José Adelino Maltez, Tópicos Jurídicos e Políticos, estruturados em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008, revistos no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009
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Salvação do Mundo
Ainda hoje continuamos a procurar a salvação do mundo, para utilizarmos o título de uma tragicomédia de José Régio, de 1954. Ainda hoje, nos dividimos entre um partido democrático, para quem só os princípios da liberdade são a garantia do progresso; um aristocrático, defensor da qualidade dos governantes contra a inconsciência e a mediocridade das maiorias; e um extremista, crente em regimes de autoridade baseados as aquisições da Ciência e da Técnica.
E apenas se concorda naquela metodologia que nos leva a estar em desacordo. Como Lenine a invocar Ford e Taylor; o futurismo fascista a repetir as imprecações do surrealismo anarco-comunista; ou Georges Sorel a servir de inspirador para todos os totalitarismos dos anos vinte do século pretérito.
Resta-nos a esperança de um rei Pedro da Traslândia que, com bom senso, proclame: venho nu, cheio de boa fé e de boa vontade. Perdi toda a ciência que tinha..., que julgava ter, e que nem era ciência nem era sabedoria. Agora não sei quase nada. Vou tentar aprender a cada instante com as realidades interiores e exteriores. Um rei Pedro, aprendendo com aquele Profeta que volta a falar num novo Evangelho, sem palavras, ideias e doutrinas: Enchestes os vossos livros de letras; as letras mataram o Espírito! Viveis soterrados em fórmulas.
© José Adelino Maltez |

Última revisão:12-04-2009
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