José Adelino Maltez, Tópicos Jurídicos e Políticos, estruturados em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008, revistos no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009
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Spoil System Spoil system ou sistema de troféus é o nome dado ao modelo norte-americano de nomeação de novas equipas depois da eleição de um presidente, tendo sido instituído por Andrew Jackson no primeiro quartel do século XIX. Segundo Max Weber, trata-se da atribuição de todos os postos da administração federal ao séquito do candidato presidencial vitorioso. A partir de então, surge o partido como simples organização de caçadores de cargos, sem convicção alguma. Equivale aos nossos jobs for the boys. É neste sentido que Bailey considera a política como um jogo onde os competidores actuam numa arena visando a conquista de troféus. Levou também ao aparecimento, no modelo norte-americano, do boss, do empresário político capitalista que procura votos em benefício próprio, sem ter uma doutrina e sem professar qualquer espécie de princípios. Um político profissional típico que trata de atacar os outsiders que lhe podem ameaçar os futuros rendimentos, isto é o futuro poder. Há certas infra-governantas do sistema, esses que nem sequer são adesivos ou vira-casacas, porque nunca realmente serviram qualquer dos sucessivos sistemas que os prebendaram, dado que apenas os instrumentalizaram psicopaticamente, para gerarem neofeudais obediências pelo temor, em nome do poder pelo poder. Não tarda que surjam documentos da história vivida onde finalmente conheceremos os autores de manifestos saneamentos e de sucessivos assassinatos morais, esses que, até agora, conseguiram que o crime compensasse, transformando rejeições morais que lhe foram movidas em caricaturais perseguições políticas. Esses que mentem tão insistentemente que até já pensam ser verdade a própria mentira que fabricaram, inimputavelmente. Na verdade, há muitos que, sem o comando interior do transcendente, vivem em angústia quotidiana face à sua inevitável finitude. Exímios no comando do império do efémero, têm, aliás, beneficiado do revisionismo histórico que fomentam dolosamente. De nada vai valer esse fingimento de tolerância que fabricaram de forma calculista, quando elogiaram artificialmente os adversários que lhes são convenientes, ou planearam cinicamente pretensas amizades, de acordo com o modelo do sindicato florentino dos salamaleques mútuos. E lá continuam alguns hierarcas do sistema a julgar que é possível continuar a tapar o sol com uma peneira, por considerarem que o povo não repara que o rei vai nu. Nem sequer conseguem vislumbrar que a rede mediática que gerou os actuais heróis políticos está contaminada pelas ramificações do nosso doméstico eixo, estruturador do spoil system. Os que nasceram e cresceram pela falta de autenticidade, não conseguem concluir que quem com ardil matou, com a verdade da história pode morrer, quando, de novo, se puder medir popularmente a distância que vai daquilo que se proclama àquilo que se pratica.
© José Adelino Maltez |

Última revisão:12-04-2009
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