública maior. Isto é, a república tem de misturar o público e o
privado, não pode ser o exclusivo daquilo que é público. © José Adelino Maltez |

Última revisão:12-04-2009
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