José Adelino Maltez, Tópicos Jurídicos e Políticos, estruturados em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008, revistos no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009
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Sistemas gerais, teoria dos Proposta surgida nos anos vinte por proposta do biólogo Ludwig von Bertallanfy, visando a constituição de um movimento de unificação das ciências. Cada disciplina deveria Ter uma teoria geral abstracta para integrar o conhecimento adquirido nas outras, desenvolvendo-se o processo de comunicação entre os vários campos de investigação. Vai influenciar o movimento da cibernética. Em 1956 chegou mesmo a fundar-se uma Sociedade para o Desenvolvimento da Integração dos Sistemas Gerais, editora da revista General Systems, na senda da proposta do biólogo austríaco Ludwig von Bertallanfy (1901-1972), visando a constituição de um movimento de unificação das ciências, onde cada disciplina deveria ter uma teoria geral abstracta para integrar o conhecimento adquirido nas outras, desenvolvendo-se o processo de comunicação entre os vários campos de investigação. Este biólogo, amigo de Hayek, nasceu em Viena, onde chega director do Instituto de Estudos Biológicos, tendo-se instalado nos Estados Unidos a partir de 1949. Considera que a vida é uma luta contra a entropia, através da informação. Vivia-se a infância desta arte, acreditando-se que todo o mundo podia ser capturado pela ideia de sistema, definido como um conjunto de elementos interdependentes, como um todo feito da interacção entre as suas diversas partes, mas onde esse todo actuaria num determinado ambiente, do qual receberia inputs e para o qual enviaria outputs, em regime de circularidade, porque os sistemas não seriam estáticos, mas antes sistemas de acção. Segundo Ludwig Von Bertallanfy, sistema é um conjunto de elementos que se encontram em interacção, distinguindo entre sistemas abertos e sistemas fechados. O sistema aberto é todo o sistema que se relaciona com o ambiente onde se insere, adaptando a sua estrutura e os seus processos internos ao ambiente. Pelo contrário, o sistema fechado é o que não tem contacto significativo com o ambiente. O sistema aberto tem informação, comunicação, organização, complexidade e heterogeneidade. O sistema fechado, onde apenas há matéria, tem caos, simplicidade, homogeneidade, determinismo, causalidade e entropia: um sistema aberto define-se como um sistema que troca matéria com o meio ambiente, apresentando importações e exportações, elaborações e destruições dos seus componentes materiais. Nele, a ordem é continuamente destruída e a adaptação é sempre possível graças à entropia negativa, pelo que o mesmo estado pode ser atingido a partir de condições iniciais. Outro aplicador da teoria dos sistemas às relações internacionais é Karl Wolfgang Deutsch (1912-1992). Este alemão dos Sudetas, nascido em Praga, sob o Império Austro-Húngaro, forma-se em direito na actual capital da República Checa, tendo emigrado para os Estados Unidos logo em 1939, doutorando-se em Harvard em 1951, com a dissertação Nationalism and Social Communication, sendo professor no MIT de Boston (1945 a 1956), em Yale (até 1967) e, depois, em Harvard. A última obra que escreveu, juntamente com Bruno Fritsch, é uma profunda reflexão sobre os perigos que nos reserva o futuro, mas com muita fé na sobrevivência humana, tendo como título Perilous Passages. Conflict in World Politics in the Next Half-Century. Aliás, o livro de estudos em sua homenagem tem um significativo título From National Development to Global Community. Essays in Honor of Karl W. Deutsch, edição de Richard L. Merrit e Bruce M. Russet, Boston, Allen & Unwin, 1981. O modelo dos sistémicos, contudo, bifurca-se, dado que alguns preferem a estrutura propriamente dita, privilegiando nas suas análises, a chamada configuração do poder, enquanto outros insistem no papel ou na função que os actores desempenham. Daí que os funcionalistas, segundo a acusação dos realistas estruturalistas, tendam a ser mais normativistas e mais institucionalistas, quando tratam de procurar a forma como o os sistemas satisfazem as necessidades, ou aspirações, dos elementos que os compõem. Invocando o qualificativo funcionalista, se uns, como Haas, continuam a analisar preferencialmente as organizações internacionais, outros dão prioridade aos actores e aos processos que actuam e influenciam o palco mundial, abaixo, ao lado e acima dos Estados, salientando o papel dos funcionários supra-estatais, como os eurocratas, dos grupos de interesse e das multinacionais, que passaram a preponderar, deixando, em segundo plano, os diplomatas e os aparelhos estaduais dos negócios estrangeiros.
© José Adelino Maltez |

Última revisão:12-04-2009
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