José Adelino Maltez, Tópicos Jurídicos e Políticos, estruturados em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008, revistos no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009
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Religião e Política
Toute religion n'est qu'un système imaginé pour concilier des contradictions à l'aide des mystères Au nom d'une religion qui a introduit la vraie liberté dans le monde, on me prêche l'arbitraire et l'ancien régime. [...] Mais aujourd'hui je ne désespère pas de trouver des hommes qui comme vous et moi prennent pour mobile de leur conduite Dieu et la liberté (1827) Montalembert, Charles René Forbes de
À religião do Deus feito Homem, substituiu-se a religião do homem feito deus
A actividade religiosa de uma sociedade tem funções não apenas espirituais, mas também militares e económicas
Há, como assinala Georges Balandier, uma homologia do sagrado e do político, até porque estes dois conceitos são regidos por uma terceira noção que os domina: a de ordem ou de ordo rerum. Aliás, religião, etimologicamente falando tem a ver com religação à divindade, retorno a Deus, por parte daquele que, pecando, o abandonou e que tem de o reencontrar para alcançar o equilíbrio.
Da polis grega, duplamente entendida como cidade-Estado e cidade-Igreja, aos reis taumaturgos medievais, é todo um processo que não findou com a racionalista morte de Deus nem com o Estado Laico contemporâneo. Se no mundo grego, a religião era simples parcela da política e se, no mundo da cristandade medieval, a política passou a ser parcela da religião, temos de concluir, como Eric Weil, que ainda hoje a nossa sociedade apresenta‑se como comunidade que tem como sagrado o que todas as outras consideraram como o contrário do sagrado.
© José Adelino Maltez |

Última revisão:12-04-2009
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